No tempo dos alguidares de barro

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje decidi falar-vos de um utensílio que pouco a pouco foi desaparecendo do quotidiano devido à sua substituição pelos plásticos e esse utensílio é o alguidar de barro. Alguidar é uma palavra de origem árabe, de al-gidâr, e este utensílio foi mais um legado que os mouros nos deixaram. O alguidar de barro vermelho era uma peça essencial no ambiente doméstico dos meus pais e avós, sendo as suas utilidades inúmeras: era nele que se amassava e deixava a massa a levedar para fazer o pão, era para este alguidar que se cortavam as carnes do porco durante a desmancha, era no alguidar que se deixava o chamado “migado”, isto é, carne de porco com calda de pimentão que servia para encher a tripa do porco e fazer chouriças, era no alguidar que se lavava a loiça, etc.

Quando por descuido o alguidar se partia não era deitado fora. Chamava-se o “conserta alguidares e mais uma caterva de coisas” e este, através de uma técnica muito própria, colocava-lhe uns “gatos”, isto é, espécie de grandes agrafos que uniam as partes partidas do alguidar e o tornavam a vedar dando-lhe mais uns anitos de vida.

Haviam alguidares dos mais variados tamanhos, dependendo das tarefas a que se destinavam, e alguns ostentavam um determinado tipo de decoração.

Nos dias de hoje o plástico leva a dianteira, no entanto, por essa serra algarvia são muitos os que não dispensam o alguidar de barro.

 

Nota:

 

1. Na imagem podem ver um alguidar de barro com alguns dos "gatos" que referi.


 

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:47 link do post | Comentar | Marafações predilectas