Quinta-feira, 01.09.11

Festival Didgeridoo FATT 2011

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

De 1 a 3 de Setembro, a Associação Portuguesa de Didgeridoo volta a organizar o Festival de Didgeridoo – FATT 2011. Este evento será a 9ª edição e mantêm o Didgeridoo como cerne deste evento, assim como as culturas do mundo, principalmente a cultura Yolŋu – Aborígene Australiana.

Será novamente na Aldeia do Ameixial, concelho de Loulé.

A edição anterior foi considerada um dos melhores eventos de Didgeridoo da Europa, os objectivos foram superados e as criticas do público foram óptimas.

A abertura do festival decorrerá a 1 de Setembro à noite com performances de fogo de Mark Juggler ( Crowlin Circus ) e jam sessions. As principais actuações serão no dia 2 e 3. Além dos concertos o evento é repleto de master-class, workshops e outras actividades para todo o público, dinamizadas por excelentes professores e monitores, para quem deseja aprofundar conhecimentos em diversas áreas.

No recinto do festival terá artesanato local e internacional, destacando a venda de vários instrumentos.  Com o objectivo de continuar a oferecer a melhor qualidade aos nossos visitantes, o recinto do evento foi melhorado e o parque de campismo terá mais condições para oferecer.

 

Nota:

 

1. Para quem não sabe o que é o Didgeridoo:

 

Didgeridoo é um instrumento musical de sopro, consistindo de um tubo oco, geralmente de madeira. Normalmente tem forma cilíndrica ou cónica, de comprimento variável. O som varia conforme o tipo de material, comprimento, espessura, diâmetro, forma e técnica de tocar. Funciona como um amplificador, mas também altera os sons provocados pelos lábios, língua cordas vocais, bochechas, palato, glote, diafragma, etc. São incontáveis as variações sonoras que podem ser criadas. 
Pode ser construído a partir de vários materiais como: bambu, madeira, agave, tubo de PVC, vidro, plástico, papelão, couro, cerâmica, etc. Pode ser feito de qualquer material que possa, natural ou artificialmente, tornar-se um tubo rígido. O Povo Yolngu utiliza tradicionalmente o eucalipto, visto que existem térmitas que tornam naturalmente ocas estas árvores. Este fenómeno existe apenas em algumas regiões da Austrália com um ecossistema particular.

Uma das lendas que contam a Origem do Didgeridoo:
"No início, tudo era frio e escuro. Bur Buk Boon ia preparar madeiras para o fogo, a fim de levar a protecção do calor e da luz para a sua família. Ao procurar madeira para a fogueira, Bur Buk Boon reparou num tronco oco e uma família de térmitas que o ocupava. Como não queria ferir as térmitas, Bur Buk Boon soprou para o interior do tronco. As térmitas foram lançadas em direcção ao céu nocturno, tornando-se nas primeiras estrelas a iluminar a paisagem. É devido ao movimento arqueado de Bur Buk Boon que distinguimos hoje a Via Láctea. Foi esta a primeira vez que o som Didgeridoo abençoou a Mãe Terra, protegendo-a com este som vibrante para a Eternidade..."

Acredita-se que o Povo Yolngu é a mais antiga das culturas existentes actualmente. Ainda hoje transmitem cuidadosamente algumas das suas tradições mais ancestrais, em geral sob a forma de canções e histórias. Muitas destas são acompanhadas por um Didgeridoo, que não só serve como acompanhamento musical, mas que transmite ainda uma camada adicional de significado aos rituais em que se utiliza.

A maioria dos estudiosos do assunto considera que a palavra "Didgeridoo" é uma onomatopeia (palavra cuja pronúncia imita o som natural da coisa significada), inventada por ocidentais. Mas alguns consideram possível que seja uma derivação de duas palavras irlandesas: dúdaire ou dúidire, que tem vários significados, como "corneteiro", "fumante inveterado", "soprador", "pescoçudo", "abelhudo", "aquele que cantarola", "cantor de canções populares com voz macia e aveludada", e a palavra dubh, que significa "negro", ou duth, que significa "nativo".

Na Austrália, há pelo menos 45 sinónimos para o nome Didgeridoo, dependendo da tribo ou da região. Estão entre esses sinónimos: bambu, bombo, kambu e pampuu, todos directamente se referindo a bambu, o que indica, entre outros estudos, que os primeiros Didgeridoos eram feitos de bambu. Há outros sinónimos que, na linguagem dos aborígenes, também têm alguma relação com bambu: mago, garnbak, illpirra, martba, jiragi, yiraki e yidaki, sendo esses dois últimos os nomes mais usados para Didgeridoo pelos aborígenes australianos.

A palavra ocidental Didgeridoo, sendo uma onomatopeia, pode ser escrita de diversas formas: didjeridu, didjeridoo, didgeridu, bem como as formas abreviadas didge, didj, didg...
Os povos Aborígenes utilizam diversos nomes específicos para cada tribo, clã ou região, tais como: yidaki, yedaki, yiraki, yiraga, yili-yiki, ulpirra, ilpirra, uluburu, kanbi, ganbi, ganbag, djalupi, djalupun, gunbark, mako, larwah, aritjuda, gurrmurr, lidding, džalubbu, ngorla, morlo, wuyimbarl, morle, dawurr, eboro, gurulung, kalumbu, yiraka, aritjuda, o-mol, garnbak, martba, jiragi, ngarrriralkpwina, yirtakki, wuyimba, artawirr, djibolu, martba, kurmur, ngaribi, paampu, bambu, entre outros.

 



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Quarta-feira, 31.08.11

Ainda os figos

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar de figos. No Algarve não há Verão sem eles e os figos são um dos componentes mais emblemáticos da nossa gastronomia.

 

O figo algarvio sempre teve grande nome, principalmente seco.

 

Os figos poderão dividir-se em dois grandes grupos, os brancos e os pretos ou “pintos”. 

 

Comem-se frescos ou secos e com eles fabrica-se também aguardente.

O primeiro figo a aparecer é o lampo sendo a primeira camada pelo São João e só se come fresco. Em meados de Agosto amadurecem os que se conservam pela secagem.

Reconhece-se o momento em que se devem colher pela inclinação que toma o fruto pois que o figo que até então se mantinha numa posição sensivelmente horizontal, inclina-se quando está maduro.

A figueira é uma árvore que pouco sofre com as variações atmosféricas, mas o seu fruto pode ser destruído pelas chuvas. Por outro lado, requer algum cuidado, sendo indispensável a cava para a sua manutenção. Reproduz-se por estaca e enxertia de borbulha.

A apanha do figo efectua-se de meados de Agosto a meados de Setembro, o que corresponde à da amêndoa e da alfarroba. Varejam-se igualmente com canas e põem-se ao sol a secar em esteiras também de cana.

 

Os figos secos acamam-se numa canastra e entre as várias camadas põe-se funcho e ervas doces. Sobre a última assenta pesada pedra para que os figos fiquem bem acamados e não se estraguem.

 

Outros são torrados sem ou com recheio de amêndoa.

 

E pronto... Eis um pouco mais sobre essa delícia que são os figos.

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Terça-feira, 30.08.11

Lendas louletanas (I) - A Lenda da Moura Cassima

 

Boa tarde caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

A etnografia é uma das partes mais importantes da cultura de um povo. Dessa etnografia fazem parte lendas e mitos que durante gerações se foram perpetuando. Hoje este blog marafado inaugura uma nova rúbrica que tem por objectivo dar a conhecer um pouco mais da etnografia das gentes louletanas. Loulé é uma terra de mouras encantadas e de entre estas a mais famosa é Cassima:

 

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia
Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas Zara, Lídia e Cassima que era a mais nova.

Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível cativeiro. Contudo o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger deixando as suas filhas para trás.

Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um “carregamento” de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.

Já no palacete o mouro perguntou ao Carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família, este sem perder um segundo disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água iria-se afogar no oceano, dando-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) diz-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa abraçando a sua mulher, logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.

Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por ele estarem escondidos, então ela pega numa faca afim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando a faca num de imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.

Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador, logo que pode pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia volta a aparece-lhe outra bela rapariga que desaparece no ar diante dele. Por fim atira o 3º e grita pela filha mais nova do ex-governador, nada acontece, ele volta a grita por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte, que lhe diz que não pode sair dali devido a curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher, esta diz que a perdôa e que tem uma coisa para a mulher deste pois jamais poderá sair daquela fonte e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte…

No caminho o Carpinteiro para ver melhor a beleza do cinto coloca-o em redor de um troco de um grande carvalho, mas de imediato a arvore cai por terra, cortada cerce pelo cinto fantástico.

Benzendo-se e rezando o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! Sua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!…

Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparece-se, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz – principalmente nas vésperas de S. João – ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá….

 

Nota:

 

1. Retirado do site "Lendas de Portugal"

 

2. A imagem apresentada intitula-se "Moura Cassima" e consiste num acrílico sobre tela da autoria do jovem algarvio João Espada.

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Segunda-feira, 29.08.11

EXPOSIÇÃO DE JOÃO VAZ DE CARVALHO E JOÃO CASTRO E SILVA

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Foi inaugurada este sábado, 27 de Agosto, pelas 19h00, a Exposição conjunta de João Vaz de Carvalho e João Castro e Silva, patente ao público na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, em Loulé, até 29 de Outubro.

João Vaz de Carvalho nasceu no Fundão em 1958. O contacto e vivências com a ruralidade envolvente viriam a marcar profundamente o seu trabalho e a sua linguagem pictórica. Nos anos 80, instala-se em Coimbra na oficina de Vasco Berardo, onde irá trabalhar entre 1981 e 1984 no desenho, na pintura e na cerâmica. É a partir de 1987 que começa a expor o seu trabalho, passou por inúmeras galerias, entre as quais, Altamira, Edicarte, Miron-Trema, Novo Século, entre outras.
Com vários trabalhos publicados em livros e na impressa nacional, por exemplo no “Diário de Notícias”, João Vaz de Carvalho é também uma presença constante na Bienal Ilustração Portuguesa, sendo o vencedor do 1º prémio Ilustrare 2005. Para além destes, tem participado também em outras exposições de referência na área da ilustração, como por exemplo o Prémio Stuart de desenho de Impressa e o World Press Cartoon.

 

 


Representar um corpo é isolar uma forma permanente que na realidade não existe, em que os ‘traços inalteráveis’ serão percepcionados num processo que tenta congelar o constante fluxo desse corpo, num estado de imutabilidade. Estes são os princípios que as obras de João Castro e Silva encerram na sua genialidade. 
A Exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 19h00, e aos sábados, das 9h30 às 14h00.

 

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Sexta-feira, 26.08.11

Presidentes da Câmara Municipal de Loulé (V) - Francisco Guerreiro Barros

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falamos de Francisco Guerreiro Barros, louletano que foi Presidente da Câmara Municipal de Loulé entre 1959 e 1961.

 

Francisco Guerreiro Barros nasceu em Loulé em 1993.

Fez na sua terra natal e no Seminário de São José, de Faro, os primeiros estudos. Abandona a vida eclesiástica, pelo advento da República, e matricula-se na Escola Primária Superior e na Escola do Magistério Primário da mesma cidade.

Dedicou-se ao comércio de frutos secos, ligado a uma importante firma louletano-farense.

Entretanto foi nomeado chefe da Secretaria do Liceu de Faro, em 1927, funções que exerceu durante alguns anos.

Foi igualmente vereador, vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Faro, presidente da Câmara Municipal de Loulé, membro da Direcção da Caixa de Providência e Abano de Família do Distrito de Faro, presidente do Rotary Clube de Faro e Presidente da Direcção do Grémio dos Exportadores de Frutos e Produtos Hortícolas do Algarve.

Colaborador assíduo da imprensa regional, cujos artigos abordam temas de cariz económico.

Terá tomado posse como Presidente da Câmara Municipal de Loulé no decurso do ano de 1959, sendo que surge como tal em documentação de 9 de Junho de 1960. Durante a sua presidência instala-se definitivamente a Biblioteca Municipal com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, no edifício dos Paços do Concelho. É dada continuidade ao trabalho no plano educacional, de construções de escolas e cursos nocturnos para adultos e de estudo de localização da Escola Industrial e Comercial de Faro.

Francisco Guerreiro Barros morreu em Faro no ano de 1974.

 

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Quinta-feira, 25.08.11

Património Louletano (VII) - Ermida de Nossa Senhora da Conceição

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar de património e a escolha recaiu sobre a Ermida de Nossa Senhora da Conceição:

 

As origens deste pequeno templo remontam a meados do século XVII. Pensava-se que tinha sido construído da parte de fora das muralhas medievais, adossado a uma das portas então existentes, no local onde as Visitações da Ordem Militar de São Tiago de 1565 referem ter existido um nicho. No entanto, novas revelações vieram pôr de parte esta suposição. 

Na sequência da Restauração da Independência, nas Cortes de 1646, D. João IV emitiu um voto de acção de graças, consagrando Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal. Ordenou, então, que se colocasse às entradas das cidades e vilas uma lápide evocativa deste acontecimento. A lápide existente na fachada principal da Ermida de Nossa Senhora da Conceição de Loulé parece corresponder, não só aos desígnios do Rei D. João IV, mas também ao impulso que motivou a construção do templo, surgindo a data de 1656 como o ano provável do início das obras.
Para além dos elementos característicos do Estilo Chão, detectáveis na utilização da planta de nave única e na sobriedade da fachada, nomeadamente nos vãos e nos enrolamentos do ático, referem-se como especificidades deste templo, a ausência de capela-mor, o revestimento total da fachada da Ermida com cantaria e o encontrar-se ladeada por habitações.
Em meados do século seguinte, a Confraria de Nossa Senhora da Conceição das Portas da Vila foi responsável pela renovação da ornamentação interior da Ermida, resultando desta intervenção uma das mais interessantes manifestações artísticas setecentistas do Algarve. No entanto, algumas intervenções posteriores têm descaracterizado a ornamentação deste templo: a abertura de uma porta na parede do lado do evangelho e a consequente destruição de um dos painéis de azulejaria; a construção de um coro alto; a pilhagem de azulejos na parede do fundo e a completa destruição da pintura da cobertura, restando somente uma tela pintada e em mau estado de conservação.
Foi classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto-Lei nº35443, de 2 de Janeiro de 1946.
Entre 1743 e 1747 foram eleitos como responsáveis desta Confraria, Diogo de Sousa e Sarre, para Juiz, Henrique da Costa Pestana, para Escrivão, e Brás Camacho Navarro, para Recebedor. Apresentavam como projecto ornamentar o interior do templo. Para tal contrataram, no dia 20 de Dezembro de 1743, com o escultor farense Miguel Nobre, a feitura do retábulo, pelo preço de 350 réis. O dito escultor deveria fazer esta obra "conforme o risco que se lhe entregou" e transportá-la de Faro para Loulé, dando o trabalho concluído até 1745.
Por sua vez, Diogo de Sousa e Sarre, o mais prestigiado pintor algarvio, comprometeu-se, juntamente com o seu colega de ofício, Rodrigo Correia Pincho, também morador em Loulé, a dourar, pintar, estofar e encarnar, não só a talha mas também as imagens do Arcanjo S. Miguel e do Anjo da Guarda, até ao dia da padroeira, no ano de 1747.
O retábulo, enquanto elemento proeminente do conjunto arquitectónico, determinou o programa decorativo a realizar. A "cornija" de Talha, que percorre as paredes da Ermida, é a continuação do entablamento do retábulo e serve de delimitação aos painéis de azulejaria figurativa, cujo esquema iconográfico é a continuação da temática mariana, já apresentada no retábulo.
Atendendo a que a talha deveria estar colocada no seu lugar até Dezembro de 1745, é natural que a azulejaria tenha sido posta simultaneamente, desconhecendo-se não só a oficina lisboeta que a realizou, mas também o mestre local que a encomendou e assentou.
Os azulejos apresentam já alguns elementos do formulário rocaille, nomeadamente nos concheados das cercaduras das cartelas, onde se lêem inscrições latinas.
O esquema iconográfico apresentado no retábulo, permite-nos conhecer as devoções desta Confraria e, particularmente, dos seus responsáveis.
O local das diversas representações escultóricas obedece a uma hierarquia. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, orago deste templo, ocupa o lugar principal, no centro da tribuna. Segue-se o Menino Jesus, colocado no nicho superior. Depois surge Sant'Ana, a mãe da Virgem, no centro da banqueta. O pai e o marido da Virgem, respectivamente, S. Joaquim e S. José, preenchem as peanhas dos intercolúneos. Finalmente, sem ligação com a temática mariana, o Anjo da Guarda e o Arcanjo S. Miguel estão na banqueta ao lado de Sant'Ana.
Pelas afinidades formais de todas estas esculturas com as restantes representações figurativas existentes no retábulo, pode-se deduzir terem sido feitas pelo mesmo entalhador, o mestre Miguel Nobre.
Na "Monografia do Concelho de Loulé", Ataíde de Oliveira refere que "o tecto desta Ermida em 1841 estava maravilhosamente pintado pelo insigne pintor desta vila, o célebre Joaquim José Rasquinho. Hoje essa pintura foi substituída por trabalho a gesso (...) tendo ao centro um lindo quadro alusivo à assumpção da Virgem, obra do nosso insigne pintor Rasquinho, e que, antes da reforma do tecto, já ali existia".
É provável que a cobertura deste templo apresentasse uma ornamentação coeva e semelhante à que hoje existe na Ermida de Nª Srª da Piedade, em Loulé, onde no meio da pintura em perspectiva e do período rocaille, pontua uma tela respeitante à padroeira.

A Câmara Municipal de Loulé, conjuntamente com a Paróquia de S. Clemente, candidatou a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, de Loulé, ao Prémio Igreja Segura, organizado por várias entidades nacionais, entre elas o Instituto Superior de Polícia Judiciária. Após o concelho de Loulé ter ganho o Prémio Igreja Segura, no ano de 2005, a autarquia começou a desenvolver esforços para a recuperação do referido espaço. No ano de 2007 iniciaram as obras de conservação e restauro das estruturas interiores e exteriores. Durante este período procederam-se a escavações no interior deste espaço religioso, que vieram a revelar a existência da Porta de Portugal (uma das portas do castelo, cuja localização era desconhecida) no interior da Ermida. No mesmo período, quando se estava a retirar o reboco da parede de fundo da sacristia, ficou a descoberto um dos torreões do castelo.

No dia 29 de Novembro, de 2008, pelas 15h, procedeu-se à cerimónia de inauguração do restauro da Ermida de Nossa Senhora da Conceição, tendo sido apresentado o livro “Plano de Emergência Interno. Projecto Igreja Segura – Igreja Aberta”, mais um instrumento para a salvaguarda e protecção do património material.

 

Nota:

 

A Ermida de Nossa Senhora situa-se na Rua Dom Paio Peres, em Loulé, e pode ser visitada nos seguintes horários*:

 

- De segunda a sexta: das 10h00 ao 12h30 e das 14h às 19h

 

- Sábados: Das 9h30 às 14h.

 

* Estes horários correspondem ao periodo de Verão que decorre até 17 de Setembro. 

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Quarta-feira, 24.08.11

O que os algarvios comem (XIII) - Figos cheios

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje continuamos a falar dos frutos secos e trago-vos uma das iguarias algarvias que mais se confeccionam com os mesmos: Figos cheios.

 

Então, segundo a Confraria dos Gastrónomos do Algarve, aqui fica a receita:

 

Ingredientes:

Para cerca de 40 figos

  • 1 kg de figos secos ;
  • 250 grs de amêndoa ;
  • 125 grs de açúcar ;
  • 25 grs de chocolate em pó ;
  • 2,5 grs de erva doce ;
  • raspa de limão q.b. ;
  • canela q.b.

Confecção:

A amêndoa é moída. Junta-se-lhe o açúcar, o chocolate, a canela, a erva-doce, a raspa de limão e mistura-se tudo muito bem.
Pega-se nos figos e puxa-se o pé de modo que fiquem com uma forma alongada.
Com uma faca afiada dá-se-lhes um golpe vertical. Por esta abertura enchem-se os figos.
Fecham-se e disfarçam-se por onde foram recheados.
Levam-se ao forno a torrar.

 

Nota:

 

1. Para os figos serem cheios devem ser postos a secar anteriormente, isto é, ser dispostos sobre esteiras de cana ao sol até estar prontos para suportar o corte e serem cheios com a amêndoa e restantes ingredientes;

 

2. Os figos não têm necessáriamente de ser cheios com esta mistura. Há quem os encha apenas com miolo de amêndoa, inteiro ou corto ao meio. Podem também, ao invés de lhes dar um golpe vertical, dar-lhe a forma de uma estrela e colocar-lhe posteriormente os miolos de amêndoa;

 

 

 

 

3. Normalmente, depois de torrados os figos são unidos entre si por uma linha formando uma espécie de colar;

 

4. Bom apetite!

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Terça-feira, 23.08.11

A época do varejo

 

 

Outrora principal actividade económica do interior algarvio, a cultura dos frutos secos, com destaque para a alfarroba, para a amêndoa e para o figo, continua a ser um dos símbolos do Algarve. Ainda que já poucos se dediquem ao trabalho no campo, chegado o mês de Agosto pode ouvir-se o som do varejo (assim se chama no Algarve a apanha dos frutos secos) um pouco por toda a terra marafada. O varejo é um trabalho duro, não tão duro como no passado devido às melhorias em termos de transporte dos frutos desde do local da apanha até ao sitio onde serão armazenados, e marcadamente manual.

Para o varejo convêm ir logo de manhã bem cedinho, pois a essa hora o calor ainda não aperta, e levar uma bucha, ou seja, uma espécie de lanche que pode consistir num bocado de pão, azeitonas, peixe frito ou toucinho e é consumido quando se faz uma pequena pausa no trabalho. A bucha é geralmente uma altura de convivio entre aqueles que "andam à alfarroba". 

 

Mas afinal o que é o varejo?


O varejo ou apanha dos frutos secos é feito como uma vara bem comprida, de madeira ou de cana, que é utilizada para sacudir os ramos das árvores (varejar) e fazer cair os frutos das mesmas. Os frutos caem no chão, previamente limpo (nós dizemos “arraspar as farrobeiras”), ou então sobre toldos, isto é, panos que são colocados no chão antes de começar a varejar.

Depois de apanhados, os frutos são transportados em alcofas de empreita até aos recipientes próprios onde ficarão armazenados. No caso das alfarrobas e das amêndoas esses recipientes são sacas de linho ou serapilheira, no caso dos figos usam-se canastras grandes de vime e cana.

Para transportar os frutos desde da terra até casa utilizam-se maioritariamente tractores agrícolas, contudo, antigamente, na falta destes transportes, recorria-se aos burros e às mulas.

Chegadas a casa do agricultor, as alfarrobas são guardadas tal qual como se encontram, isto é, ensacadas, já as amêndoas têm de ser descascadas, ou seja, é-lhes retirada a casta externa e depois são colocadas ao sol. Os figos, na sua maioria, são igualmente colocados ao sol sobre esteiras de cana. No passado as pessoas reservavam um sítio próprio no quintal para colocar as esteiras com os figos, a este sítio chamava-se “almenchar”.

Futuramente estes frutos secos, sobretudo a alfarroba, são vendidos a comerciantes que pagam um determinado valor por cada arroba (15 quilos).

Dantes considerava-se o dia 29 de Setembro, dia de São Miguel, como o dia oficial em que terminava o “varejo” e se iniciava o chamado “rabisco”. O rabisco era uma época em que se considerava que os frutos ainda presentes nas árvores já não seriam colhidos pelos seus proprietários e por isso qualquer pessoa o podia fazer.

E é isto o varejo: Uma marca das gentes marafadas que nos dias mais quentes de Verão açoitam as alfarrobeiras e fazem o negro fruto cair no chão.

 

Nota:

 

1. Na imagem podemos ver alguns dos utensílios do varejo como são a vara, os toldos ou panos, as sacas e a alcofa.

 

 

 

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Segunda-feira, 22.08.11

Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

O Concelho de Loulé possui cerca de 51,3 % da sua superfície classificada como área protegida, incluindo as áreas correspondentes às Áreas protegidas de Âmbito Local (paisagem Protegida Local da rocha da Pena e Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola), Parque Natural da Ria Formosa e Rede Natura 2000.

 

A Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola fica situada nas Freguesias de Querença e Tôr, ocupando uma área de 392ha, em pleno Barrocal Algarvio. A área protegida é atravessada pela Ribeira da Menalva, onde existe água durante todo o ano, o que contribui para que a sua fauna e flora seja rica e diversificada.

Existem mais de 300 espécies diferentes de plantas nesta Paisagem Protegida Local. O facto de existirem solos xistosos, solos calcários e uma ribeira tem contribuído para esta variedade. Além da flora existem também mais de 100 espécies de aves que fazem os seus ninhos nas encostas do vale e nas margens da ribeira, dos quais se destaca o Guarda Rios, Abelharuco e a Águia de Bonelli.

O património construído desta Paisagem Protegida está ligado à água, nomeadamente o moinho de água, as levadas, as noras e os açudes.

 

Nota:

 

1. Aqui fica o link para quem estiver interessado em  saber mais sobre a Fonte  Benémola: http://www.cmloule.pt/upload_files/client_id_1/website_id_1/files/Ambiente/flt_fonte_benemola.pdf

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Domingo, 21.08.11

O Centro Interpretativo dos Frutos Secos

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

A alfarroba, os figos e a amêndoa têm tido ao longo dos tempos um papel bastante importante na economia do Algarve. Embora em diminuição essa importância continua a existir pois os frutos secos são parte fulcral da nossa doçaria e, em suma, das nossa tradições.

 

Neste sentido existe em Loulé, localizado na Rua Gil Vicente, n.º14, um Centro Interpretativo dos Frutos Secos. Este Centro, que foi inaugurado em Dezembro de 1998, apresenta uma pequena unidade fabril de produção e comercialização de frutos secos desactivada na década de oitenta do século passado. A empresa de “Francisco Joaquim Bota & Filhos, Lda”, cuja sociedade por quotas foi estabelecida a 1 de Julho de 1943, estava vocacionada para a transformação e comercialização de figos, amêndoas e alfarrobas.

O Centro Interpretativo é composto por um único espaço de exposição de longa duração. No espaço expositivo pode observar-se uma máquina de partir amêndoa e uma máquina de triturar alfarroba, para além de alguns exemplares de frutos secos, fotografias e gravuras alusivas aos trabalhos de varejo e apanha desses frutos secos, os quais possibilitam aos visitantes o contacto directo com os processos tradicionais e uma melhor compreensão e conhecimento desta actividade socioeconómica no concelho de Loulé.

 

Nota:

 

1. Em plena época de varejo (os frutos secos para cairem da árvore-mãe têm de ser varejados, normalmente com uma cana comprida) aqui fica uma interessante sugestão. Visitem este Centro que está aberto nos dias úteis das 9h00 ao 12h30 e das 14h00 às 17h30. Aos sábados podem visitar esta exposição das 10h às 13h00.

 

2. A imagem publicada mostra uma máquina de partir amêndoas, máquina esta que pode ser observada no Centro Interpretativo de Frutos Secos.

 

 

 

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Sábado, 20.08.11

O Cine Teatro Louletano

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falamos de um ex-libris da Cidade de Loulé: O Cine Teatro Louletano

 

O Cine Teatro manteve-se ao longo de 75 anos de existência como propriedade da Sociedade Teatral Louletana, constituída em 1925 com o objectivo de “construir um teatro e suas dependências, a respectiva exploração em todas as suas manifestações de arte dramática, lírica, cinematográfica, concertos musicais, serões e conferências artísticas e em tudo o mais que lhe é próprio, excepto comícios políticos”. De entre o nome dos seus fundadores estavam Alberto Rodrigues Formosinho, António Maria Frutuoso da Silva, Artur Gomes Pablos, David Evaristo d'Aragão Teixeira, Dr. Joaquim Cândido Pereira de Magalhães e Silva, José da Costa Ascenção,José da Costa Guerreiro, José Martins Júnior e Manuel dos Santos Pinheiro Júnior que investiram um capital social de 180 contos divididos em nove quotas de 20 contos, ao qual se juntaram dois terrenos, um deles adquirido em hasta pública à Câmara Municipal de Loulé.

A inauguração oficial do teatro deu-se a 19 de Abril de 1930 mas, entre 15 e 23 de Março, já funcionara como cinema.

Na inauguração actuou a Companhia Teatral, da grande actriz Ilda Stichini, da qual faziam parte os artistas Clemente Pinto, Luz Veloso, Luís Prieto, Joaquim Oliveira, Alves da Costa, Maria Lagoa, Fernanda de Sousa e outros mais. Apresentaram a peça “Se eu quisesse”; no segundo dia “Os Filhos” e no terceiro “O Tambor e o Guiso”.

Para além das autoridades concelhias, estiveram, presentes nesta cerimónia autoridades distritais como o Governador Civil, o Secretário Geral e outras, além de muitos populares de Faro, Olhão, S. Brás, etc..

Durante décadas passaram por este palco grandes figuras da cena como Alves da Cunha, Berta de Bívar, Chaby Pinheiro, companhias de revista, etc., e mais recentemente alguns dos melhores actores nacionais como Maria do Céu Guerra ou Raul Solnado.

No que concerne ao cinema, foram ali projectadas películas de fama mundial que encheram por completo aquela que é considerada a mais importante sala de espectáculos do Algarve.

Após vários anos de negociação difícil e burocrática com os proprietários do Cine Teatro Louletano, a Câmara Municipal de Loulé adquiriu, em 2003, este ex-líbris cultural da cidade, do concelho e de toda a região. Ao longo dos tempos, o papel desempenhado pela autarquia em termos de promoção dos eventos realizados neste espaço, bem como da manutenção do edifício, foi fundamental para que o Cine Teatro não fechasse as suas portas ou não chegasse mesmo a ser demolido, apesar deste ser um edifício de domínio privado.

Ao longo dos anos, a Câmara Municipal tem levado a efeito obras de conservação e modernização deste imóvel de forma a satisfazer as exigências dos espectáculos de qualidade que, cada vez mais, farão parte do cartaz de animação deste local, com excelentes condições acústicas e de espaço para acolher grandes eventos, oferecendo uma maior comodidade aos seus usufruidores.

 

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Sexta-feira, 19.08.11

O que os algarvios comem (XII) - Arroz de Lingueirão

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje trago-vos um prato muito tipico do litoral algarvio: arroz de lingueirão.

 

Ingredientes:
Para 4 pessoas

  • 1,2 kg de lingueirão ;
  • 400 grs de arroz ;
  • 1 dl de azeite ;
  • 100 grs de cebolas ;
  • 2 dentes de alho ;
  • 1 folha de louro ;
  • 3 cravos de cabecinha ;
  • 200 grs de tomates frescos ;
  • 1 pimento verde pequeno ;
  • 1 dl de vinho branco seco ;
  • sal q.b. ;
  • pimenta q.b.

Confecção:

Lave bem os lingueirões em água fria.
Pique os alhos e a cebola muito fino. Retire os pés aos tomates e escalde estes em água quente. Depois, tire-lhes a pele e as sementes e corte em dados pequenos. Em seguida, retire, também, as sementes ao pimento, lave-o e corte igualmente em dados pequenos.
Leve um tacho ao lume. Ponha dentro os lingueirões e cubra com água, até abrirem.
Depois de abertos, retire os miolos do lingueirão e lave os mesmos para libertar de impurezas.
Passe o caldo onde cozeu os lingueirões por um passador fino, para dentro duma tijela.
Lave o tacho e leve novamente ao lume. Coloque dentro o azeite e deixe aquecer. Em seguida, deite os dentes de alho, a cebola, a folha de louro e os cravos de cabecinha.
Deixe alourar mexendo com uma colher de pau. Adicione o pimento e os tomates. Junte o vinho e deixe refogar. Adicione, também, o caldo onde cozeu os lingueirões e os miolos.
Deixe ferver. Junte o arroz, tempere com sal e pimenta e coza cerca de 15 minutos no forno.

 

Nota:

 

1. Bom apetite!

 

2. Os lingueirões são moluscos bivalves, que se encontram protegidas por duas conchas articuladas num ponto.
De composição sememelhante á carne e ao peixe, os bivalves possuem, no entanto, menor quantidade de proteínas (8-13%) e um teor baixo de gordura (0,7-1,7%). Contudo, contêm cerca de 100 mg de colesterol por 100g, o que é um teor considerável.
Ricos em ferro, fornecem ainda algumas vitaminas B1 e B2 e o mexilhão é muito rico em vitamina A.
Os bivalves, porque vivem nas zonas costeiras onde as águas são mais poluídas e devido á sua grande capacidade filtradora, podem acumular tóxicos presentes na água e ser causa de patologias digestivas, ou outras. Por esse motivo é  arriscado recolher ou comprar bivalves de locais sem vigilância.
Devem ser adquiridos muito frescos, se possível ainda vivos e consumidos no próprio dia ou no dia seguinte. A sua frescura é reconhecida pelas cascas fechadas ou que fecham quando são tocadas. Conchas  abertas, muito leves e/ou de som oco devem ser rejeitadas.
Antes de confeccionados  devem ser deixados em água e sal para que libertem areia e outros resíduos que possam conter. Actualmente, é possível adquirir bivalves congelados ou em conserva, de boa qualidade.

 

 

A louletana está:
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Quinta-feira, 18.08.11

5.º Surfóreggae Summer Edition 2011

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Amanhã, 19 de Agosto, Quarteira recebe a 5.ª edição do Surfóreggae. Este evento terá lugar no Passeio das Dunas, junto ao Porto de Pesca de Quarteira.

 

As actividades desportivas, a animação e a música são os pontos altas do evento que este ano conta no cartaz com a Batida, Marrokan, Sons of Revolution e um aftershow com os Stepline Project.

 

O recinto abre as portas às 21h00.

 

Os bilhetes têm um custo de 6 euros (pré-comprados) e 10 euros (comprados no próprio dia), e vão estar à venda nas aulas de Fitness da “Quarteira Activa”, Ericeira Surfshop (Fórum Algarve e AlgarveShopping), Sun Planet (Fórum Algarve), Yucca Jeans Stores (Loulé) e Optimax (Marina de Vilamoura).


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Quarta-feira, 17.08.11

Presidentes da Câmara Municipal de Loulé (IV) - Eduardo Delgado Pinto

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje voltamos a falar daqueles, que em determinada altura, estiveram à frente dos designios da nossa autarquia. E o eleito é Eduardo Delgado Pinto:

 

Eduardo Delgado Pinto nasceu em 1918.

Director da Farmácia Pinto durante 30 anos, a primeira sessão que preside enquanto Presidente da Câmara Municipal de Loulé data de 10 de Março de 1965. Continuando a obra do seu antecessor, José João de Ascensão Pablos, promove a beneficiação das fontes públicas, a construção de casas para magistrados e a construção da rede de esgotos de Quarteira. Saliente-se também a reparação de arruamentos nas sedes das freguesias, a aprovação do projecto da Pousada de Juventude em Quarteira, a electrificação da Ponte de Salir, a construção de lavadouros públicos em S. Clemente e Alte, o projecto de abastecimento de água em Vilamoura, etc.

A última sessão que assinou data de 24 de Fevereiro de 1969.

Faleceu em Faro no dia 8 de Outubro de 1976.


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Terça-feira, 16.08.11

Colecção visitável da cozinha tradicional

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

A Colecção Visitável da Cozinha Tradicional fica localizada na Rua Dom Paio Peres Correia, em pleno centro histórico, no 1º piso do edifício da Alcaidaria do Castelo.

Esta exposição pretende mostrar uma fracção da vida rural do concelho que, pouco a pouco, vai sendo substituída pelo progresso tecnológico, económico e social. O espólio desta colecção visitável é numeroso e diversificado, do qual constam, entre outros, o tabuleiro e a tábua para tender a massa para o pão, talheres e utensílios de cozinha em alumínio, a mó para moer o milho de cuja farinha se faz o xarém, pratos, travessas e tachos de cobre e arame, cabaças e cocharros de cortiça.

Para além da exposição permanente, decorrem mostras pontuais de tradições relacionadas com o contexto rústico que se pretende recriar, como é o caso do Presépio Tradicional Serrano, que fica em exposição durante o período natalício, ou a Maia que, a partir do primeiro dia de Maio, assinala a chegada da Primavera e o início de um novo ciclo da vida.

 

 

Uma das peças que se pode encontrar entre esta colecção é o referido cocharro, utensilio de cortiça que servia essencialmente para beber água. Já bebi várias vezes por um cocharro e acreditem que a água sabe melhor!

 

Nota:

 

1. A cozinha tradicional, tal como os restantes espaços do castelo e o museu de arqueologia, pode ser visitada pela módica quantia de 1,50€. Crianças e reformados não pagam.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:42 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Sexta-feira, 12.08.11

Dia Internacional da Juventude em Loulé

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje é Dia Internacional da Juventude, efeméride que será assinalada um pouco por todo o país, incluindo em Loulé.

Assim, hoje, pelas 18h30, o Convento de Santo António, em Loulé, recebe a Conferência “Novas Tendências”, apresentada por João Vasconcelos.

João Vasconcelos é fundador e director do Canal 180 de OSTV, disponível na Zon, o primeiro canal da televisão portuguesa dedicado à cultura e criatividade.

 

Nota:

 

1. A entrada é livre.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:50 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Quinta-feira, 11.08.11

Património Louletano (VI) - O castelo de Loulé

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falemos um pouco de um dos atributos patrimoniais de maior importância da Cidade de Loulé: O castelo.

 

O castelo de origem árabe, reconstruído no séc. XIII, possuía um grande perímetro amuralhado, parte do qual ainda é visível.

Voltada para a Rua da Barbacã destaca-se uma torre albarrã, de alvenaria, datada da Baixa Idade Média. Outra das torres visíveis é a denominada Torre de Vela, também esta uma torre albarrã, de taipa, localizada na antiga Rua da Corredoura, actual Rua Engenheiro Duarte Pacheco, e perto desta destaca-se a Porta de Faro, que ainda conserva traços da primitiva construção almóada. No arrabalde sul, ou Mouraria, à saída da Porta de Faro, após a reconquista, foi destinada uma área aos mouros forros que receberam foral de D. Afonso III, em 1269. Era nestas ruas que estariam localizadas as instalações artesanais, a comprovar pelos topónimos outrora ou ainda hoje existentes.

Não existem vestígios da primitiva alcáçova, no entanto pressupõe-se que estaria situada no mesmo local onde hoje se encontra a alcaidaria que alberga vários espaços culturais (Museu Municipal; Cozinha Tradicional; Centro de Documentação com hemeroteca, fototeca, bibliografia e estudos variados sobre a história local e regional, personalidades, acontecimentos e outros).

Conservam-se, pela cidade, as muralhas almóadas de taipa, construídas, ou pelo menos, reforçadas no século XII, as quais são visíveis em pequenos tramos, camuflados por casas que foram sendo construídas adossadas à mesma, e outros panos de muralha que foram sendo descobertos em recentes intervenções efectuadas pela autarquia.

 

Nota:

 

1. A marafada faz saber que a partir desta semana e até 17 de Setembro os espaços visitáveis albergados pelo Castelo (Cozinha tradicional e Museu de Arqueologia) possuem o seguinte horário:

 

- De segunda a sexta-feira: 10h00 - 19h00

- Sábado: 9h30 - 14h

 

Visite-nos! 

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Quarta-feira, 10.08.11

Ilustres Louletanos (XV) - Rogério Fernandes Ferreira

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje decidimos homenagear um ilustre louletano de seu nome Rogério Fernandes Ferreira:

 

Agraciado em 1998 pela Câmara Municipal de Loulé com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro, Rogério Fernandes Ferreira nasceu a 27 de Junho de 1929, em S. Clemente, freguesia de Loulé. De origens humildes, fez toda a sua instrução em Loulé, sem que tivesse possibilidades de estudar em Faro. Por morte da mãe e tendo o pai emigrado para a Argentina, Rogério Fernandes Ferreira abandonou os estudos aos quinze anos e começou a trabalhar na secção de Despacho da EVA- Empresa de Viação Algarve. Pouco depois, veio viver para Setúbal, onde entre outros empregos, trabalhou numa mercearia e retomou os estudos.

Terminou em 1947 a Escola Comercial e Industrial com a mais alta classificação (18 valores) e, em 1949, entrou para o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, sem nunca ter deixado de trabalhar e acabou o curso em 1954, com a classificação de 15 valores. Em 1966, licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa. E doutorou-se em 1983.

Além da sua actividade como professor catedrático, em Portugal e no estrangeiro, publicou em revistas e jornais inúmeros artigos e livros sobre gestão, contabilidade, auditoria, fiscalidade, entre outros temas.
Foi membro da comissão de Reforma Fiscal (1985/88), foi presidente da Comissão para a Revisão do IRS (1998) e da Comissão para a Revisão do IRC e Anteprojeto de Unificação (1999/2000). Foi também o primeiro presidente da Comissão de Normalização Contabilística de Portugal.

Faleceu a 12 de Julho de 2010.

 

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Terça-feira, 09.08.11

O que os algarvios comem (XI) - Queijo de figo

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Os figos são um dos frutos mais apreciados em terras algarvias. Comem-se logo após serem colhidos da figueira ou colocam-se ao sol para secar. Os figos secos com amêndoas são uma das iguarias que os marafados mais degustam.

Os figos são também grandemente utilizados na doçaria algarvia, assim como a alfarroba e a amêndoa. Nesse sentido, hoje escolhi uma receita bem docinha: Queijo de Figo.

 

Ingredientes:

 

1 kg de Figo

500 grs. de Miolo de amêndoa

300 grs. de Açúcar

25 grs. de Chocolate em pó

5 grs. de Canela

1 Colher de sopa de erva doce

1 Chávena de água

1 Cálice de medronho

Raspa de limão q.b.

 

Preparação:

 

Moem-se os figos e as amêndoas grossamente.

Num tacho colocam-se os seguintes ingredientes: chocolate, erva-doce, canela, raspa de limão, medronho, açúcar e um pouco de água. Vai ao lume e mexe-se até ficar tudo ligado. Seguidamente mistura-se a amêndoa e o figo e mexe-se até ficar uma massa homogénea, retira-se do lume e deixa-se arrefecer.

Finalmente, retirando pequenos bocados, molda-se esta massa em forma de pequenos

queijos.

 

Nota:

 

1. Bom proveito!

A louletana está: com água na boca
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Segunda-feira, 08.08.11

Freguesias do Concelho de Loulé (V) - Boliqueime

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje falemos de Boliqueime:

 

Boliqueime, sede de freguesia, situa-se na encosta de uma pequena colina à vista do mar e tocando, já, o barrocal. "Vizinha do Mar", terá ido buscar o nome, aos Olhos de Água, segundo defende Ataíde Oliveira, num tempo em que Genoveses, Sicilianos e Venezianos, pelos séculos XIII, XIV e XV, andavam na faina pesqueira pelos mares do Algarve e ali se abasteciam de água potável.O "Povo Velho", a poucos passos da povoação e antiga sede da freguesia, foi destruído pelo terramoto de 1755 que deitou por terra o templo medieval de três naves. Já na encosta e rodeada pela povoação propriamente dita, a Igreja actual foi construída logo em 1759 e dedicada ao mártir São Sebastião. 

Lugar relevante é o que ocupam, ali e na piedade tradicional do povo de Boliqueime, o altar e a bonita imagem de Nossa Senhora das Dores. A sede da freguesia é constituída por um aglomerado habitacional com algumas casas típicas, ruas estreitas com recantos acolhedores. Boliqueime é uma vasta freguesia rural que compreende uma área de 4.139 ha, com cerca de 5.000 habitantes, que se distribuem por vários sítios que constituem aglomerados dispersos.Estende-se, na linha nascente-poente, sobre um largo e bonito horizonte que tem por fundo o mar, circunstância que vem assinalada no nome de um dos seus sítios, que escolheu para si a designação de Maritenda, que significa, justamente, a que se estende sobre o mar. 

Estende-se para o interior, no sentido sul-norte, desdobrando-se em férteis campinas e em graciosas colinas, algumas delas já viradas para a serra. A excelência da paisagem e o superior acolhimento da sua gente constituem forte atracção para nacionais e estrangeiros que de longe a visitam e a escolhem para residência.Os valores da ruralidade caracterizam a freguesia de Boliqueime, que vive fundamentalmente da agricultura de sequeiro e de regadio. E vive, também, do comércio que se localiza próximo do aglomerado urbano e na Fonte de Boliqueime, ao mesmo tempo que se estende ao longo da E.N. 125. 

Mantêm-se vivas, ali, algumas tradições, tais como as feiras de 4 de Agosto e 17 de Outubro; a festa em honra de Nossa Senhora das Dores, São Luís e São Sebastião, em Setembro; a festa de São Faustino, no Domingo de Pascoa. De tradição mais recente, celebram-se ali, em meados de Junho, as festas de São João.Boliqueime começa a estar dotada de equipamentos sociais significativos e tem uma vida associativa que revela alguma dinâmica, com diversas colectividades culturais, desportivas e recreativas. Entre outros equipamentos de incontestável interesse público, são de destacar: o Lar da Terceira Idade com o Centro de Dia, a Creche e o Jardim de Infância; a moderna Escola Básica Integrada; a nova extensão do Centro de Saúde de Loulé; o Pavilhão Gimnodesportivo e a Sociedade Recreativa.Boliqueime reune, efectivamente, condições que lhe permitem um crescimento harmonioso. 

Do ponto de vista geográfico, a natureza a colocou no coração do Algarve e dotou-a com a riqueza paisagística e do solo: Está servida por uma boa rede de comunicações e a sua própria história a dignifica. O querer, o saber e o ser da sua gente lhe asseguram a possibilidade de um crescimento promissor, integrado. Do ponto de vista humano, mantém vivos os valores, os saberes e os sabores que dão expressão à vida em comunidade.São filhas de Boliqueime figuras de destaque como Cavaco Silva, Lídia Jorge, Aliete Galhoz, Carminda Cavaco, Ruivinho Brazão, entre outros.

Para além da agricultura e do comércio, o turismo pode vir a constituir uma mais valia para a freguesia de Boliqueime. O órgão de informação local, "O Correio Meridional", poderá vir a servir a promoção de uma das mais interessantes freguesias do Concelho de Loulé.

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