Segunda-feira, 18.07.11

Conferência “Pedro de Freitas, O Escritor e Musicólogo Popular”

 

 

Boa tarde caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Num post de 24 de Abril de 2011 a marafada apresentou neste blog o ilustre louletano Pedro de Freitas.

 

Hoje, pelas 18h00, na Alcaidaria do Castelo, realiza-se a Conferência “Pedro de Freitas, O Escritor e Musicólogo Popular”, apresentada por Susana Barrote, na qual irá abordar momentos da vida, a sua obra literária, periódica e musical, as lutas de vida e as campanhas musicais.

“Este trabalho de investigação pretende estudar as múltiplas intervenções históricas, culturais e político-sociais associadas à intervenção biográfica de um homem (Pedro de Freitas) que pretendia representar as massas populares da sociedade portuguesa e que lutava por lhes conferir melhores recursos culturais”, refere Susana Barrote, autora de uma tese sobre esta temática, na Universidade de Salamanca.

Rabiscado por Lígia Laginha às 13:54 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sexta-feira, 29.04.11

Ilustres Louletanos (V) - Pedro de Freitas

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado volta à rúbrica "Ilustres Louletanos" e traz-vos um defensor e apologista da sua terra Natal chamado Pedro de Freitas.

 

Pedro de Freitas nasceu em Loulé, no Largo do Carmo, em 1894. Louletano, autodidacta e escritor popular, chegou a ser apelidado de "Embaixador de Loulé", dado o seu esforço para manter vivas as tradições e feitos desta vila, hoje cidade. O primeiro contacto de Pedro de Freitas com a música, onde se destacaria maioritariamente, deu-se em 1902. Em 1903 foi viver para Faro e em 1904 para Olhão, completando a instrução primária numa e noutra localidade. Mais tarde regressa a Loulé onde se emprega como caixeiro de uma mercearia, continuando em simultâneo a aprendizagem da música na Sociedade "Artistas de Minerva". Em 1916 era ferroviário, guarda-freio dos comboios e no ano seguinte parte para a guerra, em França. Aí narra um dos episódios de guerra numa carta que alguns meses mais tarde acaba por ser publicada num jornal. A partir daí, Pedro de Freitas nunca mais deixou de escrever. Em 1926, regressado a Portugal, entra na luta pró Variante do Caminho de Ferro para Loulé, mantendo-se acerrimamente na mesma até 1946. Aquela que Pedro de Freitas descreve como a sua "maior proeza bairrista" foi, no entanto, a grande luta que travou para trazer a Loulé o Batalhão de guerra a que pertencia, o Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-ferro, comandado pelo General Raul Esteves. Conseguiu este feito e assim honrou Loulé. A visita do Batalhão e a Festa da Mãe Soberana fizeram convergir a esta cidade milhares de pessoas. Enquanto soldado do referido Batalhão, Pedro de Freitas foi construindo uma espécie de diário que deu corpo ao seu primeiro livro intitulado "As minhas recordações da Grande Guerra". Mais tarde, em 1950, com o livro "História da Música Popular em Portugal", alcançou grande sucesso mesmo em termos internacionais. Esta última obra é também dedicada pelo autor a Loulé. Em 1961, Pedro de Freitas recebe o convite do Senhor Governador Geral da Índia Portuguesa, General Vassalo Silva, para o visitar e escrever um livro. Pedro de Freitas visita então Goa, Damão e Diu e através do que observou escreveu a obra "Eu Fui à Índia". Neste mesmo ano, enquanto membro da Comissão Cultural da "Casa do "Algarve", em Lisboa, cargo que ocuparia durante dez anos, Pedro de Freitas deslocou-se à histórica aldeia de Alvor para defender a ideia da criação da Casa - Museu do Rei D. João II. Durante a sua vida activa Pedro de Freitas escreveu quinze livros, sendo um dos mais importantes "Quadros de Loulé Antigo", monografia da sua terra natal que conheceu diversas edições sendo a primeira de 1964. Pedro de Freitas faleceu no Barreiro em 1987 com 93 anos.

 

Nota:

 

1. Pedro de Freitas doou um imenso espólio à Câmara Municipal de Loulé. Esse espólio, rico em fotografias, cartas e objectos vários, encontram-se hoje no Castelo de Loulé e permite o aprofundamento dos conhecimentos acerca da história e etnografia locais.

 

2. O livro "Quadros de Loulé Antigo" embora escrito de forma apaixonada e muitas vezes instintiva não pode deixar de ser tido em conta como uma obra importante que nos leva ao Loulé dos inicios do século XX e nos transmite as vivências do autor, as tradições da época que infelizmente se vão perdendo, entre outros aspectos que fazem desta monografia um livro único para quem quer traçar a história da cidade louletana. A marafada recomenda a sua leitura.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:15 link do post | Comentar | Marafações predilectas

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