Património Louletano (II) - Convento de Santo António

 

 

Boa tarde caríssimos visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Hoje este blog marafado vai dar-vos a conhecer mais um pouco do património cultural, histórico, religioso e arquitectónico da nossa querida cidade louletana. E o eleito é o Convento de Santo António:


O primeiro Convento dos Capuchos de Santo António, da Ordem de S. Francisco dos Capuchos da Província da Piedade, que existiu em Loulé, estava localizado a Sul do actual edifício. Tal acontece porque inicialmente era aconselhado aos frades mendicantes que construíssem os seus conventos longe das povoações de forma a melhor cumprir os seus deveres místicos e religiosos. Mais tarde houve uma mudança de preferência para locais próximos dos meios urbanos facilitando o cumprimento do peditório do pão, celebração de missas aos devotos e a recolha de esmolas. Assim, o antigo Convento quinhentista foi abandonado dando lugar a um edifício mais próximo da povoação.

Nos séculos XVI e XVII a acção mecenática da parte da Coroa e da Nobreza favoreceu o aparecimento dos conventos. Em Loulé, os instituidores do primeiro Convento de Santo António foram D. Nuno Rodrigues Barreto e sua mulher, D. Leonor de Milão, os quais foram aí sepultados depois de falecer. Posteriormente, os seus restos mortais foram transladados para uma capela do novo Convento. Actualmente, podemos ver a lápide dos instituidores nos claustros do convento.

A construção do novo Convento iniciou-se em 1675 num terreno cedido por André de Ataíde. A primeira pedra foi lançado elo então bispo do Algarve, D. Francisco Barreto II, em 11 de Agosto de 1675. As obras terminaram a 22 de Junho de 1691.

A arquitectura sóbria obedece às linhas dos outros conventos da Província da Piedade. Ao longo dos anos sofreu diversas alterações, sobretudo depois do terramoto de 1755 e da extinção das Ordens Religiosas em 1834.

O claustro do convento, de planta quadrada, mantém ainda a sua forma original. É composto por três arcos por banda, assentes em pilares de pedra, rectangulares. Os arcos são de volta perfeita no piso inferior. No piso superior, os arcos são abatidos e atestam ser de um período posterior aos arcos primitivos. O piso térreo tem abóbadas e o superior não possui algum fecho. A Igreja era de planta rectangular, com abóbada de berço e tinha três altares.

A cerca do Convento constituía um elemento identificativo do seu conjunto, e nela encontravam-se os pomares, a horta e o jardim, onde era abundante a água. Os frades eram auto-suficiente e subsistiam através do trabalho agrícola e da produção de azeite, esta última atestada pelo engenho de lagar ainda existente nas traseiras do edifício.

Após a extinção das Ordens Religiosas em 1834, o convento foi usado como armazém, fábrica de curtumes e habitação. Actualmente aí se realizam eventos culturais tais como exposições, espectáculos e outros.

Foi considerado Imóvel de Interesse Público pelo Decreto-Lei n.º 181/70, de 28 de Abril.


Nota:


1. Informação retirada de um  desdobrável com texto da Dr.ª Luísa Martins.

Rabiscado por Lígia Laginha às 18:29 link do post | Comentar | Marafações predilectas