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Marafações de uma Louletana

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Marafações de uma Louletana

07
Mai11

A mística dos Homens do Andor

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Amanhã tem lugar em Loulé a chamada Festa Grande em honra de Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana dos Louletanos. A padroeira esteve nos últimos quinze dias na Igreja de São Francisco onde pôde ser visitada mais a miúdo pelo seu povo. Amanhã regressa então à sua morada, o santuário no cimo do cerro da Piedade, e dá-se o ponto mais alto desta festa religiosa que é a maior a Sul do Tejo.

E este retorno da nossa Mãe à sua Ermida não poderia ser feito sem a força e a fé dos chamados Homens do Andor. Eles são vistos pelos louletanos como verdadeiros heróis e respeitados pelo nosso povo como símbolos de fervor religioso e devoção.

 

Os homens que transportam o andor da Mãe Soberana são oito, acompanhados por dois tochas (tocheiros ou ajudas) que vão abrindo caminho entre a multidão para que se possa fazer o percurso sem riscos. Estes homens envergam calças e camisa brancas, laço preto para a Festa Pequena e laço branco para a Festa Grande, casaco preto, opa branca com cabeção azul, luvas brancas de algodão, meias e sapatos pretos. Seguram um forcado de madeira, que os ajuda a transportar o Andor, e enfeitam a lapela com uma das flores do mesmo andor.

Na década de cinquenta decidiu-se que seria o homem com mais anos de Andor que lideraria o grupo e estava encarregue de escolher os Homens do Andor.

Acerca da Festa Pequena já aqui falamos por isso concentremo-nos na Festa Grande. Amanhã a procissão começa logo pela manhã, na Igreja de S. Francisco, onde os Homens do Andor recebem a bênção do pároco, depois da missa. De seguida os mesmos Homens transportam a imagem para o Largo Eng.º Duarte Pacheco, que os Louletanos conhecem por “Estátua”. Retomam a procissão na parte da tarde, cerca das 16 horas, percorrendo as principais artérias da cidade. Chegados ao inicio do cerro a procissão é feita em passo rápido até ao Santuário onde os Homens do Andor depositam a Padroeira para lá permanecer durante o ano.

Terminada a procissão os Homens do Andor continuam o seu percurso e descem em direcção ao centro da cidade, sendo esperados pela população que nas ruas lhes gritam “viva” e “obrigado”, batem palmas e acenam. Terminam o seu percurso no Largo Bernardo Lopes. E porque o Andor pesa cerca de trezentos quilogramas nós sabemos que é a fé do povo unida com a dos Homens do Andor que lhes dá força para conseguirem levar a nossa Padroeira cerro acima.

 

Em 28 de Março de 2007 foi atribuída à artéria que liga a Rua da Nossa Senhora da Piedade à Rua José António Madeira a designação de “Homens do Andor”. Uma justa homenagem aos louletanos que todos os anos transportam o andor de Nossa Senhora da Piedade. A placa toponímica foi descerrada no dia 8 de Abril de 2007, Domingo de Páscoa, durante o decorrer da Festa Pequena.

 

Nota:


1. A informação que a marafada aqui apresenta foi retirada de uma pequena publicação com texto da Dr.ª Luísa Martins, cara colega e amiga para além de excelente historiadora e investigadora, e, mais uma vez, do “Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé”, de Jorge Filipe Maria da Palma.


2. Viva a Mãe Soberana. Viva os Homens do Andor!

05
Mai11

Memórias de Maria Velleda em Loulé

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do "Marafações de uma Louletana"

 

O post de hoje é dedicado à divulgação de mais uma iniciativa que de certo atrai aqueles que se interessam pela história local e pelas suas personalidades. Como a marafada não é dotada de dotes jornalisticos vai mais uma vez fazer a copiazinha da notícia que figura no site da Câmara Municipal de Loulé (www.cm-loule.pt):

 

"Esta sexta-feira, 6 de Maio, pelas 18h00, na Alcaidaria do Castelo, Luís Guerreiro, Chefe de Divisão de Cultura e Museus da Câmara Municipal de Loulé, apresenta o livro "Memórias de Maria Veleda - feminista, republicana, escritora e conferencista", com introdução e notas de Natividade Monteiro. Nas comemorações do Centenário da República, a publicação das "Memórias de Maria Veleda" constitui uma homenagem à sua autora, escritora brilhante e sensível, conferencista das mais insignes, republicana coerente, feminista entusiasta que, pelo seu perfil e percurso singular, marcou o movimento de emancipação feminina e a época em que viveu."

 

Notas:

 

1. A marafada louletana recomenda não só a assistência a esta apresentação como a visita à alcaidaria do Castelo de Loulé. É já amanhã!

04
Mai11

Apoio à Universidade Sénior de Loulé

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje o post da marafada é mais um copy past a partir do jornal "Região Sul" que dá conta do apoio prestado pela Câmara Municipal de Loulé à Universidade Sénior da nossa santa terrinha. Uma iniciativa louvável porque nunca é tarde para aprender.

 

 
"A Câmara Municipal de Loulé vai celebrar um protocolo anual com a Associação dos Amigos do Alentejo, através do qual será atribuída uma verba de 8500 euros a esta instituição, destinada ao funcionamento da Universidade Sénior de Loulé. 

Este montante visa assegurar o funcionamento da universidade, nomeadamente a manutenção do mobiliário didático, apoio administrativo de secretariado, renda da casa, entre outras despesas correntes, informou a autarquia, em comunicado. 

Por outro lado, a Associação colaborará com a divisão de Gestão Social e Saúde e a equipa de projeto para a sustentabilidade do município de Loulé no desenvolvimento das atividades do Banco Local de Voluntariado, Projeto das Cidades Amigas das Pessoas Idosas, Loulé Cidade Educadora, entre outras. 

A Associação dos Amigos do Alentejo é uma instituição de carácter social e cultural que, através da manutenção da Universidade Sénior de Loulé, pretende contribuir para a manutenção da sua sede, organização dos cursos e dinamização da promoção de cursos adequados no âmbito da formação e da cultura, nomeadamente na realização de aulas práticas e teóricas em diferentes matérias, Grupo de Canto Coral e Grupo de Teatro."

03
Mai11

O que os algarvios comem (III) - Caracóis

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar de paparoca e como Maio é o mês do caracól aqui vos deixo uma receita de caracóis à algarvia retirada do site http://www.gastronomias.com. Para quem gosta de carocóis, caracolinhos e caracoletas é experimentar.

 

Ingredientes:
Para 6 pessoas

  • 2 kg de caracóis ;
  • sal ;
  • paus de oregãos

Confecção:

Oito dias antes de se cozinharem põem-se os caracóis dentro de um recipiente com furos e tapados com uma rede (ou com uma peneira) e dá-se-lhes farinha de trigo ou sêmeas. Durante este espaço de tempo, os caracóis eliminarão as toxinas que possam ter e a farinha ajudá-los-á a engordar.
Passado o referido tempo lavam-se os caracóis em várias águas com sal, esfregando-os. Os caracóis estão prontos quando na água não houver sinais de visco.
Introduzem-se os caracóis numa panela com água fria abundante e levam-se ao lume, inicialmente fraco e aumentando progressivamente o calor para que os caracóis deitem a cabeça de fora. À água junta-se sal grosso, e quando os caracóis estiverem praticamente cozidos adicionam-se os paus de oregãos. As folhas dos oregãos não devem fazer parte deste tempero porque transmitem aos caracóis um sabor amargo que não é apreciado no Algarve.
Os caracóis cozem durante meia hora ou, no máximo, 40 minutos.
Comem-se bem quentes, tirando-os das conchas com um alfinete.

Há quem junte um pouco de pimenta ou de malagueta.

São geralmente comidos nas noites quentes de Verão e ao ar livre.

 

Nota:

 

1. A estes ingredientes há quem junte também uma casca de limão, uma casca de laranja e 1 caldo Knorr. Este último embora não muito tradicional e pouco recomendado para a saúde dá um sabor excepcional aos caracóis. A Louletana garante.

 

2. Bom proveito.

02
Mai11

A arte de bem falar algarvio (V)

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado traz-vos mais umas quantas palavrinhas que nós algarvios dizemos e que são próprias do nosso linguajar. Já sabem e por isso não se preocupem que cada "algarviada" é sempre acompanhada do sinónimo no português que todos conhecem.

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Gambôas

Sinónimo: Marmelos grandes

 

Algarviada: Chibo

Sinónimo: Cabrito

 

Algarviada: Como um piôrro

Sinónimo: Muito salgado

 

Algarviada: Folga

Sinónimo: Dormir a sesta

 

Algarviada: Paz de Alma

Sinónimo: Pessoa sossegada

 

Nota:

 

1. Relembro mais uma vez que todas estas palavrinhas tão engraçadas podem ser encontradas nos dois volumes das "Algarviadas" de António Vieira Nunes.

01
Mai11

Os "Maios" ou "Maias"

Lígia Laginha

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje inicia-se um  novo mês, é dia do trabalhador e da mãe, e é dia de piqueniques onde os caracóis não podem faltar.

 

Hoje a marafada louletana decidiu falar-vos um pouco de uma tradição não só nossa, dos louletanos, mas também um pouco de todos os algarvios.

Essa tradição ancestral terá origem em costumes da Roma pagã, ligados ao culto da natureza e às festas em honra da Deusa Flora e de outras divindades, e constiste em, durante os primeiros dias de Maio, arranjarem-se grandes bonecos de trapos e enfeitá-los com flores. A estes bonecos, personificação da Primavera e da fecundidade, chamam-se "Maios" ou "Maias", consoante o sexo representado. Estes bonecos são colocados no jardim, no cimo do telhado ou no meio da casa e em torno deles desenvolvem-se danças e cantares.

A tradição manda também que se "ataque o Maio" logo bem cedinho, o que se faz comendo figos secos e bebendo aguardente de medronho.

Esta tradição prevalece nos dias de hoje, sobretudo no Interior do Concelho de Loulé, onde os festejos populares passam por piqueniques no campo. Em Alte, uma das aldeias mais rústicas de Portugal, as comemorações desta data atraem muitos turistas com o Festival de Folclore e a Cerimónia tradicional de Casamento da Boda. 

 

Nota:

 

1. Todos os anos, por altura do mês de Maio, é colocada à porta da Cozinha Tradicional situada no Castelo de Loulé uma "Maia" bem florida que convida os visitantes a entrar e a "atacar o Maio" com bolos secos e um copinho de medronho. Visite e verá que vai gostar.

 

2. Bons piqueniques.

 

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