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Marafações de uma Louletana

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Blog sobre Loulé e as suas gentes

Marafações de uma Louletana

18
Abr11

A arte de bem falar algarvio (III)

Lígia Laginha

 

 

Bom dia caríssimos visitantes e amigos do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje trago-lhes o terceiro round desta "arte" de falar bem algarvio.

 

Espero que gostem.

 

Algarviada: Bortuêja

Sinónimo: Comichão

 

Algarviada: Remessa

Sinónimo: Tareia, sova

 

Algarviada: Basculho

Sinónimo: Vassoura

 

Algarviada: Zorra

Sinónimo: Raposa

 

Algarviada: Valado

Sinónimo: Muro de pedra

 

Nota:

 

1. Relembro que estas "algarviadas" e muitas mais podem ser encontradas nos livrinhos de António Vieira Nunes que se denominam exactamente "Algarviadas" e já vão em dois volumes.

 

2. A louletana marafada recomenda: falem muito e bom algarvio.

 

 

17
Abr11

Festividades Louletanas (I) - Festa da Nossa Senhora da Piedade

Lígia Laginha

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito às festividades que têm lugar no Concelho de Loulé. As festas e romarias são sem sombra de dúvida uma marca indelével da etnografia de um povo. Assim sendo, não podíamos deixar de parte esta componente do povo louletano que o define enquanto tal. Lanço o desafio aos comentadores de acrescentarem algo que lhes pareça relevante e alerto desde já para o facto do “Marafações de uma louletana” apenas pretender dar um “cheirinho” sobre cada tema sem o aprofundar demasiado.


E como a Páscoa está aí comecemos então pela maior festa religiosa a sul do Tejo, ou seja, a Festa da Mãe Soberana ou Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Loulé. Esta festa, exemplo inequívoco do que é o culto Mariano, perpetua-se desde 1553 e anualmente, por altura da Páscoa, atrai à região milhares de pessoas. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a cidade de Loulé prepara-se meticulosamente para receber a sua padroeira que desce do Cerro da Piedade para a Igreja de São Francisco, numa procissão que mistura o fervor religioso com o espírito profano da festa. Esta procissão centrada no “descer” da Mãe Soberana designa-se de Festa Pequena. Quinze dias depois da mesma ocorre então a denominada Festa Grande que é o ponto alto deste evento religioso e consiste no processo inverso, isto é, a padroeira é levada em ombros pelos oito Homens do Andor Cerro acima até à sua morada, ou seja, a Ermida da Nossa Senhora da Piedade. Logo ao inicio da tarde, depois da celebração da eucaristia, inicia-se a chamada Procissão Solene em que a procissão percorre as principais ruas da cidade de Loulé. O ponto alto da mesma procissão é efectivamente a subida para o Santuário que se faz a um ritmo regulado pelo som da banda filarmónica Artistas de Minerva entre foguetes e flores, acenos de lenços e vivas. O Andor da Mãe Soberana pesa cerca de dezoito arrobas pelo que ladeira a cima se revela no esforço aplaudido por todos que vêem nos Homens do Andor verdadeiros heróis ao serviço da fé. A festa termina com fogo-de-artifício que ocorre nessa noite junto ao Cerro da Piedade.


Muito mais haveria a dizer sem dúvida mas para isso convido todos quantos se interessarem por esta temática a consultar inúmeros trabalhos existentes sobre o tema.


Nota:


1. A marafa louletana aconselha a leitura dos vários artigos relacionados com a Mãe Soberana publicados no jornal “A Voz de Loulé” da autoria de João Chagas Aleixo. Este trabalho que já conta com dezenas de textos é indispensável para quem quiser saber mais acerca desta Festividade e símbolo da comunidade louletana.


2. Pontualmente voltaremos a esta temática que tem também a sua vertente patrimonial entre outras.

16
Abr11

Toponímia Louletana (II) - Rua de Vale Telheiro

Lígia Laginha

 

 

 

 

Hoje o “Marafações de uma Louletana” escolheu como topónimo a apresentar a Rua de Vale Telheiro. E porquê? Perguntam os meus caros visitantes. Porque Vale Telheiro é nem mais nem menos a santa terrinha onde nasceu e foi criada aqui a marafada. Um sítio maravilhoso dentro do fantástico concelho que é Loulé e a apenas dois quilómetros da cidade louletana.


Infortunadamente pouco de concreto há a dizer sobre Vale Telheiro. A documentação é escassa e muito do pouco que se sabe foi transmitido oralmente pelos poucos habitantes “vale telheirenses”, a maioria deles perfazendo hoje oitenta e alguns anos.

De resto Vale Telheiro é apreciado pelos estrangeiros como sítio bafejado pela beleza natural e pelo sossego que tanto agrada aos forasteiros.


Quanto à designada Rua de Vale Telheiro a mesma inicia-se na Rua da Marroquia e tem término no Caminho Municipal 1194, sendo deste modo uma artéria que permite o acesso entre Loulé e a localidade de Vale Telheiro. Este topónimo foi atribuído em 20 de Fevereiro de 2008. Tendo por base informação contida em Actas de Vereação do Século XV deduz-se que o nome “Vale Telheiro” deriva de um “vale onde havia um telheiro ou onde se fabricava telha”.


Assim sendo, aqui está um bocadinho de informação sobre Vale Telheiro e a justa homenagem a um sítio que poucos conhecem mas que tem muito para ver.


Bem hajam todos os visitantes.

 

Nota:


1. Mais Uma vez a informação toponímica aqui contida foi retirada da obra “Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé” de Jorge Filipe Maria da Palma. A louletana marafada recomenda a mesma obra por ser na área sobre a qual incide uma das melhores até então.

13
Abr11

Ilustres Louletanos (III) - José Guerreiro Murta

Lígia Laginha

 

Hoje o "Marafações de uma Louletana" escolheu homenagear José Guerreiro Murta. E porque a terra faz os homens e os homens fazem a terra aqui fica mais uma breve biografia, um "cheirinho" que apela a ir mais além.

Bem hajam todos os nossos visitantes.

 

 

 

 

 

 

 

Pedagogo e escritor, José Guerreiro Murta, nasceu em Loulé em 1891. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e,em Filologia Românicapela Faculdade de Letras de Lisboa. Leccionou nos liceus de Faro, de Setúbal e de Lisboa, onde foi Reitor do Liceu Passos Manuel. Publicou na "Colecção Estudar É Saber", de que foi co-fundador, seis volumes sobre o estudo e o ensino da Língua Portuguesa. Em colaboração com João de Barros escreveu "Como se devem ler os Escritores Modernos". Foi autor da "Evocação Histórica do 1º Liceu do País" e "Ensino da Redacção da Língua Portuguesa". Colaborou igualmente com a imprensa dirigindo a revista "A Mocidade", assim como a secção de crítica literária da revista "Alma Nova", criada em 1915. Organizou também o I Congresso das Caixas Económicas Portuguesas, publicando nesta área as obras "O Montepio Geral e o seu Iniciador", e "Caixa Económica de Lisboa ou o Primeiro Mealheiro Público". Foi eleito Presidente do Montepio Geral, onde realizou obras de grande importância. Em 1955, foi condecorado com a Ordem de Benemerência. Recusou cargos políticos, mas participou em trabalhos na Junta Nacional de Educação. Pertenceu ainda à direcção dos Jardins-Escola João de Deus e da Casa do Algarve. Deu diversas conferências em que o tema Algarve foi fulcral. Viria a falecer na cidade em que nasceu em 1979.


 

10
Abr11

A arte de bem falar algarvio (II)

Lígia Laginha

 

Sejam todos bem-vindos ao "Marafações de uma Louletana".

Para quem gostou do primeiro round aqui ficam mais umas quantas "algarviadas".

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Atucho

Sinónimo: Multidão

 

Algarviada: Baraço

Sinónimo: Corda

 

Algarviada: Tem avonde

Sinónimo: Chega

 

Algarviada: Fole

Sinónimo: Acordeão

 

Algarviada: Estrasanda

Sinónimo: Cheira muito mal

 

Nota:

 

1. A marafada louletana volta a lembrar que estas e outras algarviadas podem ser encontradas no livro com o mesmo nome de António Vieira Nunes. As "Algarviadas" de Vieira Nunes já vão no 2.º volume e o "Marafações de uma Louletana" recomenda a sua leitura.

08
Abr11

Ilustres Louletanos (II) - Joaquim Laginha Serafim

Lígia Laginha

Bom dia e bem-vindos ao "Marafações de uma Louletana".

Continuamos a falar de ilustres louletanos e hoje a personalidade escolhida é o Engenheiro Laginha Serafim.

Disfrutem da breve biografia e procurem saber mais se for esse o vosso desejo.

Boas marafações!

 

 

 

 

 

Joaquim Laginha Serafim nasceu em Loulé em 1921 e faleceu em Lisboa em 1994. Licenciado em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico, em 1944, foi convidado a frequentar um curso nos Estados Unidos, destinado a cientistas e engenheiros estrangeiros. Foi professor catedrático das Universidades de Coimbra e de Maputo, e recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Liége e do Rio de Janeiro. Fez parte integrante de diversas sociedades científicas espalhadas por todo o mundo sendo reconhecida a sua competência na execução de algumas das maiores barragens existentes em várias partes do mundo. Trabalhou em Marrocos, Espanha, Itália, Moçambique, Angola, Venezuela, Estados Unidos da América, Turquia, Brasil, Irão, e em muitos outros paises. Em Portugal contruíu as barragens de Castelo do Bode, Boução, Cabril, entre outras. Foi agraciado com diversos prémios, medalhas e comendas ao longo da vida, por entidades portuguesas, espanholas, inglesas e americanas. Como delegado português visitou mais de cinquenta países, onde participou em congressos e reuniões e realizou centenas de conferências.


06
Abr11

A arte de bem falar algarvio (I)

Lígia Laginha

Como qualquer região também o Algarve tem o seu falar próprio. Loulé, parte integrante e importante desse Algarve, não é excepção. Assim, o "Marafações de uma Louletana" irá dar a conhecer a alguns e recordar a outros algumas das "algarviadas" mais usadas e seus sinónimos no linguajar que todos conhecem.

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Pelengana

Sinónimo: Tigela grande

 

Algarviada: Carcachadas

Sinónimo: Gargalhadas

 

Algarviada: Charingadela

Sinónimo: Crítica ou reparo

 

Algarviada: Andar dim cação

Sinónimo: Andar nu

 

Algarviada: Borrefa

Sinónimo: Bolha na pele

 

Algarviada: Cagaço

Sinónimo: Susto

 

 

Nota:

 

1. Estas belas "Algarviadas" foram tiradas da obra com o mesmo nome de António Vieira Nunes que, felizmente, já vai no 2.º Volume. A marafada louletana recomenda vivamente a leitura deste livrinho.

 

2. Infelizmente, a arte de bem falar algarvio vai-se perdendo e sendo substituída pelos "bués" e pelos "fixes". O "Marafações de uma Louletana" deseja que este processo seja reversível e que a maioria dos verdadeiros algarvios continue a usar tais palavras que são espelho da sua cultura e do seu património etnográfico.

 

 

04
Abr11

Ilustres Louletanos (I) - José António Madeira

Lígia Laginha

 

 

 

 

Como qualquer terrinha que se preze também Loulé tem e teve pessoas que distinguiram nos mais variados ramos. Cabe a este blog dar a conhecer algumas dessas personalidades através da rúbrica "Ilustres Louletanos". Bem hajam e boas marafações.

 

Começamos por José António Madeira:

 

José António Madeira nasceu em Loulé em 1896 e nesta localidade faleceu em 1976. Engenheiro geógrafo e astrónomo, matriculou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra em 1916. No ano seguinte foi admitido na Escola de Guerra, no curso de Artilharia de Campanha. Em 1922 voltou a frequentar a Faculdade supra referida e aí se licenciou em Ciências Matemáticas, incluindo igualmente o curso de Engenheiro geógrafo. Na Faculdade de Letras faz também as cadeiras de História Geral da Civilização, Estética e História de Arte. Em 1925 é requisitado ao Ministério de Guerra pelo Ministério da Agricultura para prestar serviços como Engenheiro geógrafo. No entanto, no ano seguinte inicia uma brilhante carreira como astrónomo, sendo nomeado para o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. Embora não fosse um político, concordou em aceitar o cargo de secretário do seu conterrâneo Engenheiro Duarte Pacheco, quando este foi ministro da Instrução Pública. Mais tarde, no estrangeiro, foi membro da Missão Portuguesa para observação do eclipse total, no Norte da Inglaterra; bolseiro da Junta de Educação Nacional nos Observatórios Astronómicos de Greenwich e Paris; bolseiro do Instituto para a Alta Cultura nos mesmos Observatórios. Paralelamente, José António Madeira realizava investigação sobre diversos assuntos relacionados com o Algarve, vindo a ser dirigente da "Casa do Algarve". Facultou à posterioridade uma vasta bibliografia de cariz científico e ainda referente ao Algarve enquanto região turística. Colaborou com o jornal "O Algarve". Foi agraciado com a Ordem Militar de Cristo; Ordem Militar de Avis e Comenda da Instrução Pública. José António Madeira doou os seus livros à Biblioteca da sua terra natal, doação acompanhada de carta dirigida ao então Presidente da Câmara Municipal de Loulé.

 

Notas:

 

1. Muito do espólio bibliográfico doado por José António Madeira encontra-se hoje no Centro de Documentação situado no Castelo de Loulé. A marafada aconselha a visita a este espaço e o contacto com algumas das obras doadas por este ilustre louletano.

 

03
Abr11

Toponímia Louletana (I) - Rua Dom Paio Peres Correia

Lígia Laginha

 

 

 

 

 

A identidade e a História de uma cidade está directamente relacionada com os seus topónimos. Assim, conhecer a toponímia de um local é também ter acesso à sua cultura, aos acontecimentos e personalidades que se distinguiram nesse mesmo local. Desta forma, uma das rúbricas que fará parte do blog "Marafações de uma Louletana" será a "Toponímia Louletana".

 

 

Começamos pela Rua Dom Paio Peres Correia:

 

A Rua D. Paio Peres Correia tem início no Largo D. Pedro I e finda na Praça da República. Situa-se precisamente nos limites das Freguesias de S. Sebastião e S. Clemente.

Antiga Rua de Nossa Senhora da Conceição ou Rua do Castelo, tomou a actual designação em 26/03/1919.

O topónimo Rua da Nossa Senhora da Conceição devesse ao facto de uma Ermida com o mesmo nome se situar nesta rua. A Ermida de Nossa Senhora da Conceição situa-se junto à Porta da vila medieval, no exterior das muralhas, e foi edificada em meados do século XVII. Na sua fachada está colocada uma lápide evocativa do voto de acção de graças, emitido por D. João IV, consagrando Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal. Construída em Estilo Chão, possui a particularidade de ter a fachada totalmente revestida em cantaria. No interior destaca-se o retábulo em talha, uma obra do escultor Miguel Nobre executada em 1745 e dourada por Diogo de Sousa e Sarre e Rodrigo Correia Pincho.

Voltando à Rua D. Paio Peres Correia, em 1918 a mesma conheceu profundas obras de remodelação, tendo a Câmara, segundo o que se pode ler na Acta de Vereação datada de 13/02/1918, adquirido a José Joaquim Marcelo Adelino Pereira, residente nesta vila, vinte e três metros quadrados de terreno da Rua da Estalagem (outro topónimo pela qual esta rua era conhecida) para alargamento e alinhamento desta. Na intervenção levada a cabo foi demolida a muralha da Alcaidaria e construída, sobre o alicerce da muralha e parte do pátio, uma casa. Esta mesma casa foi adquirida pela autarquia louletana em 1985 para proceder à sua demolição e requalificação do espaço do pátio do Castelo.

Resta-nos falar um pouco do célebre fidalgo que dá nome a esta rua desde 1919. D. Paio Peres Correia (século XIII), notável fidalgo, chefe peninsular da Ordem de Santiago, foi o responsável pela conquista de Loulé aos mouros em 1249. Faleceu em 1275 e encontra-se sepultado na capela-mor da Igreja de Santa Maria de Tavira. 

 

Notas:

 

1. A informação que aqui se apresenta foi retirada da obra "Dicionario Toponímico: Cidade de Loulé" do historiador Jorge Filipe Maria da Palma. A louletada marafada recomenda vivamente esta obra.

 

2. Nesta rua fica situado o Castelo de Loulé, monumento secular que pode ser visitado pela módica quantia de 1 euro e 50 cêntimos. No castelo pode igualmente visitar o Museu de Arqueologia, a Cozinha tradicional e desenvover investigações de carácter histórico e etnográfico no Centro de Documentação. Este espaços encontram-se abertos ao públicos nos dias de semana entre as 9 horas e as 17h30 m. Cozinha, Museu e Muralhas também acessíveis ao Sábado até às 14 horas. Bem hajas todos os os visitantes.

 

Até à próxima marafação :)

 

03
Abr11

Apresentação

Lígia Laginha

Bem-vindos ao blog "Marafações de uma Louletana".

Caros marafados e marafadas este é um espaço que pretende unica e exclusivamente dar a conhecer melhor as terras de Loulé e a suas gentes. 

Enquanto maior Concelho do Algarve, Loulé merece que se divulguem as suas histórias, a sua tradição e a sua identidade.

Este blog não tem qualquer objectivo político e a ele todos podem aceder independentemente da sua aptência partidária, religiosa ou outras.

Sem mais desejo a todos os que por aqui passarem boas marafações.

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