Quinta-feira, 22.09.11

Flora Louletana (IV) - o carrasco

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falamos de carrascos:

 

O carrasco é uma planta frequentemente encontrada no interior algarvio. Pertence à família das faias, na qual se inserem outras plantas como o sobreiro, a azinheira e o castanheiro.

O carrasco só excepcionalmente atinge grande porte, não passando habitualmente de um arbusto com 11,5 metros de altura.

A sua folha apresenta as duas faces de cor verde brilhante e sem pêlos. As flores surgem na Primavera e só têm um sexo. As masculinas vêm em espigas amareladas, as femininas crescem solitárias ou em pequenos grupos na extremidade dos ramos. Estas últimas, após a fertilização, transformam-se em frutos, as conhecidas bolotas, que se mantêm verdes durante muito tempo e só amadurecem no Verão ou no Outono seguintes.

Durante numerosos anos o carrasco foi usado para alimentar os fornos a cal existentes em todo o Barrocal Algarvio.

Os carrascais têm a vantagem de proteger o solo contra a erosão provocada pelas águas da chuva, dando igualmente abrigo a muitas aves e outras espécies da fauna selvagem. 

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:33 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quarta-feira, 31.08.11

Ainda os figos

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar de figos. No Algarve não há Verão sem eles e os figos são um dos componentes mais emblemáticos da nossa gastronomia.

 

O figo algarvio sempre teve grande nome, principalmente seco.

 

Os figos poderão dividir-se em dois grandes grupos, os brancos e os pretos ou “pintos”. 

 

Comem-se frescos ou secos e com eles fabrica-se também aguardente.

O primeiro figo a aparecer é o lampo sendo a primeira camada pelo São João e só se come fresco. Em meados de Agosto amadurecem os que se conservam pela secagem.

Reconhece-se o momento em que se devem colher pela inclinação que toma o fruto pois que o figo que até então se mantinha numa posição sensivelmente horizontal, inclina-se quando está maduro.

A figueira é uma árvore que pouco sofre com as variações atmosféricas, mas o seu fruto pode ser destruído pelas chuvas. Por outro lado, requer algum cuidado, sendo indispensável a cava para a sua manutenção. Reproduz-se por estaca e enxertia de borbulha.

A apanha do figo efectua-se de meados de Agosto a meados de Setembro, o que corresponde à da amêndoa e da alfarroba. Varejam-se igualmente com canas e põem-se ao sol a secar em esteiras também de cana.

 

Os figos secos acamam-se numa canastra e entre as várias camadas põe-se funcho e ervas doces. Sobre a última assenta pesada pedra para que os figos fiquem bem acamados e não se estraguem.

 

Outros são torrados sem ou com recheio de amêndoa.

 

E pronto... Eis um pouco mais sobre essa delícia que são os figos.

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Rabiscado por Lígia Laginha às 11:12 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 17.07.11

Flora Louletana (III) - A amendoeira

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Como se aproxima a altura de apanhar as amêndoas, fruto da amendoeira, hoje falemos um pouco desta espécie tão comum no nosso Algarve.

 

Assim, segundo a infopédia:

 

"Designação vulgar de plantas arbóreas da família das Rosáceas e do género Prunus, a amendoeira, Prunus dulcis (Sin. Prunus amygdalus), é uma árvore muito ramificada, com ramificação ascendente, que pode atingir os oito metros de altura. Apresenta um ritidoma de cor negro-purpúra, com gretas profundas. Os ramos, enquanto jovens, são verdes. 
As folhas são caducas, simples, alternas, com um comprimento variável entre os quatro e 12 centímetros, oblongo-lanceoladas, glabras, finamente denteadas. O pecíolo tem um tamanho superior a um centímetro. No início as folhas podem dobrar-se em V ou ao longo da nervura central. 
A floração, que ocorre normalmente entre fevereiro e abril, é anterior ao aparecimento da folhagem, originando uma paisagem muito típica e procurada pela sua beleza. As flores, rosadas antes de se abrirem e mais pálidas ou mesmo brancas na sua maturação, têm um diâmetro que varia entre os 40 e os 50 milímetros. São curtamente pecioladas. O hipanto é campanulado e a margens das sépalas tomentosas. 
O ovário e o fruto são, também, tomentosos. O fruto é ovoide, ligeiramente comprimido, com um comprimento variável entre os 35 e 60 milímetros. É de cor cinzento-esverdeada, com cobertura suculenta que encerra o caroço conhecido por amêndoa.
A amendoeira Prunus dulcis é também comummente designada por amendoeira-amarga (Prunus dulcis amara) ou amendoeira-doce (Prunus dulcis dulcis).
A amendoeira, originária da Ásia Menor e Nordeste de África, cultivou-se desde a Antiguidade em volta do mar Mediterrâneo, habitando em lugares rochosos, bordos de estradas, limites de campos cultivados e terrenos de cultivo. Em Portugal, a cultura desta espécie é particularmente favorecida nos vales do Alto Douro e no Algarve.
As amêndoas são utilizadas normalmente para fins culinários e terapêuticos. O óleo de amêndoa é também utilizado na cosmética. As sementes de amendoeira contêm, como outras sementes de plantas do género Prunus, uma substância que produz ácido cianídrico, em teor elevado nas amêndoas amargas, que pode causar graves perturbações. A ingestão de 10 - ou até menos - amêndoas cruas, naquelas condições, pode causar graves perturbações e a ingestão de vinte pode ser fatal."

 

Bem, quem diria que a amendoeira era isto tudo... A marafada apenas pode confirmar que as amendoeiras em flor, entre os meses de Fevereiro e Abril, são um espectáculo de rara beleza.

A amêndoa é usada na maior parte da doçaria algarvia. Considerada uma iguaria de dificil apanha é muitas vezes cara e não está ao acesso dos bolsos de todos. Mas o sabor dos doces de amêndoa é sem dúvida magnífico!

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:43 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sexta-feira, 01.07.11

Flora Louletana (II) - O Medronheiro

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falamos do medronheiro, cujo nome científico é Arbutus unedo.

 

"O medronheiro é um arbusto ou pequena árvore de folha persistente (existem folhas na sua copa durante todo o ano). Esta árvore pode atingir os 8 a 10 m de altura, embora normalmente não vá além dos 5 metros. O medronheiro possui ramos erectos e copa arredondada, dotada de um tronco coberto por uma casca castanha ou vermelha, fissurada que se desprende nas árvores já mais antigas.

As suas folhas são muito parecidas com as do loureiro e medem entre 4 a 11 cm de comprimento. As folhas, elípticas, apresentam uma cor cinzento - esverdeadas, não dentadas, de margens serradas, são brilhantes e enceradas. A parte superior da folha é mais escura e a inferior mais pálida.

As flores são brancas com toques cor de rosa, são flores pequenas que surgem no Outono em cachos pendentes de até 20 flores, entre os frutos do ano anterior.

Os frutos  são uma baga  redonda e verrugosa com aproximadamente 3 cm de diâmetro que surgem nos raminhos verdes dando cor à árvore, uma vez que nascem amarelos e progressivamente vão  tornando-se vermelhos. 
O Medronheiro desenvolve - se nos bosques, no mato e nas regiões rochosas, principalmente em solos ácidos, da Península Ibérica à Turquia. 

O fruto é comestível e com ele pode-se preparar uma aguardente de excelente qualidade (aguardente de medronho). As folhas são usadas na medicina popular pelas suas propriedades diuréticas e anti-sépticas. As folhas e a casca são muito ricas em taninos e eram usadas para curtir peles. A sua madeira é apreciada para fabricar carvão vegetal.

A aguardente de medronho (medronheira) é produzida a partir dos frutos com o mesmo nome (medronho) que se cultivam nas serranias do Algarve. Pode dizer-se que é uma bebida regional. No entanto também se produz noutras zonas do país, embora em menos quantidade.

Para preparar a aguardente a fruta é fermentada em tanques de madeira ou barro. Actualmente a fermentação também se faz em depósitos de cimento, mas só em destilarias de significativa dimensão. A fermentação é natural e dura entre trinta a sessenta dias. Os tanques devem ser cobertos com frutos esmagados para evitar o contacto com o ar. É necessário adicionar uma parte de água para cinco partes de fruta. Depois de fermentado o produto deve ser guardado durante sessenta dias e bem protegido do ar.
Hoje em dia existem destilarias semi-industriais. No entanto, a melhor aguardente é aquela que é produzida por destilação descontínua (fogo directo).
Uma boa aguardente de medronho é transparente, com o cheiro e o gosto da fruta.
Nas montanhas, uma boa aguardente deve ter 50º.
No entanto a sua comercialização faz-se entre os 40º e 50º."

 

Nota:

 

1. Aposto que não sabiam disto {#emotions_dlg.blink}


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Domingo, 22.05.11

Flora Louletana (I) - A Alfarrobeira

 

 

Bom dia queridos amigos e visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado inaugura mais uma rúbrica que pretende dar a conhecer a flora existente em Loulé. Parecendo um assunto de menor importância, lembro-me que quando estudei em Lisboa haviam pessoas oriúndas do Norte do país que desconheciam por completo o que era uma Alfarrobeira. Assim sendo, pareceu-me interessante, sobretudo para os que não sabem o que é e como é, abordar aqui as plantas, árvores e leguminosas que povoam o nosso lindo concelho.

 

E não podia deixar de começar por essa árvore extremamente abundante, não só em Loulé, mas também, um pouco por todo o Algarve. Mesmo aqueles que estão familiarizados com a Alfarrobeira, de certo, muitos deles, desconhecem as suas origens e diversas potencialidades. Assim sendo, a marafada apurou através da wikipédia, que:

 

"A alfarrobeira (Ceratonia siliqua) é uma árvore de folha perene, originária da região mediterrânica que atinge cerca de 10 a 20 m de altura, cujo fruto é a alfarroba (do hebraico antigo al charuv (חרוב), a semente, pelo árabe al karrub, a vagem, corrupção daquele outro termo). Também é designada pelos nomes vulgares de figueira-de-pitágoras e figueira-do-egipto.

Pensa-se que as suas sementes foram usadas, no antigo Egipto, para a preparação de múmias; foram, aliás, encontrados vestígios de suas vagens em túmulos.

Pensa-se que a alfarrobeira terá sido trazida pelos gregos da Ásia Menor. Existem indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens secas, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado. Como outras, a planta teria sido levada pelos árabes para o Norte de África, Espanha e Portugal.

A semente da alfarrobeira foi, durante muito tempo, uma medida utilizada para pesar diamantes. A unidade quilate era o peso de uma semente de alfarroba. Era considerada uma característica única da semente da alfarroba, o seu peso sempre igual. Hoje em dia, contudo, sabe-se que seu peso varia como qualquer outra semente.

Do fruto da alfarrobeira tudo pode ser aproveitado, embora a sua excelência esteja ainda ligada à semente, donde é extraída a goma, constituída por hidratos de carbono complexos (galactomananos), que têm uma elevada qualidade como espessante, estabilizante, emulsionante e múltiplas utilizações na indústria alimentar, farmacêutica, têxtil e cosmética.

Mas a semente representa apenas 10% da vagem e o que resta – a polpa - tem sido essencialmente utilizado na alimentação animal quando, devido ao seu sabor e características químicas e dietéticas, bem pode ser mais aplicado em apetecíveis e saborosas preparações culinárias.

A farinha de alfarroba é a fracção obtida pela trituração e posterior torrefacção da polpa da vagem. Contém, em média, 48-56% de açucar, 18% de fibra, 0,2-0,6% de gordura, 4,5% de proteína e elevado teor de cálcio (352 mg/100 g) e de fósforo. Por outro lado, as características particulares dos seus taninos (compostos polifenólicos) levam a que a farinha de alfarroba seja muitas vezes utilizada como antidiarreico, principalmente em crianças."

 

E depois de este palavreado todo resta apenas dizer que a Alfarrobeira existe sobretudo a sul do Tejo e que não se dá com climas extremamente frios.

Considerada o "cacau ou chocolate do Algarve" é usada na nossa gastronomia, nomeadamente na doçaria.

Pelo seu valor, agora bem menor do que outrora, a apanha da Alfarroba continua a ser uma parte importante da vida dos algarvios marafados. Chegado o mês de Agosto ouve-se o som do varejo e do negro fruto a cair no chão. É hora de apanhar e ensacar a alfarroba e esperar para vende-la a quem oferecer um melhor preço.

 

Nota:

 

1. Muito mais haveria a dizer sobre a alfarrobeira e as suas valências, no entanto, este blog pretende apenas dar a conhecer um pouco de cada assunto. Para saber mais podem sempre consultar manuais de botânica.

 

2. Um bom Domingo para todos.

 

A louletana está:
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