Terça-feira, 20.09.11

As portas de outrora - o caso das aldrabas

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Falar do património identitário de um povo é falar dos seus usos e costumes, dos seus edifícios e objectos, da natureza em que se enquadra, etc. Nesse sentido hoje decidi escrever algumas linhas sobre um objecto, a aldraba, que se encontrava presente nas portas dos nossos antepassados.

Criada com uma função diária (servia para quem chegava à porta de uma habitação anunciar a sua visita), a aldraba tinha ainda outro fim: servia de ferrolho, isto é, é necessário girar a aldraba que fazendo mover uma tranqueta serve para abrir ou fechar a porta

No tempo em que os árabes ocuparam o Algarve, algumas portas podiam ter três aldrabas que simbolizavam que no interior da casa haviam um homem, uma mulher e uma criança. Cada aldraba, segundo o sexo e a idade, tinha um tamanho e som diferenciados. 

A aldraba, diferente da "manita que é um batente, representava o contorno da mão de Fatma, a filha do Profeta Maomé, e nesse sentido, possuir tal objecto na porta de entrada da casa era uma forma de defender os seus habitantes dos maus olhados e atrair a sorte.

Hoje as aldrabas foram sendo substituídas por batentes, campainhas e puxadores. Algumas portas modernas possuem imitações quase perfeitas destes objectos que aqui adquirem uma função meramente decorativa.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:57 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Segunda-feira, 19.09.11

No tempo dos alguidares de barro

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje decidi falar-vos de um utensílio que pouco a pouco foi desaparecendo do quotidiano devido à sua substituição pelos plásticos e esse utensílio é o alguidar de barro. Alguidar é uma palavra de origem árabe, de al-gidâr, e este utensílio foi mais um legado que os mouros nos deixaram. O alguidar de barro vermelho era uma peça essencial no ambiente doméstico dos meus pais e avós, sendo as suas utilidades inúmeras: era nele que se amassava e deixava a massa a levedar para fazer o pão, era para este alguidar que se cortavam as carnes do porco durante a desmancha, era no alguidar que se deixava o chamado “migado”, isto é, carne de porco com calda de pimentão que servia para encher a tripa do porco e fazer chouriças, era no alguidar que se lavava a loiça, etc.

Quando por descuido o alguidar se partia não era deitado fora. Chamava-se o “conserta alguidares e mais uma caterva de coisas” e este, através de uma técnica muito própria, colocava-lhe uns “gatos”, isto é, espécie de grandes agrafos que uniam as partes partidas do alguidar e o tornavam a vedar dando-lhe mais uns anitos de vida.

Haviam alguidares dos mais variados tamanhos, dependendo das tarefas a que se destinavam, e alguns ostentavam um determinado tipo de decoração.

Nos dias de hoje o plástico leva a dianteira, no entanto, por essa serra algarvia são muitos os que não dispensam o alguidar de barro.

 

Nota:

 

1. Na imagem podem ver um alguidar de barro com alguns dos "gatos" que referi.


 

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:47 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Terça-feira, 16.08.11

Colecção visitável da cozinha tradicional

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

A Colecção Visitável da Cozinha Tradicional fica localizada na Rua Dom Paio Peres Correia, em pleno centro histórico, no 1º piso do edifício da Alcaidaria do Castelo.

Esta exposição pretende mostrar uma fracção da vida rural do concelho que, pouco a pouco, vai sendo substituída pelo progresso tecnológico, económico e social. O espólio desta colecção visitável é numeroso e diversificado, do qual constam, entre outros, o tabuleiro e a tábua para tender a massa para o pão, talheres e utensílios de cozinha em alumínio, a mó para moer o milho de cuja farinha se faz o xarém, pratos, travessas e tachos de cobre e arame, cabaças e cocharros de cortiça.

Para além da exposição permanente, decorrem mostras pontuais de tradições relacionadas com o contexto rústico que se pretende recriar, como é o caso do Presépio Tradicional Serrano, que fica em exposição durante o período natalício, ou a Maia que, a partir do primeiro dia de Maio, assinala a chegada da Primavera e o início de um novo ciclo da vida.

 

 

Uma das peças que se pode encontrar entre esta colecção é o referido cocharro, utensilio de cortiça que servia essencialmente para beber água. Já bebi várias vezes por um cocharro e acreditem que a água sabe melhor!

 

Nota:

 

1. A cozinha tradicional, tal como os restantes espaços do castelo e o museu de arqueologia, pode ser visitada pela módica quantia de 1,50€. Crianças e reformados não pagam.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:42 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Terça-feira, 09.08.11

O que os algarvios comem (XI) - Queijo de figo

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Os figos são um dos frutos mais apreciados em terras algarvias. Comem-se logo após serem colhidos da figueira ou colocam-se ao sol para secar. Os figos secos com amêndoas são uma das iguarias que os marafados mais degustam.

Os figos são também grandemente utilizados na doçaria algarvia, assim como a alfarroba e a amêndoa. Nesse sentido, hoje escolhi uma receita bem docinha: Queijo de Figo.

 

Ingredientes:

 

1 kg de Figo

500 grs. de Miolo de amêndoa

300 grs. de Açúcar

25 grs. de Chocolate em pó

5 grs. de Canela

1 Colher de sopa de erva doce

1 Chávena de água

1 Cálice de medronho

Raspa de limão q.b.

 

Preparação:

 

Moem-se os figos e as amêndoas grossamente.

Num tacho colocam-se os seguintes ingredientes: chocolate, erva-doce, canela, raspa de limão, medronho, açúcar e um pouco de água. Vai ao lume e mexe-se até ficar tudo ligado. Seguidamente mistura-se a amêndoa e o figo e mexe-se até ficar uma massa homogénea, retira-se do lume e deixa-se arrefecer.

Finalmente, retirando pequenos bocados, molda-se esta massa em forma de pequenos

queijos.

 

Nota:

 

1. Bom proveito!

A louletana está: com água na boca
Rabiscado por Lígia Laginha às 09:28 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sábado, 06.08.11

Manjares e Folclore juntos na Serra do Caldeirão

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Este fim-de-semana a Cortelha, localidade pertencente à freguesia louletana de Salir, recebe os afamados Manjares Serranos, aos quais surge associado o Festival de Folclore da Serra do Caldeirão.

 

Os mais genuínos manjares, aliados ao tradicional folclore nacional, é aquilo que se poderá encontrar na Cortelha nos dias 6 e 7 de Agosto. 

A aldeia da Cortelha, situada em pleno interior do Concelho de Loulé, conhecida pela arte de bem receber, reaviva a 6 e 7 de Agosto os mais genuínos sabores da cozinha típica serrana, com a realização dos deliciosos Manjares Serranos, que já vão na sua 11ª edição.

A Associação dos Amigos da Cortelha, organizadora do evento, pretende assim promover aquilo que de mais genuíno tem a sua localidade, conjugando-a, no mesmo fim-de-semana, com o também tradicional Festival de Folclore da Serra do Caldeirão, que na sua 8ª edição reunirá em palco grupos folclóricos representastes de várias regiões do país. 

Este duplo evento, que tem sido de sucesso em anos anteriores, dá a provar aos inúmeros forasteiros a tradicional orelha de porco, o chouriço e presunto caseiro, o galo guisado, borrego ou javali e as famosas papas de milho, acompanhados de vasta doçaria regional algarvia e da aguardente de medronho. 

Para além de se degustarem sabores por muitos já esquecidos, toda a envolvência da festa possibilita ainda reviver a vida, as tradições e os costumes das gentes originárias desta zona serrana do Algarve, bem ilustrados na acolhedora aldeia da Cortelha. 

A noite de Sábado estará entregue ao 8º Festival de Folclore da Serra do Caldeirão, onde para além do Grupo Etnográfico da serra do Caldeirão – Cortelha, poderemos apreciar o Grupo de Danças e Cantares Besclore de Lisboa, o Rancho Folclórico de Vila Nova do Coito – Santarém, e o Rancho Folclórico “As Cerejeiras de Fetais” – Sobral Monte Agraço e o Antakya Belediyesi Folk Dance Group – Turquia, que certamente demonstrarão em palco as características mais genuínas da sua região. O Baile será abrilhantado pelo acordeonista Gonçalo Tardão. 

Domingo será dia de música tradicional com o Grupo “Cante Andarilho” e para terminar, o tradicional Baile Serrano abrilhantado por o Grupo Sons do Sul. 

Manjares e Folclore serão assim cabeças de cartaz numa iniciativa que ganha a cada ano novos públicos e que já conquistou o seu espaço no seio das iniciativas de cariz cultural promovidas na região. Será por certo um fim-de-semana de muita animação onde a Cortelha presenteará os inúmeros visitantes com um magnífico Festival de Sabores e Sonoridades. 

Os Manjares Serranos e o Festival de Folclore da Serra do Caldeirão têm entrada livre e são uma organização da Associação dos Amigos da Cortelha, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Salir, do Turismo do Algarve, do INATEL e da Escola Integrada de Salir.

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:20 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Terça-feira, 02.08.11

O que os algarvios comem (X) - Jantar ou cozido de milhos

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Voltamos a falar dos petiscos algarvios e hoje o prato seleccionado é bem tipico do interior do Concelho de Loulé e chama-se Jantar ou Cozido de Milhos. Então aqui fica a receita:

 

Ingredientes:

 

1 kg de Milho amarelo em grão

1 Pé de porco (chispe)

1 Orelha de porco

Um bocado de faceira

e de focinho

20 grs. de Toucinho

2 Cravinhos

Sal q.b.

Pimenta em grão q.b.

Cinzas q.b.

 

Preparação:

 

Põe-se o milho de molho de um dia para o outro. No dia seguinte deitam-se os milhos numa panela, cobrem-se com água fria e cinzas (de preferência cinzas de figueira). Deixa-se o milho ferver até se poder retirar o «olho preto» dos mesmos. Escorrem-se e lavam-se os milhos esfregando-os e mudando as águas até largarem o referido «olho preto». Depois de bem lavados deitam-se os milhos novamente na panela, cobrem-se com água e juntam-se-lhes as carnes de porco preparadas, o toucinho, os cravinhos e os grãos de pimenta. Deixam-se cozer. Os milhos abrem e servem-se numa travessa com as carnes.

 

Nota:

 

1. Como a preparação dos milhos de forma tradicional é algo complexo, actualmente já se pode comprar milho previamente preparado para o efeito.

 

2. Bon apetit!

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:17 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quarta-feira, 27.07.11

Artesanato do Concelho de Loulé (II) - Os bonecos de trapo de Filipa Faísca

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Filipa Faísca, uma octogenária natural de Querença, distinguem-se, entre outras vertentes, pela confecção de bonecos que trapo. Mas estes bonecos de trapo não são uns bonecos quaisquer. São antes de mais figuras representativas do mundo rural algarvio, aludindo às tarefas desempenhadas pelas pessoas do interior. Assim, salientam-se bonecos com a ceifeira, a apanhadora de alfarroba, o apanhador de medronhos, a fiadeira, entre outros. Presença habitual nas feiras de artesanato, Filipa Faísca de Sousa é também poetisa e intérprete de contos tradicionais. Dedica-se de corpo e alma aos seus bonecos de trapo e coloca nos mesmos um pouco da etnografia do Concelho de Loulé, tendo em conta os pormenores do vestuário, dos instrumentos de trabalho e até da maquilhagem. Os bonecos de Filipa Faísca atraem bastante os estrangeiros e podemos dizer que esta humilde senhora é já uma referência no mundo cultural louletano. Os seus bonecos vendem-se também no Posto de Turismo de Querença e pode ser adquiridos a partir da módica quantia de 13 euros.

 

Nota:

 

1. Aqui fica o contacto desta artesã para os interessados: Morada: Borno - 8100 - 113 Querença, Loulé / Telefone: 289422359


Rabiscado por Lígia Laginha às 07:19 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sexta-feira, 22.07.11

O que os algarvios comem (VIII) - Carapaus alimados

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos à comidinha e a marafada seleccionou um prato bem típico das regiões algarvias: carapaus alimados. Confesso que não é dos meus manjares preferidos mas a fama dos carapaus alimados transpõe as fronteiras e é já internacional. Então aqui fica a receita:

 

Ingredientes:
Para 4 pessoas

  • 800 grs de carapaus médios ou pequenos ;
  • 2 dl de azeite ;
  • 1 dl de vinagre ;
  • 100 grs de cebolas ;
  • 2 dentes de alho ;
  • 1 molho de salsa ;
  • sal grosso q.b.

Confecção:

Amanhe os carapaus em cru, tirando-lhes a serrilha, a espinha do umbigo, as tripas e a cabeça. Lave-os bem em água. Em seguida, salgam-se, utilizando o sal grosso, colocando os carapaus em camadas alternadas com sal.
Deixe repousar cerca de 24 horas. Retire o sal aos carapaus e lave-os em água fria.
Leve um tacho com água ao lume. Deite dentro os carapaus e deixe cozer. Depois de cozidos, metem-se em água fria. Limpe as peles, as escamas e algumas espinhas da barriga, ficando com uma carne dura e de bom aspecto.
Coloque os carapaus na travessa onde vão ser servidos, regue com azeite, alho picado, cebola descascada e cortada ás rodelas e o vinagre. Polvilhe com salsa picada.

 

Nota:

 

1. Os carapaus a utilizar deverão ser do tamanho médio e bem frescos. Há pessoas que, no momento de temperar os carapaus, adicionam tomate maduro, cortado ás rodelas.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:03 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quarta-feira, 13.07.11

Feira Popular em Loulé

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje tem inicio em Loulé a XX Feira de Artesanato, este ano com a designação de Feira Popular buscando inspiração nos festejos que decorreram na Quinta do Pombal (hoje Parque Municipal de Loulé) em 1946 e 1952.

Uma aposta num modelo mais genuíno de forma a diferenciar-se das inúmeras feiras e festas que por esta altura do ano acontecem um pouco por todo o lado. A entrada é livre o recinto funciona diariamente das 20h00 às 00h00.

A ideia é recuperar o sentido de entretenimento para toda a família, nas noites quentes de Verão e para tal foi dada especial atenção ao público mais jovem que tem direito ao “fantástico” carrossel, mas também a fitas do “Noddy” no cinema ao ar livre que procurará reviver as antigas salas de cinema. Na mesma tela, e para adultos e crianças, vão passar as antigas comédias portuguesas como “A Canção de Lisboa”, “O Leão da Estrela”, “Os Três da Vida Airada” ou a “Aldeia da Roupa Branca”.

Os mimos para os mais pequenos contam também com um espaço para jogos tradicionais, teatro de fantoches, oficina de música, marionetas, trabalhos manuais e culinária, jogos didáticos e parede de escalada ou performances, entre outras atividades, especifica a organização, a cargo do município de Loulé.

Para fazer a diferença, as bancas de venda de artesanato, livros, plantas, produtos agroalimentares, vão ter um design especial, para criar um ambiente “de outros tempos”

E não poderiam faltar as tasquinhas de comes e bebes onde se poderão provar sabores tradicionais.

Também o programa musical revela o cunho da cultura popular, com a Noite de Fado Amador marcada para o dia 17 julho (22h00), enquanto o Festival de Folclore decorre a 16 julho, a partir das 21h00, integrado nas comemorações do aniversário do Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé.

Participam o Rancho Infantil e Juvenil de Loulé, Grupo Folclórico e Cultural da Boa Vista (Portalegre), Grupo Folclórico As Ceifeira de S. Martinho de Fajões (Oliveira de Azeméis), Rancho Folclórico Infantil de Vila Nova de Erra (Coruche), Grupo Coral de Alvito, Grupo Musical de Santa Maria (Faro) e o Rancho Folclórico do Montenegro.

No dia de abertura da feira a 13 julho a animação está a cargo da música folk dos Musicalbi, no dia seguinte actua o cantautor Luis Galrito e no dia 15 a partir das 21h00 pode dar-se um pezinho de dança no baile com Mário Neves.

A Feira Popular irá decorrer até Domingo no Largo do Tribunal de Loulé.

 

Nota:

 

1. Juntem-se a nós louletanos nesta que é uma feira de sabores, saberes e tradições.

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:12 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quinta-feira, 07.07.11

O que os algarvios comem (VII) - Xerém com conquilhas

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos à paparoca e a marafada traz-vos a receita do seu manjar preferido: xerém. O xerém são papas de milho e no Algarve este prato conhece inúmeras combinações. Assim, as papas de milho podem ser feitas com conquilhas,amêijoas, sardinhas, ervilhas, camarão etc., etc... Eu prefiro-as simples, sem nada para além de umas rodelas de chouriça e um bocadinhos de pão frito, mas a maioria dos marafados optam por lhes adicionar algum daqueles compotenentes que referi. 

Assim sendo, optei por trazer a receita de xerém com conquilhas por ser um dos concorrentes finalistas às sete maravilhas gastronómicas de Portugal.

 

Ingredientes:
Para 4 pessoas

  • 1 kg de conquilhas ;
  • 100 grs de toucinho fumado ;
  • 100 grs de chouriço ;
  • 200 grs de farinha de milho ;
  • sal q.b.

Confecção:

Numa tigela lave as conquilhas, em água fria, a fim de as libertar de impurezas que possam conter. Em seguida, cubra-as com água do mar, cerca de 4 a 5 horas. No caso de não ter acesso a água do mar, utilize água doce temperada com sal.
Corte o toucinho em tiras pequenas e o chouriço ás rodelas.
Frite-os numa frigideira, em lume brando.
Retire as conquilhas da água. Coza-as num tacho, cobertas de água, cerca de 8 a 10 minutos.
Escorra o líquido onde as cozeu, tendo o cuidado de o passar por um passador fino. Tire o miolo das conquilhas. Deite este num tacho, junte o caldo da cozedura e leve ao lume, deixando ferver um pouco.
Peneire a farinha com a ajuda duma peneira.
Retire o tacho e, fora do lume, adicione a farinha para não encaroçar.
Leve novamente ao lume e deixe cozer, mexendo de vez em quando. Junte as carnes e sirva bem quente.

 

Nota:

 

1. Experimentem mas não garanto que fiquem logo boas à primeira porque fazer o xerém, nome árabe das papas de milho, é algo que requer uma arte própria que se vai aprendendo e aprefeiçoando ao longo dos tempos. 

 

2. Saliento também que em certas regiões do Algarve as papas de milho são confeccionadas de forma simples e depois adicionam-lhe açucar o que as torna numa espécie de doce óptimo para comer à sobremesa.

 

A louletana está: com água na boca
Rabiscado por Lígia Laginha às 07:17 link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Marafações predilectas
Terça-feira, 28.06.11

Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

O folclore é sem dúvida uma marca predominante do Algarve. Desde cedo muitos optam por fazer parte de ranchos e começam a "balhar" o corridinho.

 

Criado em 1977, o Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé interpreta danças e cantares do Concelho de Loulé, nomeadamente da zona serrana de Alte, a aldeia algarvia mais portuguesa, classificada nos primeiros lugares nos concursos das Aldeias Mais Portuguesas em 1938, data em que foram feitas as primeiras recolhas e se formou o Rancho-Mãe, considerado o mais genuíno do Algarve.

A idade dos seus componentes varia entre os 4 e os 12 anos. Dos 12 anos em diante formaram a tocata e o Coro. Os mais velhos fazem parte da Direcção do Rancho.

Utilizam como instrumentos os ferrinhos, o acordeão, a pandeireta e as castanholas.

Usam trajes típicos da zona serrana algarvia que em tempos antigos eram envergados em Festas, arraiais, casamentos e festas religiosas.

As danças mais características são o corridinho, o baile de roda mandado e os bailes de roda com a muito conhecida “Ti Anica de Loulé”.

O Rancho Folclórico Infantil de Loulé tem percorrido o País de Norte a Sul e algumas vezes deslocou-se a Espanha.

O fundador do Rancho Infantil de Loulé foi Fernando Correia Soares, agraciado este ano a título póstumo com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Bronze. Natural da freguesia de Alte, Fernando Correia Soares após ter frequentado o Seminário, aos 22 anos, decidiu não prosseguir carreira eclesiástica e regressa à sua aldeia natal. 
Aí inicia funções na companhia de Seguros “O Alentejo”, cumpre o serviço militar e em 1952 ruma a Moçambique, onde permaneceu até 1975, desempenhando vários cargos na administração pública. No seu regresso vem viver para Loulé onde começa a participar na Comissão de Festas do Carnaval. 
Com currículo na área do Folclore, já que havia fundado um Rancho Folclórico em Moçambique, foi convidado para formar um Rancho Infantil em Loulé o qual surgiu em 1977. 

O Rancho Folclórico Infantil e Juvenil de Loulé foi orientado durante 32 anos por Fernando Soares. Em 1997, a Câmara Municipal de Loulé decidiu homenagear este grupo com a atribuição da Medalha Municipal de Mérito – grau prata.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:48 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 12.06.11

Santos Populares em Quarteira

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Para aqueles que pensam que só se comemoram os Santos Populares em Lisboa e no Porto aqui fica a informação que o mesmo se faz na cidade louletana de Quarteira.

 

Esta noite, dia 23 e 28 de Junho, Quarteira recebe o tradicional desfile das Marchas em representação das mais características ruas e bairros da cidade. 

Os Santos Populares de Quarteira atraem à marginal um mar de gente, que aprecia os trajes, as músicas e as coreografias dos grupos participantes nestes festejos.

Quarteira apresenta-se profundamente bairrista, alegre e jovial, inundada de alegria e animada pela entrega e paixão dos entusiastas deste evento.

Participam as seguintes Marchas com os respectivos temas: Rua Gago Coutinho – "O Amor da Varina e do Pescador"; Rua Vasco Da Gama – "As Maravilhas de Portugal"; Florinhas – "Os 25 Anos das Florinhas”; Rua Cabine – “Marcha Portuguesa”; Marcha Fundação António Aleixo – "A Fundação Pintou uma Flôr"; Rua Pinheiro – "Cais dos Marinheiros"; Rua Outeiro – "A Sardinhada Algarvia"; Vilamoura – "As Pérolas do Algarve".

A entrada é gratuita e este ano, a organização promove no local animação musical, com os artistas: Luís Guilherme (dias 12 e 28) e Tony das Favelas (dia 23).

 

Nota:

 

1. Viva o Santo António, Viva o São João!!!

Rabiscado por Lígia Laginha às 10:50 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sábado, 04.06.11

Festa dos Petiscos do Pescador 2011

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado dá a conhecer mais um evento que marca a nossa agenda cultural no mês de Junho. Esse evento tem lugar em Quarteira, uma das mais importantes cidades do Concelho de Loulé, durante os dias 3, 4 e 5 de Junho. Terra desde sempre ligada às lides da pesca, Quarteira celebra o Dia do Pescador (31 de Maio) com a edição de mais uma Festa dos Petiscos do Pescador.

A Praça do Mar é o sitio escolhido para apresentar as tradições gastronómicas locais e atrair a Quarteira dezenas de pessoas.

A par do vasto programa musical e dos sabores sempre apetecíveis do marisco e do peixe fresco, aqui confeccionados e apresentados por famílias de pescadores, este evento tem como um dos momentos mais importantes a tradicional lavada que terá lugar no sábado, dia 4, pelas 18h00, na Praia de Quarteira.

A lavada ou arte tradicional de arrastar para terra, constitui um quadro ímpar e típico desta antiga aldeia piscatória, a população é convidada a participar no "puxar a rede" para terra onde se pode ver a riqueza que ainda se encontra nas águas que banham Quarteira, através da quantidade e qualidade do pescado que, ano após ano, é capturado.

A Festa dos Petiscos do Pescador é uma organização da QUARPESCA - Associação de Pescadores e Armadores de Quarteira (agracida com a Medalha de Mérito Municipal em 2011), que conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Junta de Freguesia de Quarteira.

 

Nota:

 

1. Não faltem e venham comer entre outros acepipes a bela da cataplana de marisco.

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:43 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quarta-feira, 25.05.11

Artesanato do Concelho de Loulé (I) - A empreita

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado dá-vos a conhecer um pouco do artesanato e das artes manuais do Concelho de Loulé. E decidiu começar por vos apresentar a empreita de palma. Um forma de sustento em tempos dos meus avós, a empreita é hoje vista como uma arte praticada por poucos e uma atractivo turisto.

 

A empreita, feita à base de palma, possui diversas fases:

Os ramos de palma são, primeiro, postos a secar. Parecem pequenos leques que, depois, hão de ser rasgados com o polegar, separando cada fina folha da palmeira anã.

Posteriormente a palma é demolhada para que não quebre ao ser entrelaçada. Ao demolhar segue-se a sua colocação em enxofre para ser clareada ou, para certos efeitos, tingida.

Depois começa então a confecção da empreita propriamente dita. A empreita consiste no entrelaçar das folhas de palma formando tiras que vão sendo enroladas e depois, quando unidas, formam então as alcofas.

Normalmente, sentadas em pequenas cadeiras deatabua, com um molho de palma enrolado num trapo velho humedecido, as mulheres faziam empreita escolhendo com arte cada folha, ripando as mais largas com os dentes para que a tira fosse sempre crescendo certinha.

Para cozer a empreita, ou seja, unir as diversas tiras, era feita a "baracinha". A baracinha consiste igualmente no entrelaçar das folhas de palma até formar uma espécie de "linha" depois utilizada, através de uma agulha de cobre, para ir cozendo a empreita e dando forma aos "sacos", alcofas", balaios, etc.

 

Segundo a wikipédia:

 

" A empreita de palma surgiu com a necessidade de embalar figos, amêndoas e alfarrobas para o seu transporte; passou, então, a ser utilizada noutros objectos quotidianos, na pesca, e com propósitos decorativos. A esteira popularizou-se devido à lacuna de mobiliário nas habitações mais humildes.

Originalmente, a matéria prima provinha do interior Algarvio, embora actualmente, devido à escassez da planta nesta região, as folhas de palma começaram a ser importadas do Sul de Espanha, aonde a produção de palma foi transformada em indústria.

Actualmente, a empreita é efectuada quase totalmente com propósitos decorativos, sendo uma das atracções turísticas na região. Verifica-se, igualmente, uma maior diversidade de materiais utilizados na empreita, como os plásticos e outros materiais reciclados."

 

Nota:

 

1. E pronto aqui foi contada uma pequena história sobre a empreita e o artesanato do nosso Algarve.

 

2. A marafada lamenta que estas e outras tradições se estejam a perder e apela para que os mais jovens se preocupem não só com o seu passado como procurem aprender, conhecer e preservar as suas tradições.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:28 link do post | Comentar | Ver comentários (6) | Marafações predilectas
Sábado, 14.05.11

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje o post será dedicado a uma das Freguesias mais importantes do nosso Concelho, Alte, nomeadamente ao Grupo Folclórico da Casa do Povo da mesma Freguesia. Alte é uma das aldeias mais rústicas de Portugal e um atrativo não só para louletanos como para turistas provenientes das mais diversas terras e terrinhas.

O Folclore é também um simbolo da nossa cultura e os Grupos Folclóricos ilustres representantes da nossa etnografia e das nossas tradições.

 

Assim sendo:

 

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte foi fundado em Outubro de 1938 durante a realização de um concurso etnográfico ao nível nacional: o “Concurso das aldeias mais portuguesas”.

Foi seu fundador, entre os altenses, José Cavaco Vieira, que dirigiu este Grupo durante vários anos.

Desde da sua fundação, o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte tem participadoem diversos FestivaisNacionaise Internacionais de Folclore e nas mais variadas festas de cariz etnográfico e cultural. Fez também parte de vários Congressos de Etnografia em Lisboa e na Região Autónoma dos Açores.

Fora do País, este Grupo esteve em Madrid no ano de 1949 participando no Concurso Internacional de Danças e Canções Populares, obtendo neste a Medalha e Diploma de Alto Mérito Etnográfico. Participou igualmente nas Festas de Ayamonte e representou o Algarve na Feira Internacional de Turismo,em Madrid. Recebeuo primeiro prémio num Festival Nacional de Folclore e tem sido galardoado ao longo da sua existência com diversas medalhas e taças.

Em 1994, o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro.

Do seu reportório fazem parte os bailes de roda simples com pares no meio, cadeados, despiques, baile mandado, topes, marcadinhas, corridinhos, etc.

Os instrumentos musicais utilizados são geralmente o acordeão, os ferrinhos, a “gaita de beiços” e as castanholas.

Os seus trajes são Domingueiros e de Cerimónia, visto que o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte recria o tradicional casamento camponês na sua Aldeia, nomeadamente no dia 1 de Maio de cada ano.

 

Nota:

 

1. Esta informação é só um cheirinho do muito que há a saber sobre Alte e os seus atributos. Por isso, a marafada aconselha a visita a essa terra fantástica e o contacto real com uma das aldeis mais portuguesas de Portugal.

 

A louletana está:
Cantiga: Corridinho
Rabiscado por Lígia Laginha às 07:35 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 01.05.11

Os "Maios" ou "Maias"

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje inicia-se um  novo mês, é dia do trabalhador e da mãe, e é dia de piqueniques onde os caracóis não podem faltar.

 

Hoje a marafada louletana decidiu falar-vos um pouco de uma tradição não só nossa, dos louletanos, mas também um pouco de todos os algarvios.

Essa tradição ancestral terá origem em costumes da Roma pagã, ligados ao culto da natureza e às festas em honra da Deusa Flora e de outras divindades, e constiste em, durante os primeiros dias de Maio, arranjarem-se grandes bonecos de trapos e enfeitá-los com flores. A estes bonecos, personificação da Primavera e da fecundidade, chamam-se "Maios" ou "Maias", consoante o sexo representado. Estes bonecos são colocados no jardim, no cimo do telhado ou no meio da casa e em torno deles desenvolvem-se danças e cantares.

A tradição manda também que se "ataque o Maio" logo bem cedinho, o que se faz comendo figos secos e bebendo aguardente de medronho.

Esta tradição prevalece nos dias de hoje, sobretudo no Interior do Concelho de Loulé, onde os festejos populares passam por piqueniques no campo. Em Alte, uma das aldeias mais rústicas de Portugal, as comemorações desta data atraem muitos turistas com o Festival de Folclore e a Cerimónia tradicional de Casamento da Boda. 

 

Nota:

 

1. Todos os anos, por altura do mês de Maio, é colocada à porta da Cozinha Tradicional situada no Castelo de Loulé uma "Maia" bem florida que convida os visitantes a entrar e a "atacar o Maio" com bolos secos e um copinho de medronho. Visite e verá que vai gostar.

 

2. Bons piqueniques.

 
A louletana está:
Rabiscado por Lígia Laginha às 06:41 link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Marafações predilectas

pesquisar

 

Setembro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
17
21
26
27
28
29
30

últimos comentários

  • Ora andava na net a pesquisar uma receita das noss...
  • Muito boa tarde.Gosto muito do seu trabalho.Hoje e...
  • Parabéns pelo artigo...Foi editado em 2010 pela Câ...
  • olá viva,adoro a alcofa redonda. Será k posso ter ...
  • Um dos meus bisavôs teve uma dessas indústrias de ...
  • Tão lindo, tudo caiado, branquinho ! Pena que est...
  • Cara Lígia,Tomei a liberdade de utilizar esta sua ...
  • Olá, procuro os proprietários da capela de Sta . C...
  • Muito bom blog ;))
  • tenho uma cataplana a estrear e vai começar por um...

mais comentados

As marafações passadas de validade