Quinta-feira, 02.06.11

A Festa da Espiga e o Dia do Município de Loulé

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje é Dia do Município de Loulé, feriado municipal e a 44.ª edição da Festa da Espiga em Salir.

 

E o que é a Festa da Espiga?

 

"Segundo o calendário litúrgico, na Quinta-Feira da Ascensão comemora-se a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias após a Páscoa. Mas neste dia celebra-se igualmente o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga. Sobretudo no Sul do País é tradição as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres, fazendo ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver; algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, margaridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Este ramo, em número de combinações variáveis conforme as localidades, pendura-se dentro de casa e aí se conserva durante um ano, até ser substituído pela “espiga” do ano seguinte.

Crê-se que este costume tenha as suas raízes num antigo ritual cristão que consistia na bênção dos primeiros frutos, mas as suas características fazem-no adivinhar origens mais remotas, muito provavelmente em antigas tradições pagãs associadas às festas em honra da deusa Flora que ocorriam por esta altura.

Salir, uma das mais típicas freguesias rurais do concelho de Loulé, faz da Festa da Espiga um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia.

A Festa Espiga em Salir teve início no dia 23 de Maio de 1968, organizada pela Junta de Freguesia, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório, figura carismática e um grande impulsionador da sua terra natal. O sucesso da primeira edição, à qual presidiram o Governador Civil de Faro, Romão Duarte, e o presidente da Câmara Municipal de Loulé da altura, Eduardo Pinto, ultrapassou todas as expectativas da organização.

Desde então, Salir tem feito do Dia da Espiga um grande acontecimento regional, recebendo milhares de forasteiros que aqui se deslocam para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a etnografia, a poesia e tudo o que há de mais genuíno no interior rural do Algarve. A importância que este evento alcançou como cartaz turístico do interior algarvio foi tal que a Câmara Municipal de Loulé mudou para este dia o seu feriado municipal.

Em Salir o Dia da Espiga, que de certa forma marca o início da época das colheitas, assume uma importância especial, uma vez que se aproveita esta data para levar até ao grande público as manifestações tradicionais mais características desta freguesia rural. Os intervenientes neste espectáculo ímpar no país preparam com certa antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.

O cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila representa toda a actividade agrícola e artesanal da freguesia, em parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extracção de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga. Tudo “ao vivo e a cores”.

Para além disso há ainda a exibição de poetas populares declamando os seus poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado.

À festa não faltam os grupos folclóricos com as suas danças e cantares, nomeadamente o Rancho Folclórico Infantil de Loulé e o Rancho Folclórico As Mondadeiras das Barrosas, a banda filarmónica e o fogo de artifício.

Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população tem ainda a possibilidade de deixar uma mensagem, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, às entidades governativas presentes, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra. Aliás, os executivos da Câmara Municipal de Loulé aproveitam este dia para inaugurar uma estrada, uma escola, uma obra de saneamento básico ou um equipamento de carácter social, contribuindo assim para abrilhantar ainda mais as festividades. Mas quando essas obras não se concretizam, as críticas em tom de brincadeira são lançadas aos responsáveis governativos do município e da região."

 

Embora se inicie no dia de hoje a Festa da Espiga ir-se-á prolongar até o dia 4 de Junho. Aqui fica o programa:

 

Quinta-Feira – Noite da Espiga

 

09:00h -  Passeio BTT

09:30h – Passeio Pedestre

13:00h – Abertura das Tasquinhas (Manjares e Petiscos Serranos)

14:00h – Exposições de Produtos Regionais 

15:30h – Desfile Etnográfico

18:30h – Actuação dos Grupos;

Rancho Folclórico “As Mondadeiras das Barrosas”

Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão – Cortelha

20:00h – Actuação do Grupo “…E Viva a Música!”

22:00h – Actuação do Grupo MADRAGOA

23:30h – Actuação de JOÃO PAULO CAVACO

 

 

 

Sexta-feira – Noite Tradicional

 

14:30h – Tarde Sénior

15:00h – Peça de teatro “O Fado da Cássima e o Canto das Mouras”

16:30h – Baile Tradicional e Lanche

18:00h – Exposições de Produtos Regionais

19:00h – Abertura das Tasquinhas (Manjares e Petiscos Serranos)

20:00h – Actuação do Trio de Acordeonistas

22:00h – Actuação do Grupo CANTE ANDARILHO

23:00h – Baile Tradicional com a Banda “Vibrações”

01:00h – Actuação de GIL ROSA

 

 

Sábado – Noite Jovem

 

14:00h – Tarde das Espiguinhas (Animação e Muitas Outras Surpresas)

14:30h – Oficinas e Jogos Tradicionais

15:00h – Workshop de Salsa

16:00h – Lanche Infantil

16:30h – Desfile “Miss e Mister Espiguinha”

17:45h – Actuação do Rancho Folclórico Infantil de Faro

18:15h – Peça de Teatro “Migalhas e Outras Histórias”

18:45h – Exposições de Produtos Regionais

19:00h - Aberturas das Tasquinhas (Manjares e Petiscos Serranos)

19:30h – Actuação de Ying & Yang

21:30h – Baile tradicional com Gonçalo Tardão

23:30h – Actuação do Grupo OLIVETREEDANCE

01:00h – Actuação do Grupo STEPLINE PROJECT

 

Quanto às Comemorações do Dia do Município aqui fica também o programa:

 

09:00 – Alvorada com foguetes

09:30 – Hastear da Bandeira ao som do Hino Nacional Banda Filarmónica Artistas de Minerva

 Frente aos Paços do Concelho

10:45 – Cerimónia de Escritura de Casa do Bairro ExCar Loulé

Assembleia Municipal

11:00 - Cerimónia de agraciados do Município de Loulé

 Salão Nobre dos Paços do Concelho

12:00 – Apresentação do Livro "Loulé. Uma Galeria de Retratos" de António Homem Cardoso

            Alcaidaria do Castelo

15:00 – Festa da Espiga

 Salir

22:00 – Peça de Teatro “Um beijo… mais um beijo…outro beijo”

   Teatro Delle Briciole

Apoios: ALGARVE 21 / QREN / FEDER

 

Nota:

 

1. E pronto hoje é mais um dia de Festa rija na nossa santa terrinha. Bem hajam todos os visitantes, forasteiros ou conterrâneos. 

 

2. Vão apanhar a espiga!

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:17 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sábado, 07.05.11

A mística dos Homens do Andor

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Amanhã tem lugar em Loulé a chamada Festa Grande em honra de Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana dos Louletanos. A padroeira esteve nos últimos quinze dias na Igreja de São Francisco onde pôde ser visitada mais a miúdo pelo seu povo. Amanhã regressa então à sua morada, o santuário no cimo do cerro da Piedade, e dá-se o ponto mais alto desta festa religiosa que é a maior a Sul do Tejo.

E este retorno da nossa Mãe à sua Ermida não poderia ser feito sem a força e a fé dos chamados Homens do Andor. Eles são vistos pelos louletanos como verdadeiros heróis e respeitados pelo nosso povo como símbolos de fervor religioso e devoção.

 

Os homens que transportam o andor da Mãe Soberana são oito, acompanhados por dois tochas (tocheiros ou ajudas) que vão abrindo caminho entre a multidão para que se possa fazer o percurso sem riscos. Estes homens envergam calças e camisa brancas, laço preto para a Festa Pequena e laço branco para a Festa Grande, casaco preto, opa branca com cabeção azul, luvas brancas de algodão, meias e sapatos pretos. Seguram um forcado de madeira, que os ajuda a transportar o Andor, e enfeitam a lapela com uma das flores do mesmo andor.

Na década de cinquenta decidiu-se que seria o homem com mais anos de Andor que lideraria o grupo e estava encarregue de escolher os Homens do Andor.

Acerca da Festa Pequena já aqui falamos por isso concentremo-nos na Festa Grande. Amanhã a procissão começa logo pela manhã, na Igreja de S. Francisco, onde os Homens do Andor recebem a bênção do pároco, depois da missa. De seguida os mesmos Homens transportam a imagem para o Largo Eng.º Duarte Pacheco, que os Louletanos conhecem por “Estátua”. Retomam a procissão na parte da tarde, cerca das 16 horas, percorrendo as principais artérias da cidade. Chegados ao inicio do cerro a procissão é feita em passo rápido até ao Santuário onde os Homens do Andor depositam a Padroeira para lá permanecer durante o ano.

Terminada a procissão os Homens do Andor continuam o seu percurso e descem em direcção ao centro da cidade, sendo esperados pela população que nas ruas lhes gritam “viva” e “obrigado”, batem palmas e acenam. Terminam o seu percurso no Largo Bernardo Lopes. E porque o Andor pesa cerca de trezentos quilogramas nós sabemos que é a fé do povo unida com a dos Homens do Andor que lhes dá força para conseguirem levar a nossa Padroeira cerro acima.

 

Em 28 de Março de 2007 foi atribuída à artéria que liga a Rua da Nossa Senhora da Piedade à Rua José António Madeira a designação de “Homens do Andor”. Uma justa homenagem aos louletanos que todos os anos transportam o andor de Nossa Senhora da Piedade. A placa toponímica foi descerrada no dia 8 de Abril de 2007, Domingo de Páscoa, durante o decorrer da Festa Pequena.

 

Nota:


1. A informação que a marafada aqui apresenta foi retirada de uma pequena publicação com texto da Dr.ª Luísa Martins, cara colega e amiga para além de excelente historiadora e investigadora, e, mais uma vez, do “Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé”, de Jorge Filipe Maria da Palma.


2. Viva a Mãe Soberana. Viva os Homens do Andor!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
Rabiscado por Lígia Laginha às 06:48 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 24.04.11

O Hino da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Como já foi referido neste blog hoje, Domingo de Páscoa, tem lugar em Loulé uma das mais importantes festividades do nosso concelho. A Festa Pequena em Honra da Nossa Senhora da Piedade ou Mãe Soberana para os louletanos. A nossa padroeira “desce” o cerro para durante uma quinzena ficar na Igreja de São Francisco e ser visitada pelos seus fieis. Depois regressa à sua morada na Festa Grande, festa que atrai a Loulé grande número de pessoas, algumas devotas, outras meramente visitantes curiosos por conhecer a maior festa religiosa a sul do Tejo.


Como a marafada louletana também já referiu a música, nomeadamente executada pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva, é parte integrante e indispensável desta festa. E a música que se ouve entre brados de “Viva à Mãe Soberana” é a marcha ou hino da Nossa Senhora da Piedade que foi composto por Manuel Martins Campina em 1866. De seguida aqui fica a letra que muitos sabem de cor e gostam de cantar em homenagem da “mãe” de todos os louletanos.

 

 

 

 

 

Hino da Nossa Senhora da Piedade


Ó doce Mãe da Piedade,

Ó Maria Imaculada

Sede para sábio e rude

A nossa mãe muito amada

Sede a nossa Protectora,

Ó doce Virgem Maria.

Sede a Rainha, Senhora,

Da nossa terra algarvia.

Sede a nossa Mãe Soberana.

Nossa esperança, amparo e luz.

Sede a Guia carinhosa

Que pobres e cegos conduz.

Terra de Santa Maria,

Ó bendita Mãe de Deus,

Todo o povo em vós confia.

No mar, na terra e nos céus.

 

Notas:


1. A louletana marafada aconselha a vinda a Loulé por alturas da Festa Pequena ou Festa Grande em honra da Nossa Senhora da Piedade por estas serem festividades únicas em que a fé e a devoção se unem ao espírito profano e à alegria do povo.

 

2. E VIVA À MÃE SOBERANA!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
Rabiscado por Lígia Laginha às 07:16 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 17.04.11

Festividades Louletanas (I) - Festa da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito às festividades que têm lugar no Concelho de Loulé. As festas e romarias são sem sombra de dúvida uma marca indelével da etnografia de um povo. Assim sendo, não podíamos deixar de parte esta componente do povo louletano que o define enquanto tal. Lanço o desafio aos comentadores de acrescentarem algo que lhes pareça relevante e alerto desde já para o facto do “Marafações de uma louletana” apenas pretender dar um “cheirinho” sobre cada tema sem o aprofundar demasiado.


E como a Páscoa está aí comecemos então pela maior festa religiosa a sul do Tejo, ou seja, a Festa da Mãe Soberana ou Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Loulé. Esta festa, exemplo inequívoco do que é o culto Mariano, perpetua-se desde 1553 e anualmente, por altura da Páscoa, atrai à região milhares de pessoas. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a cidade de Loulé prepara-se meticulosamente para receber a sua padroeira que desce do Cerro da Piedade para a Igreja de São Francisco, numa procissão que mistura o fervor religioso com o espírito profano da festa. Esta procissão centrada no “descer” da Mãe Soberana designa-se de Festa Pequena. Quinze dias depois da mesma ocorre então a denominada Festa Grande que é o ponto alto deste evento religioso e consiste no processo inverso, isto é, a padroeira é levada em ombros pelos oito Homens do Andor Cerro acima até à sua morada, ou seja, a Ermida da Nossa Senhora da Piedade. Logo ao inicio da tarde, depois da celebração da eucaristia, inicia-se a chamada Procissão Solene em que a procissão percorre as principais ruas da cidade de Loulé. O ponto alto da mesma procissão é efectivamente a subida para o Santuário que se faz a um ritmo regulado pelo som da banda filarmónica Artistas de Minerva entre foguetes e flores, acenos de lenços e vivas. O Andor da Mãe Soberana pesa cerca de dezoito arrobas pelo que ladeira a cima se revela no esforço aplaudido por todos que vêem nos Homens do Andor verdadeiros heróis ao serviço da fé. A festa termina com fogo-de-artifício que ocorre nessa noite junto ao Cerro da Piedade.


Muito mais haveria a dizer sem dúvida mas para isso convido todos quantos se interessarem por esta temática a consultar inúmeros trabalhos existentes sobre o tema.


Nota:


1. A marafa louletana aconselha a leitura dos vários artigos relacionados com a Mãe Soberana publicados no jornal “A Voz de Loulé” da autoria de João Chagas Aleixo. Este trabalho que já conta com dezenas de textos é indispensável para quem quiser saber mais acerca desta Festividade e símbolo da comunidade louletana.


2. Pontualmente voltaremos a esta temática que tem também a sua vertente patrimonial entre outras.

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:38 link do post | Comentar | Marafações predilectas

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