Conselhos aos banhistas

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje neste blog marafado decidi transcrever um artigo que encontrei no jornal "O Algarvio" de 29 de Setembro de 1889. Este artigo intitulado "Conselhos aos banhistas" pretende, como o próprio nome indica, dar dicas aos banhistas, nomeadamente os que frequentavam a praia de Quarteira, sobre a forma como se haviam de comportar e as regras que deviam cumprir na sua ida a banhos. Sendo que a época balnear está aí achei oportuno este post e acreditem que o artigo é deveras engraçado. Então aqui vai:

 

Conselhos aos banhistas

 

“N´esta epocha em que uma grande parte dos habitantes d´esta e outras províncias frequenta as praias julgamos conveniente dar alguns conselhos, que são sempre muito proveitosos porque constituem a synthese de uma longa experiencia e dos trabalhos dos médicos mais eminentes.

Não se deve entrar na água com o corpo ainda em activa transpiração, porque então é muito difficil a reacção pois que o corpo tem perdido a sua maior energia na secreção do suor; também o banho não deve ser tomado com o corpo frio, por ser n´este caso muito difficil estabelecer-se a reacção. É portanto necessário que se dêem alguns passeios, antes de entrar no mar, passeios que dêem ao corpo um certo calor, o bastante para que se estabeleça a necessária reacção.

Não é conveniente tomar o banho, sem que sejam passadas quatro ou cinco horas da última refeição; e para evitar as gravíssimas consequências de se tomar o banho, quando se não acha feita a digestão, é preferível tomar o banho pela manhã, ainda em jejum.

A immersão deve fazer-se de uma só vez, nunca aos poucos, como vemos fazer os indivíduos mais temerosos do mar, recebendo sempre as ondas de lado, ou mergulhando ou elevando-nos com ellas. E tudo isto por forma que o corpo se conserve em movimento.

O banho deve demorar mais de dez minutos e menos de quinze nos adultos, diminuindo-se o tempo para com os anémicos, os velhos, e as crianças, as quaes apenas devem ser conservadas n ´agua pelo tempo de cinco minutos.

O segundo arrepio que se experimentar na água é o signal dado pela própria organisação para a sahida do mar, e , sahindo, deve passeiar, e nunca ficar parado a contemplar o mar; porque se acha provado que n´este último caso a reacção pára immediatamente.

A estação dos banhos deve ser de vinte e cinco a trinta dias; e nunca o banho deve ser tomado no próprio dia da chegada à praia, mas dois ou três dias depois.

Ao medroso, ou qualquer que, por motivos poderosos, não possa entrar na água do mar, ainda assim é altamente conveniente o passeio até às praias.

A athmosphera marítima influe beneficamente sobre os nossos pulmões, demonstra Garnier; e Bayle fundando-se nas estatísticas dos hospitaes à beira mar sustenta a salubridade das praias.

E para chegar-se a este resultado basta conhecer-se os elementos componentes da água do mar.

A athmosphera marítima, ventilada continuamente pelas brisas limpas, menos fria no inverno, e mais fresca no estio, deve às partículas salinas, de que estão impregnadas as camadas inferiores, as virtudes especiaes; e é por isso mesmo que ella actua de um modo favorável sobre as constituições fracas e temperamentos lymphaticos.

Por isso aconselhamos sempre os banhos de água do mar ou os banhos de ar marítimo.

Esperamos que, observados estes preceitos, os nossos banhistas hão de encontrar nas praias a saúde e o descanço, que aqui lhes apetecemos.”

 

Nota:

 

1. Aos que leram espero que tenham gostado. Vejam bem como com o passar dos anos as ideias mudaram radicalmente. Boa praia para todos! 


Rabiscado por Lígia Laginha às 08:52 link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Marafações predilectas