Domingo, 08.05.11

Mãe Soberana por Carlos Porfírio

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Hoje é dia de Festa em Loulé, Festa Grande em honra da nossa Padroeira. Como tal a marafada decidiu dedicar este post a uma das mais belas pinturas que existem da Nossa Senhora da Piedade. Esta pintura, óleo sobre tela, foi executada em 1970 pelo pintor farense Carlos Porfírio. Última obra deste pintor e cineasta cuja obra revelava uma grande influência futurista.

 

 

 

Homem aventureiro e que procurava saber mais fixou residência em Madrid e em Paris, no entanto, devido à II Grande Guerra acabou por regressar a Portugal em 1939.

Foi director e editor do “Portugal Futurista” e dirigiu os filmes "Sonho de Amor", 1945 e "Um grito na Noite", 1948.

A Carlos Porfírio se deve também a criação do Museu Etnográfico de Faro.

Para além da obra “Mãe Soberana” é autor de outras pinturas que revelam bem o seu gosto pelas tradições algarvias tais como: “Lenda das Amendoeiras em Flor”, concebida para a sala designada “Lendas do Algarve” do Museu Etnográfico de Faro; “A Moira do pente de oiro”, “O Touro Preto”, entre outras.

 

Notas:

 

1. Viva a Mãe Soberana! Viva os Homens do Andor!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
Rabiscado por Lígia Laginha às 08:40 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sábado, 07.05.11

A mística dos Homens do Andor

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Amanhã tem lugar em Loulé a chamada Festa Grande em honra de Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana dos Louletanos. A padroeira esteve nos últimos quinze dias na Igreja de São Francisco onde pôde ser visitada mais a miúdo pelo seu povo. Amanhã regressa então à sua morada, o santuário no cimo do cerro da Piedade, e dá-se o ponto mais alto desta festa religiosa que é a maior a Sul do Tejo.

E este retorno da nossa Mãe à sua Ermida não poderia ser feito sem a força e a fé dos chamados Homens do Andor. Eles são vistos pelos louletanos como verdadeiros heróis e respeitados pelo nosso povo como símbolos de fervor religioso e devoção.

 

Os homens que transportam o andor da Mãe Soberana são oito, acompanhados por dois tochas (tocheiros ou ajudas) que vão abrindo caminho entre a multidão para que se possa fazer o percurso sem riscos. Estes homens envergam calças e camisa brancas, laço preto para a Festa Pequena e laço branco para a Festa Grande, casaco preto, opa branca com cabeção azul, luvas brancas de algodão, meias e sapatos pretos. Seguram um forcado de madeira, que os ajuda a transportar o Andor, e enfeitam a lapela com uma das flores do mesmo andor.

Na década de cinquenta decidiu-se que seria o homem com mais anos de Andor que lideraria o grupo e estava encarregue de escolher os Homens do Andor.

Acerca da Festa Pequena já aqui falamos por isso concentremo-nos na Festa Grande. Amanhã a procissão começa logo pela manhã, na Igreja de S. Francisco, onde os Homens do Andor recebem a bênção do pároco, depois da missa. De seguida os mesmos Homens transportam a imagem para o Largo Eng.º Duarte Pacheco, que os Louletanos conhecem por “Estátua”. Retomam a procissão na parte da tarde, cerca das 16 horas, percorrendo as principais artérias da cidade. Chegados ao inicio do cerro a procissão é feita em passo rápido até ao Santuário onde os Homens do Andor depositam a Padroeira para lá permanecer durante o ano.

Terminada a procissão os Homens do Andor continuam o seu percurso e descem em direcção ao centro da cidade, sendo esperados pela população que nas ruas lhes gritam “viva” e “obrigado”, batem palmas e acenam. Terminam o seu percurso no Largo Bernardo Lopes. E porque o Andor pesa cerca de trezentos quilogramas nós sabemos que é a fé do povo unida com a dos Homens do Andor que lhes dá força para conseguirem levar a nossa Padroeira cerro acima.

 

Em 28 de Março de 2007 foi atribuída à artéria que liga a Rua da Nossa Senhora da Piedade à Rua José António Madeira a designação de “Homens do Andor”. Uma justa homenagem aos louletanos que todos os anos transportam o andor de Nossa Senhora da Piedade. A placa toponímica foi descerrada no dia 8 de Abril de 2007, Domingo de Páscoa, durante o decorrer da Festa Pequena.

 

Nota:


1. A informação que a marafada aqui apresenta foi retirada de uma pequena publicação com texto da Dr.ª Luísa Martins, cara colega e amiga para além de excelente historiadora e investigadora, e, mais uma vez, do “Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé”, de Jorge Filipe Maria da Palma.


2. Viva a Mãe Soberana. Viva os Homens do Andor!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
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Quarta-feira, 27.04.11

Conferência "Mãe Soberana dos Louletanos: A Alma de um Povo"

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

O post de hoje é meramente informativo e assim sendo fiz um copy past da notícia directamente do site da Câmara Municipal de Loulé (www.cm-loule.pt). Leiam e fiquem elucidados. Acreditem que é algo a não perder, sobretudo pelos louletanos que são devotos da Mãe Soberana. Contamos com a vossa presença!

 

"A 30 de Abril, sábado, pelas 15h00, na Sala da Assembleia Municipal, João Chagas apresenta a Conferência “Mãe Soberana dos Louletanos: a Alma de um Povo”.

Na semana que antecede a Festa Grande em homenagem à Nossa Senhora da Piedade, o conferencista irá tentar responder a várias questões relacionadas com este singular culto. Como e quando surgiu esta extraordinária devoção? Como é que se desenvolveu este peculiar culto? A importância das populações rurais no desenvolvimento deste culto. Como e quando surgiu a tradição dos Homens do Andor? Qual o significado desta Imagem para os habitantes do Concelho de Loulé? Qual o significado desta Imagem no contexto da região algarvia?

 

João Romero Chagas Aleixo nasceu em Lisboa, em 1980. Depois de realizados o ensino primário, básico e liceal em Loulé, ruma até Lisboa para prosseguir os seus estudos universitários. Em Lisboa frequenta o quarto e último ano da licenciatura em Economia na Faculdade de Ciências Económicas e Empresarias da Universidade Católica Portuguesa. Interrompe a licenciatura em Economia, faltando, apenas, um semestre para finalizá-la, para se matricular no curso de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde, presentemente, é aluno finalista.

Em 2003 e 2004 integrou a Comissão das Comemorações dos 450 anos da Edificação da Ermida da Nossa Senhora da Piedade.

Em 2003 e 2004 foi co-comissário da exposição intitulada “A Nossa Senhora da Piedade na Imprensa Regional”. Em 2004 foi, ainda, co-autor do catálogo da exposição “Mãe Soberana – o culto, as gentes, o património”.

Desde de 1 de Agosto de 2007 é colaborador regular do jornal “A Voz de Loulé”, onde assina uma coluna de investigação sobre a História Local. As suas investigações incidem nos seguintes temas: o culto à Mãe Soberana, a vida e a obra do Poeta Aleixo, as filarmónicas louletanas, figuras ilustres de Loulé, entre outros temas relacionados com a História Local. Desde que iniciou a sua colaboração com “A Voz de Loulé” já assinou oitenta artigos de investigação, sendo quarenta e cinco relacionadas com o culto à Nossa Senhora da Piedade, Mãe Soberana dos Louletanos, dezasseis respeitantes ao Poeta António Aleixo, sete sobre os Artistas de Minerva, entre outras temáticas.

Em 26 de Março de 2008, a convite da Casa do Algarve em Lisboa, proferiu, no Palácio da Independência, uma conferência sobre a História da Nossa Senhora da Piedade.

Em Janeiro de 2011, a convite do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, publicou o seu primeiro livro intitulado “Ensaios Aleixianos”.


Rabiscado por Lígia Laginha às 07:43 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 24.04.11

O Hino da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Como já foi referido neste blog hoje, Domingo de Páscoa, tem lugar em Loulé uma das mais importantes festividades do nosso concelho. A Festa Pequena em Honra da Nossa Senhora da Piedade ou Mãe Soberana para os louletanos. A nossa padroeira “desce” o cerro para durante uma quinzena ficar na Igreja de São Francisco e ser visitada pelos seus fieis. Depois regressa à sua morada na Festa Grande, festa que atrai a Loulé grande número de pessoas, algumas devotas, outras meramente visitantes curiosos por conhecer a maior festa religiosa a sul do Tejo.


Como a marafada louletana também já referiu a música, nomeadamente executada pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva, é parte integrante e indispensável desta festa. E a música que se ouve entre brados de “Viva à Mãe Soberana” é a marcha ou hino da Nossa Senhora da Piedade que foi composto por Manuel Martins Campina em 1866. De seguida aqui fica a letra que muitos sabem de cor e gostam de cantar em homenagem da “mãe” de todos os louletanos.

 

 

 

 

 

Hino da Nossa Senhora da Piedade


Ó doce Mãe da Piedade,

Ó Maria Imaculada

Sede para sábio e rude

A nossa mãe muito amada

Sede a nossa Protectora,

Ó doce Virgem Maria.

Sede a Rainha, Senhora,

Da nossa terra algarvia.

Sede a nossa Mãe Soberana.

Nossa esperança, amparo e luz.

Sede a Guia carinhosa

Que pobres e cegos conduz.

Terra de Santa Maria,

Ó bendita Mãe de Deus,

Todo o povo em vós confia.

No mar, na terra e nos céus.

 

Notas:


1. A louletana marafada aconselha a vinda a Loulé por alturas da Festa Pequena ou Festa Grande em honra da Nossa Senhora da Piedade por estas serem festividades únicas em que a fé e a devoção se unem ao espírito profano e à alegria do povo.

 

2. E VIVA À MÃE SOBERANA!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
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Sexta-feira, 22.04.11

Património Louletano (I) - A Ermida da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito à dimensão patrimonial do Concelho de Loulé. Porque as terras louletanas são também ricas em património, sobretudo religioso, e mais uma vez o objectivo da marafada louletana é dar a conhecer um pouco das valências desta linda terra que é Loulé.


E porque no próximo Domingo terá lugar a Festa Pequena em honra da Nossa Senhora da Piedade, acontecimento já referido nesta blog, começamos por elucidar os nossos visitantes sobre a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. É certo que à alguns anos foi construído um novo santuário para a padroeira de Loulé, no entanto, o “Marafações de uma Louletana” centrar-se-á na “velha” capela por ser pelos louletanos a eterna “morada” da Mãe Soberana.

Tendo por base as “Visitações da Ordem Militar de Santiago” de 1565 podemos saber que a Ermida de Nossa Senhora da Piedade foi construída em 1553. O lugar escolhido para a sua edificação foi o alto de um cerro que estava próximo do aglomerado urbano.

Nos finais do século XVI, o padroado deste templo passa para a Câmara de Loulé e esta edilidade assumiu a responsabilidade de organizar a festa principal que teria lugar na “segunda-feira depois das oitavas da Páscoa”.

O retábulo original da capela mor manter-se-á ao culto até princípios do século XVIII, altura em que Filipe Peixoto de Moura, como Reitor da Confraria de Nossa Senhora da Piedade, optou pela feitura de um novo retábulo em talha cuja realização ficaria a cargo do entalhador algarvio Gaspar Martins. Este retábulo seria destruído pelo terramoto de 1755, que destruiu também parte da ermida, nomeadamente a capela mor. Nos anos seguintes foi construída uma nova capela mor onde se encontra o actual retábulo de talha. Este retábulo foi construído em 1760 e a sua feitura é atribuída ao entalhador louletano João da Costa Amado. O douramento teve lugar quatro anos depois e será obra de Diogo de Sousa e Sarre.

As últimas obras de reconstrução ocorreram nos finais do século XIX com a reformulação da fachada principal.

No tecto da Ermida podemos ver um dos seis exemplares de tectos pintados com composições de perspectiva arquitectónica existentes no Algarve. A sua autoria pertence também a Diogo de Sousa e Sarre. Um interessante painel de azulejos de padrão ou de tapete percorre o lambrim desta ermida. As paredes laterais da capela mor e da nave foram ornamentadas nos finais do século XIX com dez painéis pintados sobre estuque com Cenas da Paixão de Cristo. Esta obra terá sido levada a cabo por José Porfírio, pintor de Faro.

Quanto à imagem de Nossa Senhora da Piedade esta mede 90 cm x 40 cm, medidas inseridas no formulário maneirista. Foi provavelmente executada por um imaginário farense nos finais do século XVI ou nos princípios do século XVII. Em 1764 Diogo de Sousa e Sarre estofou a imagem da padroeira.

 

Hoje em dia a Ermida foi alvo de novo restauro e existe uma réplica da imagem da Mãe Soberana presente no novo Santuário.


Nota:


1. A informação aqui contida baseia-se em dados fornecidos pelo Dr. Francisco Lameira, especialista em arquitectura e arte religiosa e com várias obras publicadas sobre o tema.


2. Muito mais haveria a dizer mas este blog pretende dar a conhecer um pouco dos aspectos mais relevantes sobre Loulé e as suas gentes e faz uma abordagem ligeira sobre cada temática. Quem tiver interesse pode sempre procurar saber mais.

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:05 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 17.04.11

Festividades Louletanas (I) - Festa da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito às festividades que têm lugar no Concelho de Loulé. As festas e romarias são sem sombra de dúvida uma marca indelével da etnografia de um povo. Assim sendo, não podíamos deixar de parte esta componente do povo louletano que o define enquanto tal. Lanço o desafio aos comentadores de acrescentarem algo que lhes pareça relevante e alerto desde já para o facto do “Marafações de uma louletana” apenas pretender dar um “cheirinho” sobre cada tema sem o aprofundar demasiado.


E como a Páscoa está aí comecemos então pela maior festa religiosa a sul do Tejo, ou seja, a Festa da Mãe Soberana ou Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Loulé. Esta festa, exemplo inequívoco do que é o culto Mariano, perpetua-se desde 1553 e anualmente, por altura da Páscoa, atrai à região milhares de pessoas. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a cidade de Loulé prepara-se meticulosamente para receber a sua padroeira que desce do Cerro da Piedade para a Igreja de São Francisco, numa procissão que mistura o fervor religioso com o espírito profano da festa. Esta procissão centrada no “descer” da Mãe Soberana designa-se de Festa Pequena. Quinze dias depois da mesma ocorre então a denominada Festa Grande que é o ponto alto deste evento religioso e consiste no processo inverso, isto é, a padroeira é levada em ombros pelos oito Homens do Andor Cerro acima até à sua morada, ou seja, a Ermida da Nossa Senhora da Piedade. Logo ao inicio da tarde, depois da celebração da eucaristia, inicia-se a chamada Procissão Solene em que a procissão percorre as principais ruas da cidade de Loulé. O ponto alto da mesma procissão é efectivamente a subida para o Santuário que se faz a um ritmo regulado pelo som da banda filarmónica Artistas de Minerva entre foguetes e flores, acenos de lenços e vivas. O Andor da Mãe Soberana pesa cerca de dezoito arrobas pelo que ladeira a cima se revela no esforço aplaudido por todos que vêem nos Homens do Andor verdadeiros heróis ao serviço da fé. A festa termina com fogo-de-artifício que ocorre nessa noite junto ao Cerro da Piedade.


Muito mais haveria a dizer sem dúvida mas para isso convido todos quantos se interessarem por esta temática a consultar inúmeros trabalhos existentes sobre o tema.


Nota:


1. A marafa louletana aconselha a leitura dos vários artigos relacionados com a Mãe Soberana publicados no jornal “A Voz de Loulé” da autoria de João Chagas Aleixo. Este trabalho que já conta com dezenas de textos é indispensável para quem quiser saber mais acerca desta Festividade e símbolo da comunidade louletana.


2. Pontualmente voltaremos a esta temática que tem também a sua vertente patrimonial entre outras.

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:38 link do post | Comentar | Marafações predilectas

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