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Marafações de uma Louletana

Um espaço dedicado a Loulé e às suas gentes!

Marafações de uma Louletana

Um espaço dedicado a Loulé e às suas gentes!

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte

01.05.18, Lígia Laginha

ALTE é uma pequena aldeia algarvia, muito humilde, recatada e tão escondida entre os quatro montes que a rodeiam que só se vê, só se mostra, quando chegamos quase ao pé de si. 
E porque em Alte é permanente a canção ora doce e lírica, ora forte e tremenda das águas; e porque é interminável também o baile de roda das suas quatro montanhas, nós, os habitantes daquela aldeia, num impulso espontâneo, natural, vamos nas suas cantigas. D’aí uma das principais razões da existência do Grupo Folclórico de Alte, que é por assim dizer o repositório das tradições, dos bailes populares dos antepassados, e deseja ser conservador dessas graciosas danças, dessa magnifica cultura popular.





Em Alte, nos anos 20 e 30 (do século XX) rapazes e raparigas - depois de uma semana de trabalho no varejo e apanha de alfarrobas, amêndoas, figos; nas ceifas do trigo e nos trabalhos das eiras – juntavam-se aos Domingos à tarde e à noite na casa da Tia Joaquina, na Rua do Moinho da Levada. Começavam por conversar animadamente sentados nas cadeiras de tabúa. Depois os rapazes levantavam-se e iam buscar as raparigas com quem desejavam bailar ou “balhar”. Um dos rapazes sempre munido com a sua “flaita”, ou “gaita de beiços”, começava a tocar a “Moda do bailarico”, “A Terezinha não está cá”, “Estes rapazes da aldeia”, entre outras. E a certa altura uma das raparigas desafiava um rapaz e começavam a cantar a despique e ele respondia.
Lá para o fim da noite era o “Corridinho”, os “Topes”, a “Marcadinha” e o “Baile de roda mandado”, por uma mulher formidável de alegria e vivacidade.

Pode dizer-se que o Grupo Folclórico de Alte nasceu em 4 de Outubro de 1938, tendo como mentor José Cavaco Vieira. Alte estava em festa para o “Concurso da aldeia mais portuguesa de Portugal”, a fim de dar a conhecer ao País os costumes e as suas tradições populares. Toda a freguesia estava  alegre e em movimento. Na aldeia as suas tradições estavam à vista; todo o povo representava – como admirável actor – cada grupo, cada pessoa com seu papel, mostrando naturalmente os seus costumes e tradições.

Em 1940 o Grupo Folclórico de Alte foi convidado para a festa do Mundo Português em Lisboa. Depois foi o caminhar constante desse Grupo Folclórico de Alte, tendo actuado em centenas de localidades de norte a sul de Portugal, animando festas populares, grandes Festivais de Folclore, vários Congressos Internacionais. Animou, mesmo em Alte, muitos milhares de turistas de todo o Mundo.
Quanto à sua actividade fora do País esteve com outros Ranchos Folclóricos portugueses no Grande Concurso Internacional de Canções e Danças Populares de Madrid, em 10 de Julho de 1949, onde obteve um lugar de destaque tendo-lhe sido entregue uma medalha e diploma de alto mérito etnográfico. 
O Grupo Folclórico de Alte tem sido galardoado com várias medalhas, taças e diplomas, destacando-se o primeiro prémio no Festival Nacional de Folclore, em Lisboa (1967).

Do seu repertório constam jogos de roda simples, com par no meio, cadeados, despiques, bailes de roda mandados, topes, marcadinhas, e corridinhos, um corridinho sereno, a toque de “gaita de beiços”, que se harmoniza com o silencio da nossa charneca e outro um pouco mais entusiástico, mais remexido, a toque de acordão, que reflecte o marulhar das nossas ribeiras.
Centenas de pessoas de Alte e da freguesia têm passado por várias épocas a cantar e a dançar, a fazer parte do Grupo Folclórico de Alte.
Com que saudades os que estão vivos recordam o tempo em que cantaram e dançaram no Grupo, o animaram e lhe deram vida para chegar até hoje!... Tudo isto representou e representa um grande valor cultural e artístico para a nossa terra, que muito a honra e a torna admirada e bastante conhecida em todo o Portugal, devendo esta cultura, estas danças e cantares terem continuidade.
Compõe-se da tocata (acordeon, ferrinhos, “gaita de beiços”, castanholas), da cantata e dos dançarinos, que vestem Trajes Domingueiros e de Cerimónia. O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte constitui a reposição ou demonstração de um baile tradicional do casamento camponês da sua aldeia, da sua freguesia.





Em 4 de Outubro de 2013, fez a grande festa das suas Bodas de Diamante. E continua a dançar e a cantar por todo o Portugal e estrangeiro. Ao longo do ano de comemorações editou um CD, um DVD e um livro sua história. Longa vida e muitas estórias para o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte…

Nota: Texto da autoria de Sónia Silva publicado na revista Raízes n.º 2, datada de 2014. Pode ler a revista na integra aqui.