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Marafações de uma Louletana

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Marafações de uma Louletana

21
Jul11

A Praia de Vilamoura

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Uma das valências do Concelho de Loulé consiste na sua faixa costeira que é composta por algumas das melhores praias a nível nacional.

 

Uma dessas praias é a praia de Vilamoura.

 

A Praia de Vilamoura situa-se entre o pontão nascente da Marina de Vilamoura e o Porto de Pesca da cidade de Quarteira e está inserida num dos maiores Empreendimentos Turísticos e Imobiliários da Europa. Associada a uma frente urbano-turística com um uso intensivo apresenta excelentes condições ao nível da acessibilidade e mobilidade para todos (rampas e acessos de nível ao areal e toldos, banhos assistidos, entre outros). A oferta turística de qualidade é caracterizada pela excelência dos equipamentos e serviços, nomeadamente bares/restaurantes com esplanada, recepção de praia, posto médico, instalações sanitárias e chuveiros, amplo espaço para estacionamento, ordenamento das áreas para uso balnear e vigilância.

Vilamoura é um grande complexo de lazer, desporto e cultura, onde para além do golfe, o visitante tem à disposição um casino, centro hípico, clube de tiro, ciclovias, campos de ténis e squash, galerias de arte e ainda a Marina de Recreio. Distinguida também com o Galardão Bandeira Azul, a Marina de Vilamoura apresenta uma vasta e completa oferta ao nível de actividades e desportos náuticos (cruzeiros e passeios de barco, regatas, vela, jet-sky, mergulho, etc.), bem como uma sofisticada envolvente de alojamentos, esplanadas e lojas. No domínio do património histórico, Vilamoura é também uma referência com o Museu e Estação Arqueológica do Cerro da Vila onde é possível fazer uma viagem imaginária por uma vila piscatória romana do séc. I.

Vilamoura prima ainda pelas qualidades ecológicas e ambientais, pelo que se aconselha uma visita ao Parque Ambiental, onde podem ser observadas mais de 100 espécies de avifauna entre os densos caniçais da zona húmida.

 

 

20
Jul11

Ilustres Louletanos (XIII) - Quirino dos Santos Mealha

Lígia Laginha

 

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje recordamos mais um ilustre louletano de seu nome Quirino Mealha.

 

Agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro em 2009, Quirino dos Santos Mealha nasceu em Querença a 8 de Julho de 1908.

Em 1926 matriculou-se na Universidade de Lisboa, tendo-se licenciado em Lisboa em 1931.

No ano seguinte fixou-se em Loulé onde fez os estágios de advogado, de notário e de subdelegado do Procurador da República. Em simultâneo, entrou para a vida pública de Loulé, tendo sido administrador do concelho (1932, 33 e 35), provedor da Misericórdia, vice-presidente da Câmara e presidente do Grupo Desportivo Louletano.

Em 1935 foi nomeado delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência no distrito de Beja.

Foi deputado na III Legislatura (1942-45), mandato que não concluiu para ocupar o lugar de governador civil do distrito de Beja, de 1944 a 1950, exercendo novo mandato na VIII Legislatura (1961-65), sendo também procurador à Câmara Corporativa na VI e VII Legislaturas por inerência de ser presidente da Direcção da FNAT.

Foi também Presidente do Concelho de Administração e do Concelho-Geral do Banco do Alentejo entre 1966 e 1975.

Presidiu várias comissões de estudos e grupos de trabalho, tomou parte de congressos, colaborou com diversos jornais e revistas e foi autor de relatórios, discursos, conferências, comunicações e de iniciativas culturais, nomeadamente de concursos e exposições de carácter heráldico, etnográfico, folclórico e de arte popular.

Faleceu em Lisboa a 4 de Junho de 1991.

 

19
Jul11

As Bicas Velhas de Loulé

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Loulé, como qualquer outra urbe algarvia que se preze, possui ainda uma fonte, fonte esta designada de "Bicas Velhas".

No livro do já referenciado neste blog Pedro de Freitas, "Quadros de Loulé Antigo", pode ler-se: "As quatro bicas  datam de 1837, e foram feitas do material do primitivo sino do relógio, que servira na torre da Matriz e ainda fora colocado na torre das muralhas, que, por estar arruinado, foi fundido neste ano. Estas bicas eram alimentadas por um potente filão de água. Raramente secavam na maior força do calor, e além de alimentarem numerosa gente com o precioso líquido, abasteciam o tanque das lavadeiras, que existia ao fundo, e mais o grande chafariz onde os animais bebiam."

Na parte superior da fachada passa muitas vezes despercebida uma pedra bem mais antiga, com a representação de uma mulher alada de pernas abertas… Foi tirada do convento da Graça, de que restam, aliás, só ruínas…

Na actualidade, as Bicas Velhas continuam a jorrar e muitos ainda bebem da sua água, como de resto ontem, ao por lá passar, constatei.

A marafada apela para que numa das próximas vezes que visitem Loulé não se esqueçam de ir espreitar esta beleza patrimonial que muitas vezes passa quase incógnita perante a grandeza do património que a rodeia.

 

18
Jul11

Conferência “Pedro de Freitas, O Escritor e Musicólogo Popular”

Lígia Laginha

 

 

Boa tarde caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Num post de 24 de Abril de 2011 a marafada apresentou neste blog o ilustre louletano Pedro de Freitas.

 

Hoje, pelas 18h00, na Alcaidaria do Castelo, realiza-se a Conferência “Pedro de Freitas, O Escritor e Musicólogo Popular”, apresentada por Susana Barrote, na qual irá abordar momentos da vida, a sua obra literária, periódica e musical, as lutas de vida e as campanhas musicais.

“Este trabalho de investigação pretende estudar as múltiplas intervenções históricas, culturais e político-sociais associadas à intervenção biográfica de um homem (Pedro de Freitas) que pretendia representar as massas populares da sociedade portuguesa e que lutava por lhes conferir melhores recursos culturais”, refere Susana Barrote, autora de uma tese sobre esta temática, na Universidade de Salamanca.

17
Jul11

Flora Louletana (III) - A amendoeira

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Como se aproxima a altura de apanhar as amêndoas, fruto da amendoeira, hoje falemos um pouco desta espécie tão comum no nosso Algarve.

 

Assim, segundo a infopédia:

 

"Designação vulgar de plantas arbóreas da família das Rosáceas e do género Prunus, a amendoeira, Prunus dulcis (Sin. Prunus amygdalus), é uma árvore muito ramificada, com ramificação ascendente, que pode atingir os oito metros de altura. Apresenta um ritidoma de cor negro-purpúra, com gretas profundas. Os ramos, enquanto jovens, são verdes. 
As folhas são caducas, simples, alternas, com um comprimento variável entre os quatro e 12 centímetros, oblongo-lanceoladas, glabras, finamente denteadas. O pecíolo tem um tamanho superior a um centímetro. No início as folhas podem dobrar-se em V ou ao longo da nervura central. 
A floração, que ocorre normalmente entre fevereiro e abril, é anterior ao aparecimento da folhagem, originando uma paisagem muito típica e procurada pela sua beleza. As flores, rosadas antes de se abrirem e mais pálidas ou mesmo brancas na sua maturação, têm um diâmetro que varia entre os 40 e os 50 milímetros. São curtamente pecioladas. O hipanto é campanulado e a margens das sépalas tomentosas. 
O ovário e o fruto são, também, tomentosos. O fruto é ovoide, ligeiramente comprimido, com um comprimento variável entre os 35 e 60 milímetros. É de cor cinzento-esverdeada, com cobertura suculenta que encerra o caroço conhecido por amêndoa.
A amendoeira Prunus dulcis é também comummente designada por amendoeira-amarga (Prunus dulcis amara) ou amendoeira-doce (Prunus dulcis dulcis).
A amendoeira, originária da Ásia Menor e Nordeste de África, cultivou-se desde a Antiguidade em volta do mar Mediterrâneo, habitando em lugares rochosos, bordos de estradas, limites de campos cultivados e terrenos de cultivo. Em Portugal, a cultura desta espécie é particularmente favorecida nos vales do Alto Douro e no Algarve.
As amêndoas são utilizadas normalmente para fins culinários e terapêuticos. O óleo de amêndoa é também utilizado na cosmética. As sementes de amendoeira contêm, como outras sementes de plantas do género Prunus, uma substância que produz ácido cianídrico, em teor elevado nas amêndoas amargas, que pode causar graves perturbações. A ingestão de 10 - ou até menos - amêndoas cruas, naquelas condições, pode causar graves perturbações e a ingestão de vinte pode ser fatal."

 

Bem, quem diria que a amendoeira era isto tudo... A marafada apenas pode confirmar que as amendoeiras em flor, entre os meses de Fevereiro e Abril, são um espectáculo de rara beleza.

A amêndoa é usada na maior parte da doçaria algarvia. Considerada uma iguaria de dificil apanha é muitas vezes cara e não está ao acesso dos bolsos de todos. Mas o sabor dos doces de amêndoa é sem dúvida magnífico!

 

16
Jul11

Toponímia Louletana (IV) - Praça Afonso III

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar das ruas que fazem parte da nossa maravilhosa cidade louletana.

 

Localizada a poente da muralha do Castelo, a praça Afonso III é dedicada ao rei português responsável pela conquista de Loulé aos mouros em 1249. Este topónimo foi-lhe atribuído em sessão de Câmara de 19/06/1935, por prosposta do vogal João Moura.

Esta praça foi outrora chamada de largo do Chafariz, por aí ter existido um bebedouro de animais, destruido no ano de 1978. Este chafariz era circular e recebia a água proveniente das Bicas Velhas, que corria permanentemente por uma calha de pedra. Esta denominação já aparece referenciada nas Décimas da Vila de 1802.

 

Quanto a D. Afonso III (1210-1279) ficou conhecido como o Bolonhês e outorgou foral a Loulé, em Agosto de 1266, tendo a consolidação administrativa do País constituído o seu maior mérito.

 

Nota:

 

1. Informação retirada da magnífica obra "Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé" de Jorge Filipe Maria da Palma.

15
Jul11

Freguesias do Concelho de Loulé (II) - Alte

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje vamos até Alte, uma das aldeias mais rústicas de Portugal e uma das freguesias mais interessantes do Concelho de Loulé.

 

A Freguesia de Alte, com uma superfície de aproximadamente 97 km2, situa-se no centro do Algarve e no extremo noroeste do Concelho de Loulé. Estende-se por terras serranas e do barrocal, com a Serra do Caldeirão a erguer a norte. A Rocha dos Soidos, com 482 metros de altitude, é a zona mais elevada da freguesia, tendo outrora servido de referência aos navegantes. Deste local avista-se também toda a freguesia. Tal como outras freguesias do interior, Alte não foge à regra, possuindo fracos recursos económicos e vivendo de uma agricultura de susbsistência. 

A aldeia de Alte, que já foi considerada a mais típica de Portugal, continua fiel às suas origens, mercê de um investimento de recuperação e manutenção efectuado pela autarquia, no sentido de preservar os seus traços originais, onde a Igreja Matriz, provavelmente edificada nos anos 1500, continua a ser a mais antiga referência histórica de Alte. 
A aldeia, a Fonte Grande e toda a zona envolvente, caracterizada pelo ambiente pitoresco que a rodeia, são visitadas anualmente por muitos milhares de turistas que se demoram nos restaurantes e nos cafés da localidade, depois de terem adquirido o artesanato tradicional da terra, como os doces regionais, os brinquedos de madeira, a olaria e os trabalhos de esparto.As casas são brancas e simples e com poucas açoteias, mas possuem as mais belas chaminés rendilhadas do Algarve. Alte Aldeia Cultural e a Festa do 1º de Maio são, sem dúvida, os momentos mais altos dos festejos levados a efeito ao longo do ano.

Em 1871, nasceu em Alte o poeta Francisco Xavier Cândido Guerreiro, cujo retrato se encontra perpetuado nos painéis de azulejos do aprazível jardim da Fonte Pequena, juntamente com alguns dos seus poemas, o mais célebre dos quais se inicia pela seguinte quadra:

Porque nasci ao pé de quatro montes
Por onde as águas passam a cantar
As canções dos moinhos e das fontes
Ensinaram-me as águas a falar.
14
Jul11

A Casa da Cultura de Loulé

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado vai dar-vos a conhecer um pouco da Casa da Cultura de Loulé:

 

Em 1979 um grupo de professores de Loulé reconheceu a necessidade de uma intervenção cívica para além do âmbito das suas funções normais, ou seja, algo que dinamizasse a vida cultural da cidade – então uma pequena vila. Na sequência de vários encontros foram criadas as bases para o lançamento de um projecto cultural, tendo sido criada então a Comissão Pró Casa da Cultura.

A duração desta estrutura, com esta designação, foi relativamente curta, tendo dado lugar à criação da Associação Pró Casa da Cultura.

Em 1987 foi adoptado o actual nome – Casa da Cultura de Loulé e algum tempo depois, quando o Instituto Português da Juventude criou o RNAJ – Registo Nacional de Associações Juvenis – a Associação procedeu aí ao seu registo como Associação Juvenil.

Actualmente a Associação conta com 670 associados e tem-se vindo a constituir como uma entidade de referência no sector da dinamização sociocultural da cidade e do concelho de Loulé.

A actual Direcção é composta por nove elementos, sendo cada um deles responsável por uma ou mais áreas de trabalho da Associação. Todas as actividades são asseguradas pelos associados em regime de voluntariado, existindo apenas dois elementos assalariados que asseguram as tarefas de secretariado.

Ao longo dos anos a Casa da Cultura tem promovido um leque diversificado de actividades, estando patentes em todas elas três grandes linhas orientadoras: a organização, a formação e a divulgação de eventos culturais.

Nos primeiros anos da sua existência, e até pela proveniência dos seus fundadores, foi privilegiada a intervenção junto das escolas, tendo sido desenvolvido todo um trabalho de fomento da prática desportiva, de relançamento dos jogos tradicionais e de apoio às artes plásticas. Seguidamente, começou a ser prestada maior atenção e apoio técnico ao lançamento e consolidação de outras associações locais, capazes de partilhar e prosseguir objectivos semelhantes noutras zonas da região, promovendo, nomeadamente, o intercâmbio de residentes em actividades valorizadoras dos recursos culturais da zona.

Mais tarde, naturalmente, a Associação voltou-se para uma maior estruturação e alargamento das suas próprias actividades, estendendo-se estas pelas áreas do teatro, da fotografia e das artes plásticas e tendo-se fortalecido entretanto o sector da actividade gímnica.

 

Nota:

 

1. Na próxima Sexta – Feira dia 22 de Julho, pelas 21h30m no Cineteatro Louletano o Grupo de Teatro Análise da Casa da Cultura de Loulé, irá apresentar a peça “As 3 Filhas da Mãe”. Este espectáculo surge após 7 lotações esgotadas em diversas salas do concelho de Loulé, levando a peça a ultrapassar a barreira dos 1000 espectadores.
O grupo amador “Teatro Análise da Casa da Cultura de Loulé” agradece o carinho com que o público tem acolhido as suas recentes produções.

13
Jul11

Feira Popular em Loulé

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje tem inicio em Loulé a XX Feira de Artesanato, este ano com a designação de Feira Popular buscando inspiração nos festejos que decorreram na Quinta do Pombal (hoje Parque Municipal de Loulé) em 1946 e 1952.

Uma aposta num modelo mais genuíno de forma a diferenciar-se das inúmeras feiras e festas que por esta altura do ano acontecem um pouco por todo o lado. A entrada é livre o recinto funciona diariamente das 20h00 às 00h00.

A ideia é recuperar o sentido de entretenimento para toda a família, nas noites quentes de Verão e para tal foi dada especial atenção ao público mais jovem que tem direito ao “fantástico” carrossel, mas também a fitas do “Noddy” no cinema ao ar livre que procurará reviver as antigas salas de cinema. Na mesma tela, e para adultos e crianças, vão passar as antigas comédias portuguesas como “A Canção de Lisboa”, “O Leão da Estrela”, “Os Três da Vida Airada” ou a “Aldeia da Roupa Branca”.

Os mimos para os mais pequenos contam também com um espaço para jogos tradicionais, teatro de fantoches, oficina de música, marionetas, trabalhos manuais e culinária, jogos didáticos e parede de escalada ou performances, entre outras atividades, especifica a organização, a cargo do município de Loulé.

Para fazer a diferença, as bancas de venda de artesanato, livros, plantas, produtos agroalimentares, vão ter um design especial, para criar um ambiente “de outros tempos”

E não poderiam faltar as tasquinhas de comes e bebes onde se poderão provar sabores tradicionais.

Também o programa musical revela o cunho da cultura popular, com a Noite de Fado Amador marcada para o dia 17 julho (22h00), enquanto o Festival de Folclore decorre a 16 julho, a partir das 21h00, integrado nas comemorações do aniversário do Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé.

Participam o Rancho Infantil e Juvenil de Loulé, Grupo Folclórico e Cultural da Boa Vista (Portalegre), Grupo Folclórico As Ceifeira de S. Martinho de Fajões (Oliveira de Azeméis), Rancho Folclórico Infantil de Vila Nova de Erra (Coruche), Grupo Coral de Alvito, Grupo Musical de Santa Maria (Faro) e o Rancho Folclórico do Montenegro.

No dia de abertura da feira a 13 julho a animação está a cargo da música folk dos Musicalbi, no dia seguinte actua o cantautor Luis Galrito e no dia 15 a partir das 21h00 pode dar-se um pezinho de dança no baile com Mário Neves.

A Feira Popular irá decorrer até Domingo no Largo do Tribunal de Loulé.

 

Nota:

 

1. Juntem-se a nós louletanos nesta que é uma feira de sabores, saberes e tradições.

12
Jul11

O Naicinho da Farmácia

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado traz-vos um pouco da história de um homem que sempre será querido a Loulé. Inácio Manuel Leal Mendes, conhecido como o Naicinho, será sempre lembrado pelo seu altruísmo e dedicação ao próximo.

 

Inácio Manuel Leal Mendes nasceu em Loulé, no dia 21 de Dezembro de 1944.

Completada, com sucesso, a instrução primária, foi com apenas dez anos de idade aprender, com Emídio do Carmo Chagas, proprietário da Farmácia Santos, que se situava no Largo de S. Francisco, em Loulé, as bases de uma profissão que iria abraçar com total empenho e dedicação.

Em finais de 1961, Emídio do Carmo Chagas solicita a transferência da Farmácia para Olhão, fundando, assim, a Farmácia Olhanense, levando para trabalhar consigo o Naicinho.

Corria o ano de 1966, quando foi mobilizado para a Guerra do Ultramar. Foi destacado para a Guiné, com as funções de Cabo Enfermeiro. Algum tempo depois viria a ser vítima de um acidente de viação em serviço, provocando-lhe ferimentos numa das vistas, situação que lhe retirou, quase totalmente, a visão dessa vista. Voltou então à Metrópole para ser recuperado.

Após tratamento no Continente regressa, novamente, à Guiné, voltando a ser vítima de um rebentamento, que provocou ferimentos numa das pernas. Contudo, este infortúnio episódio não o impediu de socorrer, nesse preciso momento, outros camaradas que ficaram em pior estado. Além de revelar a têmpera de que era feito, esse acto valeu-lhe um Louvor Militar na sua caderneta de serviço.

Em 1968, Emídio do Carmo Chagas decide abrir um Posto de Medicamentos na freguesia de Almancil e, mais uma vez, contou com o Naicinho.

Inácio Mendes dava provas de uma generosidade sem limites e de um altruísmo incansável. Disso são exemplos as inúmeras vezes que pagou do seu bolso medicamentos a clientes amigos que não podiam pagar; ou as frequentes deslocações ao fim de semana, no seu período de descanso, às casas de alguns clientes para lhes administrar injecções, entregar medicamentos, medir tensões arteriais, fazer curativos, etc... Esta singular maneira de agir, quotidianamente, levava a que muitos o considerassem um autêntico "Dr. Lopes dos ajudantes de Farmácia".

Com espantosa facilidade em fazer amizades, via em cada cliente um amigo, tratando todos de igual forma, do mais rico ao mais pobre.

Devido a problemas de saúde vê-se forçado a apresentar baixa, por diversas vezes, sendo a última em Maio de 2008, terminando, assim, uma colaboração familiar com os seus patrões de sempre. Foram cinquenta e dois anos e meio de uma dedicação incansável, sempre ao serviço dos mais pobres e necessitados.

Uma vida inteira a trabalhar, quase sempre, no mesmo local; e, sempre, para a mesma família, resultaria numa identificação muito forte do Naicinho com a Farmácia Chagas. A Farmácia confundia-se com a Naicinho, e o Naicinho confundia-se com a Farmácia.

Viria a falecer, poucos dias depois de ter completado 64 anos de idade.

Em 2009 a Câmara Municipal de Loulé agraciou o Naicinho com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Bronze.

 

Nota:

 

1. A fotografia que surge neste post foi "sacada" do blog do SEbastião e o Naicinho, aqui com apenas 16 anos, enverga já a bata que vestiria durante muitos e largos anos ao serviço da sua Farmácia.