Sábado, 30.04.11

O que os algarvios comem (II) - Favas

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje a marafada decidiu voltar a falar em comidinha. Afinal o que é que nos tráz de pé?? 

 

Sobretudo na época em que estamos, altura em que já estão prontas a colher, as favas são um dos pratos predilecos do povo algarvio. Enquanto planta da família das leguminosas, a fava adapta-se perfeitamente bem aos climas mediterrâneos e sabe-se hoje que é consumida desde tempos remotos. Os gregos, os romanos e alguns povos do Médio Oriente incluiam na sua alimentação a fava. A fava é muito rica em proteínas e carboidratos, embora pobre em vitaminas. Nas regiões do Interior, nos inicios da Primavera, podem ver-se as hortas repletas desta cultura e o povo a apanhar as favas que são posteriormente descascadas. Para quem desconhece a constituição da fava podemos dizer que se trata de uma planta não trepadeira que produz vagens dentro das quais se encontram as sementes comestiveis. As cascas também eram consumidas em alguns pratos em tempos dos nossos antepassados mas hoje são aproveitadas sobretudo para a alimentação do porco, da cabra ou da ovelha.

 

São muitas as formas de cozinhar as favas e os outros alimentos às quais as juntam. Alguns apreciam favas com choco, outros favas guisadas e outros ainda as chamadas favas de alhada que tem por base as favas já secas e não acabadas de colher. A marafada louletana decidiu apresentar uma receita que é retirada do site http://www.gastronomias.com e que é aquela que mais se aproxima da forma como a minha mãe prepara as favas.

 

Então aqui vai a receita de "Favas à Algarvia":

 

Ingredientes:
Para 4 pessoas

  • 800 grs de favas (descascadas) ;
  • 150 grs de chouriço preto (morcela) ;
  • 150 grs de chouriço vermelho ;
  • 2 dentes de alho ;
  • 1 quarto de dl de azeite ;
  • 150 grs de bacon ou toucinho entremeado fresco ;
  • 1 molho de coentros, rama de alho e de cebolam

Confecção:

Descasque as favas. Lave em água fria e escorra num passador.
Leve um tacho ao lume. Adicione um pouco de água, junte as favas e coza cerca de 8 minutos.
Escorra as favas e retire-as do tacho. Descasque os dentes de alho e pique fino.
Corte o chouriço preto e o vermelho ás rodas e o bacon em fatias pequenas.
Leve novamente o tacho ao lume, depois de lavado e limpo. Deite o azeite e deixe aquecer. Junte o alho e deixe alourar, sem queimar. Em seguida, junte as favas e um pouco de água. Tape e deixe cozinhar.
À parte, numa frigideira frite as carnes. Junte ás favas que estão a cozinhar e mexa envolvendo as carnes com favas. Deixe apurar.
Polvilhe com coentros, ramas de alho e de cebola picadas.


Nota:

 

1. Experimentem e vão ver como é saboroso. No caso de não terem favas frescas podem comprar congeladas e tentem usar chouriço de tipo caseiro.

 

2. Cuidado com o colesterol!

 

3. Não mandem ninguém à fava por que é falta de educação :)

 

A louletana está: com água na boca
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Sexta-feira, 29.04.11

Ilustres Louletanos (V) - Pedro de Freitas

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje este blog marafado volta à rúbrica "Ilustres Louletanos" e traz-vos um defensor e apologista da sua terra Natal chamado Pedro de Freitas.

 

Pedro de Freitas nasceu em Loulé, no Largo do Carmo, em 1894. Louletano, autodidacta e escritor popular, chegou a ser apelidado de "Embaixador de Loulé", dado o seu esforço para manter vivas as tradições e feitos desta vila, hoje cidade. O primeiro contacto de Pedro de Freitas com a música, onde se destacaria maioritariamente, deu-se em 1902. Em 1903 foi viver para Faro e em 1904 para Olhão, completando a instrução primária numa e noutra localidade. Mais tarde regressa a Loulé onde se emprega como caixeiro de uma mercearia, continuando em simultâneo a aprendizagem da música na Sociedade "Artistas de Minerva". Em 1916 era ferroviário, guarda-freio dos comboios e no ano seguinte parte para a guerra, em França. Aí narra um dos episódios de guerra numa carta que alguns meses mais tarde acaba por ser publicada num jornal. A partir daí, Pedro de Freitas nunca mais deixou de escrever. Em 1926, regressado a Portugal, entra na luta pró Variante do Caminho de Ferro para Loulé, mantendo-se acerrimamente na mesma até 1946. Aquela que Pedro de Freitas descreve como a sua "maior proeza bairrista" foi, no entanto, a grande luta que travou para trazer a Loulé o Batalhão de guerra a que pertencia, o Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-ferro, comandado pelo General Raul Esteves. Conseguiu este feito e assim honrou Loulé. A visita do Batalhão e a Festa da Mãe Soberana fizeram convergir a esta cidade milhares de pessoas. Enquanto soldado do referido Batalhão, Pedro de Freitas foi construindo uma espécie de diário que deu corpo ao seu primeiro livro intitulado "As minhas recordações da Grande Guerra". Mais tarde, em 1950, com o livro "História da Música Popular em Portugal", alcançou grande sucesso mesmo em termos internacionais. Esta última obra é também dedicada pelo autor a Loulé. Em 1961, Pedro de Freitas recebe o convite do Senhor Governador Geral da Índia Portuguesa, General Vassalo Silva, para o visitar e escrever um livro. Pedro de Freitas visita então Goa, Damão e Diu e através do que observou escreveu a obra "Eu Fui à Índia". Neste mesmo ano, enquanto membro da Comissão Cultural da "Casa do "Algarve", em Lisboa, cargo que ocuparia durante dez anos, Pedro de Freitas deslocou-se à histórica aldeia de Alvor para defender a ideia da criação da Casa - Museu do Rei D. João II. Durante a sua vida activa Pedro de Freitas escreveu quinze livros, sendo um dos mais importantes "Quadros de Loulé Antigo", monografia da sua terra natal que conheceu diversas edições sendo a primeira de 1964. Pedro de Freitas faleceu no Barreiro em 1987 com 93 anos.

 

Nota:

 

1. Pedro de Freitas doou um imenso espólio à Câmara Municipal de Loulé. Esse espólio, rico em fotografias, cartas e objectos vários, encontram-se hoje no Castelo de Loulé e permite o aprofundamento dos conhecimentos acerca da história e etnografia locais.

 

2. O livro "Quadros de Loulé Antigo" embora escrito de forma apaixonada e muitas vezes instintiva não pode deixar de ser tido em conta como uma obra importante que nos leva ao Loulé dos inicios do século XX e nos transmite as vivências do autor, as tradições da época que infelizmente se vão perdendo, entre outros aspectos que fazem desta monografia um livro único para quem quer traçar a história da cidade louletana. A marafada recomenda a sua leitura.

 

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Quinta-feira, 28.04.11

O que os algarvios comem (I) - A tiborna

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Loulé é o maior concelho dessa região maravilhosa que é o Algarve. Dividido entre o Litoral, a Serra e o Barrocal, é um concelho cuja gastronomia é rica e variada. Enquanto no Interior, Serra e Barrocal, predominam os pratos confeccionados com feijão, grão, favas, ervilhas e os doces à base de figo, amêndoa, alfarroba… no litoral podemos apreciar as cataplanas e os arrozes de mariscos vários.

Assim sendo este blog não podia deixar de vos dar a conhecer o que os marafados comem e umas dicas sobre a confecção dessas iguarias fantásticas.


Mas para começar trouxe-lhes aquilo que talvez não se possa chamar um prato na verdadeira acepção da palavra mas antes uma espécie de acepipe ou pequena degustação. A tiborna é o que nós algarvios chamamos a pão, torrado ou cru, molhado no azeite. O azeite é parte integrante da nossa dieta alimentar quase desde sempre já que a oliveira adapta-se muito bem às nossas condições climatéricas e aos nossos solos mediterrâneos. Há zonas em que ao azeite num prato alguns juntam alho e sal mas a tiborna que a marafada está habituada consiste pura e simplesmente em deitar algum azeite num prato e molhar lá o pãozinho quente. Lembra-me bem dos tempos em que a minha avó cozia o pão no forno a lenha e mal o tirava de lá fazíamos umas tibornas. Hoje a tiborna é sobretudo feita para experimentar o azeite novo, ou seja, aquele acabado de vir do lagar.

 

E pronto espero que experimentem fazer isto em casa pois não é perigoso e vão ver que descobrem novos sabores na simplicidade de um bocado de pão molhado em azeite.


A louletana está: com água na boca
Cantiga: Ó rama, ó que linda rama, ó rama da oliveira :)
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Quarta-feira, 27.04.11

Conferência "Mãe Soberana dos Louletanos: A Alma de um Povo"

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

O post de hoje é meramente informativo e assim sendo fiz um copy past da notícia directamente do site da Câmara Municipal de Loulé (www.cm-loule.pt). Leiam e fiquem elucidados. Acreditem que é algo a não perder, sobretudo pelos louletanos que são devotos da Mãe Soberana. Contamos com a vossa presença!

 

"A 30 de Abril, sábado, pelas 15h00, na Sala da Assembleia Municipal, João Chagas apresenta a Conferência “Mãe Soberana dos Louletanos: a Alma de um Povo”.

Na semana que antecede a Festa Grande em homenagem à Nossa Senhora da Piedade, o conferencista irá tentar responder a várias questões relacionadas com este singular culto. Como e quando surgiu esta extraordinária devoção? Como é que se desenvolveu este peculiar culto? A importância das populações rurais no desenvolvimento deste culto. Como e quando surgiu a tradição dos Homens do Andor? Qual o significado desta Imagem para os habitantes do Concelho de Loulé? Qual o significado desta Imagem no contexto da região algarvia?

 

João Romero Chagas Aleixo nasceu em Lisboa, em 1980. Depois de realizados o ensino primário, básico e liceal em Loulé, ruma até Lisboa para prosseguir os seus estudos universitários. Em Lisboa frequenta o quarto e último ano da licenciatura em Economia na Faculdade de Ciências Económicas e Empresarias da Universidade Católica Portuguesa. Interrompe a licenciatura em Economia, faltando, apenas, um semestre para finalizá-la, para se matricular no curso de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde, presentemente, é aluno finalista.

Em 2003 e 2004 integrou a Comissão das Comemorações dos 450 anos da Edificação da Ermida da Nossa Senhora da Piedade.

Em 2003 e 2004 foi co-comissário da exposição intitulada “A Nossa Senhora da Piedade na Imprensa Regional”. Em 2004 foi, ainda, co-autor do catálogo da exposição “Mãe Soberana – o culto, as gentes, o património”.

Desde de 1 de Agosto de 2007 é colaborador regular do jornal “A Voz de Loulé”, onde assina uma coluna de investigação sobre a História Local. As suas investigações incidem nos seguintes temas: o culto à Mãe Soberana, a vida e a obra do Poeta Aleixo, as filarmónicas louletanas, figuras ilustres de Loulé, entre outros temas relacionados com a História Local. Desde que iniciou a sua colaboração com “A Voz de Loulé” já assinou oitenta artigos de investigação, sendo quarenta e cinco relacionadas com o culto à Nossa Senhora da Piedade, Mãe Soberana dos Louletanos, dezasseis respeitantes ao Poeta António Aleixo, sete sobre os Artistas de Minerva, entre outras temáticas.

Em 26 de Março de 2008, a convite da Casa do Algarve em Lisboa, proferiu, no Palácio da Independência, uma conferência sobre a História da Nossa Senhora da Piedade.

Em Janeiro de 2011, a convite do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, publicou o seu primeiro livro intitulado “Ensaios Aleixianos”.


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Terça-feira, 26.04.11

Toponímia Louletana (III) - Rua da Barbacã

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

 

Hoje voltamos à toponímia da nossa querida cidade e falamos de um dos topónimos mais antigos da mesma: a Rua da Barbacã.

Barbacã ou barbacãs eram estruturas defensivas comuns nas fortificações medievais e que perderam relativa importância com o aparecimento da artilharia. Daí que este topónimo, segundo a obra “O castelo de Loulé” da Dr.ª Isilda Martins, esteja relacionado “com um fosso existente entre a muralha do Castelo e outra mais baixa e de menor espessura que desapareceu”.

A Rua da Barbacã, topónimo nunca oficializado pela Câmara Municipal, tem inicio no Largo Dr. Bernardo Lopes e termina na Praça Afonso III. Constitui assim um “caminho” importante para ter acesso ao centro da Cidade e todos os dias é calcorreada por dezenas de pessoas incluindo aqui pela marafada.

 

Nota:

 

1. Mais uma vez a informação aqui contida foi retirada do “Dicionário Toponímico: cidade de Loulé” da autoria de Jorge Filipe Maria da Palma. A louletana marafada recomenda vivamente este livrinho sobre as ruas da cidade de Loulé.

 

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Domingo, 24.04.11

O Hino da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Como já foi referido neste blog hoje, Domingo de Páscoa, tem lugar em Loulé uma das mais importantes festividades do nosso concelho. A Festa Pequena em Honra da Nossa Senhora da Piedade ou Mãe Soberana para os louletanos. A nossa padroeira “desce” o cerro para durante uma quinzena ficar na Igreja de São Francisco e ser visitada pelos seus fieis. Depois regressa à sua morada na Festa Grande, festa que atrai a Loulé grande número de pessoas, algumas devotas, outras meramente visitantes curiosos por conhecer a maior festa religiosa a sul do Tejo.


Como a marafada louletana também já referiu a música, nomeadamente executada pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva, é parte integrante e indispensável desta festa. E a música que se ouve entre brados de “Viva à Mãe Soberana” é a marcha ou hino da Nossa Senhora da Piedade que foi composto por Manuel Martins Campina em 1866. De seguida aqui fica a letra que muitos sabem de cor e gostam de cantar em homenagem da “mãe” de todos os louletanos.

 

 

 

 

 

Hino da Nossa Senhora da Piedade


Ó doce Mãe da Piedade,

Ó Maria Imaculada

Sede para sábio e rude

A nossa mãe muito amada

Sede a nossa Protectora,

Ó doce Virgem Maria.

Sede a Rainha, Senhora,

Da nossa terra algarvia.

Sede a nossa Mãe Soberana.

Nossa esperança, amparo e luz.

Sede a Guia carinhosa

Que pobres e cegos conduz.

Terra de Santa Maria,

Ó bendita Mãe de Deus,

Todo o povo em vós confia.

No mar, na terra e nos céus.

 

Notas:


1. A louletana marafada aconselha a vinda a Loulé por alturas da Festa Pequena ou Festa Grande em honra da Nossa Senhora da Piedade por estas serem festividades únicas em que a fé e a devoção se unem ao espírito profano e à alegria do povo.

 

2. E VIVA À MÃE SOBERANA!

A louletana está:
Cantiga: Hino da Mãe Soberana
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Sábado, 23.04.11

A arte de bem falar algarvio (IV)

 

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje a marafada louletana traz-vos mais uma rodada de "Algarviadas"

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Gaseada

Sinónimo: Pessoa destravada, maluca

 

Algarviada: Balaio

Sinónimo: Alcofa pequena

 

Algarviada: Calhandro

Sinónimo: Que tem as pernas tortas

 

Algarviada: Ensampado

Sinónimo: Ficar Espantado

 

Algarviada: Espinhela

Sinónimo: Coluna Vertebral

 

Nota:

 

1. Mais uma vez relembro e recomendo as obras em que podem encontrar todas estas palavras: "Algarviadas" de António Vieira Nunes que vai já e felizmente no 2.º volume.

 

2. Falem muito e bom algarvio.

A louletana está:
Cantiga: Corridinho
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Sexta-feira, 22.04.11

Património Louletano (I) - A Ermida da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito à dimensão patrimonial do Concelho de Loulé. Porque as terras louletanas são também ricas em património, sobretudo religioso, e mais uma vez o objectivo da marafada louletana é dar a conhecer um pouco das valências desta linda terra que é Loulé.


E porque no próximo Domingo terá lugar a Festa Pequena em honra da Nossa Senhora da Piedade, acontecimento já referido nesta blog, começamos por elucidar os nossos visitantes sobre a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. É certo que à alguns anos foi construído um novo santuário para a padroeira de Loulé, no entanto, o “Marafações de uma Louletana” centrar-se-á na “velha” capela por ser pelos louletanos a eterna “morada” da Mãe Soberana.

Tendo por base as “Visitações da Ordem Militar de Santiago” de 1565 podemos saber que a Ermida de Nossa Senhora da Piedade foi construída em 1553. O lugar escolhido para a sua edificação foi o alto de um cerro que estava próximo do aglomerado urbano.

Nos finais do século XVI, o padroado deste templo passa para a Câmara de Loulé e esta edilidade assumiu a responsabilidade de organizar a festa principal que teria lugar na “segunda-feira depois das oitavas da Páscoa”.

O retábulo original da capela mor manter-se-á ao culto até princípios do século XVIII, altura em que Filipe Peixoto de Moura, como Reitor da Confraria de Nossa Senhora da Piedade, optou pela feitura de um novo retábulo em talha cuja realização ficaria a cargo do entalhador algarvio Gaspar Martins. Este retábulo seria destruído pelo terramoto de 1755, que destruiu também parte da ermida, nomeadamente a capela mor. Nos anos seguintes foi construída uma nova capela mor onde se encontra o actual retábulo de talha. Este retábulo foi construído em 1760 e a sua feitura é atribuída ao entalhador louletano João da Costa Amado. O douramento teve lugar quatro anos depois e será obra de Diogo de Sousa e Sarre.

As últimas obras de reconstrução ocorreram nos finais do século XIX com a reformulação da fachada principal.

No tecto da Ermida podemos ver um dos seis exemplares de tectos pintados com composições de perspectiva arquitectónica existentes no Algarve. A sua autoria pertence também a Diogo de Sousa e Sarre. Um interessante painel de azulejos de padrão ou de tapete percorre o lambrim desta ermida. As paredes laterais da capela mor e da nave foram ornamentadas nos finais do século XIX com dez painéis pintados sobre estuque com Cenas da Paixão de Cristo. Esta obra terá sido levada a cabo por José Porfírio, pintor de Faro.

Quanto à imagem de Nossa Senhora da Piedade esta mede 90 cm x 40 cm, medidas inseridas no formulário maneirista. Foi provavelmente executada por um imaginário farense nos finais do século XVI ou nos princípios do século XVII. Em 1764 Diogo de Sousa e Sarre estofou a imagem da padroeira.

 

Hoje em dia a Ermida foi alvo de novo restauro e existe uma réplica da imagem da Mãe Soberana presente no novo Santuário.


Nota:


1. A informação aqui contida baseia-se em dados fornecidos pelo Dr. Francisco Lameira, especialista em arquitectura e arte religiosa e com várias obras publicadas sobre o tema.


2. Muito mais haveria a dizer mas este blog pretende dar a conhecer um pouco dos aspectos mais relevantes sobre Loulé e as suas gentes e faz uma abordagem ligeira sobre cada temática. Quem tiver interesse pode sempre procurar saber mais.

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Quinta-feira, 21.04.11

Horizontes do Futuro com Adelino Gomes

 

 

 

Bem-vindos caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje o post colocado pela marafada Louletana visa apenas fazer uma chamada de atenção para o próximo "Horizontes do Futuro", inciativa levada a cabo pela Câmara Municipal de Loulé que tem trazido à nossa santa terrinha nomes como Simone de Oliveira, Santana Castilho, João Cravinho, entre outros. O próximo convidado é Adelino Gomes, jornalista conceituado que foi testemunha dos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 e vem até Loulé falar-nos um pouco sobre isso.

A conferência "25 de Abril: o testemunho de um repórter" irá ter lugar este sábado, 23 de Abril, pelas 16h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé. Adelino Gomes "evocará as suas experiências, de microfone na mão, durante os acontecimentos revolucionários, mas não deixará de fazer incursões comparativas com o papel de velhos e novos media na actualidade nacional e internacional".

Aqui fica uma breve biografia de Adelino Gomes retirada da wikipédia:

 

"Adelino Clemente Gomes (Marrazes, 10 de Agosto de 1944) é um jornalista português.

Estudou Filosofia e Direito na Universidade de Lisboa mas deixou os estudos para se dedicar ao jornalismo. Na rádio foi locutor da Rádio Clube Português e da Rádio Renascença, director de informação e realizador de programas na Radiofusão Portuguesa. Na televisão foi repórter da RTP em 1975, tendo acompanhado acontecimentos como o 11 de Março de 1975, o início da guerra civil em Angola e a guerra civil em Timor. Retomou esse dossier, no Público, jornal que ajudou a fundar, em 1989, e do qual foi director-adjunto e redactor-principal. É co-autor do disco O dia 25 de Abril (duplo álbum com a reportagem sobre a revolução) e dos livros Portugal 2020 (1998), O 25 de Abril de 1974 — 76 fotografias e um retrato (1999), Carlos Gil - um fotógrafo na revolução (2004), As flores nascem na prisão, Timor-Leste - ano 1 (2004) e co-autor de Os dias loucos do PREC (2006). Desempenhou o cargo de Provedor do Ouvinte da RDP (2008-2010) sucedendo a José Nuno Martins.

Leccionou na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (1975-1981), na Escola Superior de Jornalismo do Porto (1986) e na Universidade Autónoma de Lisboa (1992-2002), foi formador no CENJOR - Centro de Formação Protocolar para Jornalistas e coordenou o Curso de Formação de Jornalistas e Animadores de Emissão da TSF".


 

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Terça-feira, 19.04.11

Ilustres Louletanos (IV) - Engenheiro Duarte Pacheco

 

 

 

Bom dia caríssimos visitantes do “Marafações de uma Louletana”.


Hoje na rubrica “Ilustres Louletanos” fazemos homenagem ao Engenheiro Duarte Pacheco. Fazemo-lo antes de mais por ser uma das personalidades mais importantes que Loulé “deu à luz” e também porque hoje, dia 19 de Abril, se celebram 111 anos sobre o nascimento desse homem invulgar que foi Duarte Pacheco.


José Duarte Pacheco nasceu no seio de uma família numerosa em 1900. Órfão de mãe logo aos seis anos e de pai aos catorze recebeu apoio económico do tio. Tirará, com uma média de 19 valores, o curso de engenheiro electrotécnico no Instituto Superior Técnico no qual é professor com apenas vinte e três anos e vindo a dirigir o mesmo Instituto em 1927.

Ainda estudante alinha, em 1919 aquando do levantamento de Monsanto, no Batalhão Académico, na defesa da República. Em 1926, Duarte Pacheco tem ligações com o oficial da marinha também louletano Mendes Cabeçadas e com Cunha Leal, tendo este formado a União Liberal Republicana, que conspira na preparação do golpe militar de 28 de Maio.

Em Abril de 1928, Duarte Pacheco é nomeado ministro da Instrução, cargo que permanece apenas até Dezembro do mesmo ano. Durante este curto período de tempo é incumbido de ir a Coimbra chamar Salazar para fazer parte do governo presidido pelo General Vicente de Freitas.

Em 1932, Salazar preside pela primeira vez a um governo e nomeia Duarte Pacheco para ministro das Obras Públicas e Comunicações.

Em Janeiro de 1938 é nomeado presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Durante sensivelmente nove anos de governação, Duarte Pacheco revolucionou profundamente as obras públicas. Estabeleceu um plano urbanístico para o desenvolvimento de Lisboa, teve um papel preponderante nas infra-estruturas que regularizaram o abastecimento de água à capital, assim como nas obras portuárias, na expansão da rede rodoviária, na construção de edifícios escolares, etc.

As obras que inequivocamente permanecem ligadas ao seu nome são: a construção do viaduto de Alcântara, o estádio Nacional, os edifícios do Instituto Superior Técnico, da Casa da Moeda, do Instituto Nacional de Estatística, do Hospital Júlio de Matos, a Alameda D. Afonso Henriques e outros.

Duarte Pacheco viria a falecer em Setúbal, a 16 de Novembro de 1943, num abrupto acidente de viação. Ficou assim uma obra grandiosa a meio.

Loulé, enquanto terra natal deste notório estadista, erigiu em 1953, no dia em que se celebravam dez anos sobre a morte de Duarte Pacheco,  um monumento em homenagem ao malogrado engenheiro e à sua obra.


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Segunda-feira, 18.04.11

A arte de bem falar algarvio (III)

 

 

Bom dia caríssimos visitantes e amigos do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje trago-lhes o terceiro round desta "arte" de falar bem algarvio.

 

Espero que gostem.

 

Algarviada: Bortuêja

Sinónimo: Comichão

 

Algarviada: Remessa

Sinónimo: Tareia, sova

 

Algarviada: Basculho

Sinónimo: Vassoura

 

Algarviada: Zorra

Sinónimo: Raposa

 

Algarviada: Valado

Sinónimo: Muro de pedra

 

Nota:

 

1. Relembro que estas "algarviadas" e muitas mais podem ser encontradas nos livrinhos de António Vieira Nunes que se denominam exactamente "Algarviadas" e já vão em dois volumes.

 

2. A louletana marafada recomenda: falem muito e bom algarvio.

 

 

A louletana está:
Cantiga: Tia Anica, mana Anica
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Domingo, 17.04.11

Festividades Louletanas (I) - Festa da Nossa Senhora da Piedade

 

 

 

 

Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma louletana”.


Hoje este singelo blog inaugura uma nova rubrica que diz respeito às festividades que têm lugar no Concelho de Loulé. As festas e romarias são sem sombra de dúvida uma marca indelével da etnografia de um povo. Assim sendo, não podíamos deixar de parte esta componente do povo louletano que o define enquanto tal. Lanço o desafio aos comentadores de acrescentarem algo que lhes pareça relevante e alerto desde já para o facto do “Marafações de uma louletana” apenas pretender dar um “cheirinho” sobre cada tema sem o aprofundar demasiado.


E como a Páscoa está aí comecemos então pela maior festa religiosa a sul do Tejo, ou seja, a Festa da Mãe Soberana ou Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade de Loulé. Esta festa, exemplo inequívoco do que é o culto Mariano, perpetua-se desde 1553 e anualmente, por altura da Páscoa, atrai à região milhares de pessoas. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a cidade de Loulé prepara-se meticulosamente para receber a sua padroeira que desce do Cerro da Piedade para a Igreja de São Francisco, numa procissão que mistura o fervor religioso com o espírito profano da festa. Esta procissão centrada no “descer” da Mãe Soberana designa-se de Festa Pequena. Quinze dias depois da mesma ocorre então a denominada Festa Grande que é o ponto alto deste evento religioso e consiste no processo inverso, isto é, a padroeira é levada em ombros pelos oito Homens do Andor Cerro acima até à sua morada, ou seja, a Ermida da Nossa Senhora da Piedade. Logo ao inicio da tarde, depois da celebração da eucaristia, inicia-se a chamada Procissão Solene em que a procissão percorre as principais ruas da cidade de Loulé. O ponto alto da mesma procissão é efectivamente a subida para o Santuário que se faz a um ritmo regulado pelo som da banda filarmónica Artistas de Minerva entre foguetes e flores, acenos de lenços e vivas. O Andor da Mãe Soberana pesa cerca de dezoito arrobas pelo que ladeira a cima se revela no esforço aplaudido por todos que vêem nos Homens do Andor verdadeiros heróis ao serviço da fé. A festa termina com fogo-de-artifício que ocorre nessa noite junto ao Cerro da Piedade.


Muito mais haveria a dizer sem dúvida mas para isso convido todos quantos se interessarem por esta temática a consultar inúmeros trabalhos existentes sobre o tema.


Nota:


1. A marafa louletana aconselha a leitura dos vários artigos relacionados com a Mãe Soberana publicados no jornal “A Voz de Loulé” da autoria de João Chagas Aleixo. Este trabalho que já conta com dezenas de textos é indispensável para quem quiser saber mais acerca desta Festividade e símbolo da comunidade louletana.


2. Pontualmente voltaremos a esta temática que tem também a sua vertente patrimonial entre outras.

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Sábado, 16.04.11

Toponímia Louletana (II) - Rua de Vale Telheiro

 

 

 

 

Hoje o “Marafações de uma Louletana” escolheu como topónimo a apresentar a Rua de Vale Telheiro. E porquê? Perguntam os meus caros visitantes. Porque Vale Telheiro é nem mais nem menos a santa terrinha onde nasceu e foi criada aqui a marafada. Um sítio maravilhoso dentro do fantástico concelho que é Loulé e a apenas dois quilómetros da cidade louletana.


Infortunadamente pouco de concreto há a dizer sobre Vale Telheiro. A documentação é escassa e muito do pouco que se sabe foi transmitido oralmente pelos poucos habitantes “vale telheirenses”, a maioria deles perfazendo hoje oitenta e alguns anos.

De resto Vale Telheiro é apreciado pelos estrangeiros como sítio bafejado pela beleza natural e pelo sossego que tanto agrada aos forasteiros.


Quanto à designada Rua de Vale Telheiro a mesma inicia-se na Rua da Marroquia e tem término no Caminho Municipal 1194, sendo deste modo uma artéria que permite o acesso entre Loulé e a localidade de Vale Telheiro. Este topónimo foi atribuído em 20 de Fevereiro de 2008. Tendo por base informação contida em Actas de Vereação do Século XV deduz-se que o nome “Vale Telheiro” deriva de um “vale onde havia um telheiro ou onde se fabricava telha”.


Assim sendo, aqui está um bocadinho de informação sobre Vale Telheiro e a justa homenagem a um sítio que poucos conhecem mas que tem muito para ver.


Bem hajam todos os visitantes.

 

Nota:


1. Mais Uma vez a informação toponímica aqui contida foi retirada da obra “Dicionário Toponímico: Cidade de Loulé” de Jorge Filipe Maria da Palma. A louletana marafada recomenda a mesma obra por ser na área sobre a qual incide uma das melhores até então.

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Quarta-feira, 13.04.11

Ilustres Louletanos (III) - José Guerreiro Murta

 

Hoje o "Marafações de uma Louletana" escolheu homenagear José Guerreiro Murta. E porque a terra faz os homens e os homens fazem a terra aqui fica mais uma breve biografia, um "cheirinho" que apela a ir mais além.

Bem hajam todos os nossos visitantes.

 

 

 

 

 

 

 

Pedagogo e escritor, José Guerreiro Murta, nasceu em Loulé em 1891. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e,em Filologia Românicapela Faculdade de Letras de Lisboa. Leccionou nos liceus de Faro, de Setúbal e de Lisboa, onde foi Reitor do Liceu Passos Manuel. Publicou na "Colecção Estudar É Saber", de que foi co-fundador, seis volumes sobre o estudo e o ensino da Língua Portuguesa. Em colaboração com João de Barros escreveu "Como se devem ler os Escritores Modernos". Foi autor da "Evocação Histórica do 1º Liceu do País" e "Ensino da Redacção da Língua Portuguesa". Colaborou igualmente com a imprensa dirigindo a revista "A Mocidade", assim como a secção de crítica literária da revista "Alma Nova", criada em 1915. Organizou também o I Congresso das Caixas Económicas Portuguesas, publicando nesta área as obras "O Montepio Geral e o seu Iniciador", e "Caixa Económica de Lisboa ou o Primeiro Mealheiro Público". Foi eleito Presidente do Montepio Geral, onde realizou obras de grande importância. Em 1955, foi condecorado com a Ordem de Benemerência. Recusou cargos políticos, mas participou em trabalhos na Junta Nacional de Educação. Pertenceu ainda à direcção dos Jardins-Escola João de Deus e da Casa do Algarve. Deu diversas conferências em que o tema Algarve foi fulcral. Viria a falecer na cidade em que nasceu em 1979.


 

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Domingo, 10.04.11

A arte de bem falar algarvio (II)

 

Sejam todos bem-vindos ao "Marafações de uma Louletana".

Para quem gostou do primeiro round aqui ficam mais umas quantas "algarviadas".

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Atucho

Sinónimo: Multidão

 

Algarviada: Baraço

Sinónimo: Corda

 

Algarviada: Tem avonde

Sinónimo: Chega

 

Algarviada: Fole

Sinónimo: Acordeão

 

Algarviada: Estrasanda

Sinónimo: Cheira muito mal

 

Nota:

 

1. A marafada louletana volta a lembrar que estas e outras algarviadas podem ser encontradas no livro com o mesmo nome de António Vieira Nunes. As "Algarviadas" de Vieira Nunes já vão no 2.º volume e o "Marafações de uma Louletana" recomenda a sua leitura.

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Sexta-feira, 08.04.11

Ilustres Louletanos (II) - Joaquim Laginha Serafim

Bom dia e bem-vindos ao "Marafações de uma Louletana".

Continuamos a falar de ilustres louletanos e hoje a personalidade escolhida é o Engenheiro Laginha Serafim.

Disfrutem da breve biografia e procurem saber mais se for esse o vosso desejo.

Boas marafações!

 

 

 

 

 

Joaquim Laginha Serafim nasceu em Loulé em 1921 e faleceu em Lisboa em 1994. Licenciado em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico, em 1944, foi convidado a frequentar um curso nos Estados Unidos, destinado a cientistas e engenheiros estrangeiros. Foi professor catedrático das Universidades de Coimbra e de Maputo, e recebeu o grau de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Liége e do Rio de Janeiro. Fez parte integrante de diversas sociedades científicas espalhadas por todo o mundo sendo reconhecida a sua competência na execução de algumas das maiores barragens existentes em várias partes do mundo. Trabalhou em Marrocos, Espanha, Itália, Moçambique, Angola, Venezuela, Estados Unidos da América, Turquia, Brasil, Irão, e em muitos outros paises. Em Portugal contruíu as barragens de Castelo do Bode, Boução, Cabril, entre outras. Foi agraciado com diversos prémios, medalhas e comendas ao longo da vida, por entidades portuguesas, espanholas, inglesas e americanas. Como delegado português visitou mais de cinquenta países, onde participou em congressos e reuniões e realizou centenas de conferências.


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Quarta-feira, 06.04.11

A arte de bem falar algarvio (I)

Como qualquer região também o Algarve tem o seu falar próprio. Loulé, parte integrante e importante desse Algarve, não é excepção. Assim, o "Marafações de uma Louletana" irá dar a conhecer a alguns e recordar a outros algumas das "algarviadas" mais usadas e seus sinónimos no linguajar que todos conhecem.

 

Divirtam-se!

 

Algarviada: Pelengana

Sinónimo: Tigela grande

 

Algarviada: Carcachadas

Sinónimo: Gargalhadas

 

Algarviada: Charingadela

Sinónimo: Crítica ou reparo

 

Algarviada: Andar dim cação

Sinónimo: Andar nu

 

Algarviada: Borrefa

Sinónimo: Bolha na pele

 

Algarviada: Cagaço

Sinónimo: Susto

 

 

Nota:

 

1. Estas belas "Algarviadas" foram tiradas da obra com o mesmo nome de António Vieira Nunes que, felizmente, já vai no 2.º Volume. A marafada louletana recomenda vivamente a leitura deste livrinho.

 

2. Infelizmente, a arte de bem falar algarvio vai-se perdendo e sendo substituída pelos "bués" e pelos "fixes". O "Marafações de uma Louletana" deseja que este processo seja reversível e que a maioria dos verdadeiros algarvios continue a usar tais palavras que são espelho da sua cultura e do seu património etnográfico.

 

 

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Segunda-feira, 04.04.11

Ilustres Louletanos (I) - José António Madeira

 

 

 

 

Como qualquer terrinha que se preze também Loulé tem e teve pessoas que distinguiram nos mais variados ramos. Cabe a este blog dar a conhecer algumas dessas personalidades através da rúbrica "Ilustres Louletanos". Bem hajam e boas marafações.

 

Começamos por José António Madeira:

 

José António Madeira nasceu em Loulé em 1896 e nesta localidade faleceu em 1976. Engenheiro geógrafo e astrónomo, matriculou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra em 1916. No ano seguinte foi admitido na Escola de Guerra, no curso de Artilharia de Campanha. Em 1922 voltou a frequentar a Faculdade supra referida e aí se licenciou em Ciências Matemáticas, incluindo igualmente o curso de Engenheiro geógrafo. Na Faculdade de Letras faz também as cadeiras de História Geral da Civilização, Estética e História de Arte. Em 1925 é requisitado ao Ministério de Guerra pelo Ministério da Agricultura para prestar serviços como Engenheiro geógrafo. No entanto, no ano seguinte inicia uma brilhante carreira como astrónomo, sendo nomeado para o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. Embora não fosse um político, concordou em aceitar o cargo de secretário do seu conterrâneo Engenheiro Duarte Pacheco, quando este foi ministro da Instrução Pública. Mais tarde, no estrangeiro, foi membro da Missão Portuguesa para observação do eclipse total, no Norte da Inglaterra; bolseiro da Junta de Educação Nacional nos Observatórios Astronómicos de Greenwich e Paris; bolseiro do Instituto para a Alta Cultura nos mesmos Observatórios. Paralelamente, José António Madeira realizava investigação sobre diversos assuntos relacionados com o Algarve, vindo a ser dirigente da "Casa do Algarve". Facultou à posterioridade uma vasta bibliografia de cariz científico e ainda referente ao Algarve enquanto região turística. Colaborou com o jornal "O Algarve". Foi agraciado com a Ordem Militar de Cristo; Ordem Militar de Avis e Comenda da Instrução Pública. José António Madeira doou os seus livros à Biblioteca da sua terra natal, doação acompanhada de carta dirigida ao então Presidente da Câmara Municipal de Loulé.

 

Notas:

 

1. Muito do espólio bibliográfico doado por José António Madeira encontra-se hoje no Centro de Documentação situado no Castelo de Loulé. A marafada aconselha a visita a este espaço e o contacto com algumas das obras doadas por este ilustre louletano.

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 07:31 link do post | Comentar | Marafações predilectas
Domingo, 03.04.11

Toponímia Louletana (I) - Rua Dom Paio Peres Correia

 

 

 

 

 

A identidade e a História de uma cidade está directamente relacionada com os seus topónimos. Assim, conhecer a toponímia de um local é também ter acesso à sua cultura, aos acontecimentos e personalidades que se distinguiram nesse mesmo local. Desta forma, uma das rúbricas que fará parte do blog "Marafações de uma Louletana" será a "Toponímia Louletana".

 

 

Começamos pela Rua Dom Paio Peres Correia:

 

A Rua D. Paio Peres Correia tem início no Largo D. Pedro I e finda na Praça da República. Situa-se precisamente nos limites das Freguesias de S. Sebastião e S. Clemente.

Antiga Rua de Nossa Senhora da Conceição ou Rua do Castelo, tomou a actual designação em 26/03/1919.

O topónimo Rua da Nossa Senhora da Conceição devesse ao facto de uma Ermida com o mesmo nome se situar nesta rua. A Ermida de Nossa Senhora da Conceição situa-se junto à Porta da vila medieval, no exterior das muralhas, e foi edificada em meados do século XVII. Na sua fachada está colocada uma lápide evocativa do voto de acção de graças, emitido por D. João IV, consagrando Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal. Construída em Estilo Chão, possui a particularidade de ter a fachada totalmente revestida em cantaria. No interior destaca-se o retábulo em talha, uma obra do escultor Miguel Nobre executada em 1745 e dourada por Diogo de Sousa e Sarre e Rodrigo Correia Pincho.

Voltando à Rua D. Paio Peres Correia, em 1918 a mesma conheceu profundas obras de remodelação, tendo a Câmara, segundo o que se pode ler na Acta de Vereação datada de 13/02/1918, adquirido a José Joaquim Marcelo Adelino Pereira, residente nesta vila, vinte e três metros quadrados de terreno da Rua da Estalagem (outro topónimo pela qual esta rua era conhecida) para alargamento e alinhamento desta. Na intervenção levada a cabo foi demolida a muralha da Alcaidaria e construída, sobre o alicerce da muralha e parte do pátio, uma casa. Esta mesma casa foi adquirida pela autarquia louletana em 1985 para proceder à sua demolição e requalificação do espaço do pátio do Castelo.

Resta-nos falar um pouco do célebre fidalgo que dá nome a esta rua desde 1919. D. Paio Peres Correia (século XIII), notável fidalgo, chefe peninsular da Ordem de Santiago, foi o responsável pela conquista de Loulé aos mouros em 1249. Faleceu em 1275 e encontra-se sepultado na capela-mor da Igreja de Santa Maria de Tavira. 

 

Notas:

 

1. A informação que aqui se apresenta foi retirada da obra "Dicionario Toponímico: Cidade de Loulé" do historiador Jorge Filipe Maria da Palma. A louletada marafada recomenda vivamente esta obra.

 

2. Nesta rua fica situado o Castelo de Loulé, monumento secular que pode ser visitado pela módica quantia de 1 euro e 50 cêntimos. No castelo pode igualmente visitar o Museu de Arqueologia, a Cozinha tradicional e desenvover investigações de carácter histórico e etnográfico no Centro de Documentação. Este espaços encontram-se abertos ao públicos nos dias de semana entre as 9 horas e as 17h30 m. Cozinha, Museu e Muralhas também acessíveis ao Sábado até às 14 horas. Bem hajas todos os os visitantes.

 

Até à próxima marafação :)

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:29 link do post | Comentar | Marafações predilectas

Apresentação

Bem-vindos ao blog "Marafações de uma Louletana".

Caros marafados e marafadas este é um espaço que pretende unica e exclusivamente dar a conhecer melhor as terras de Loulé e a suas gentes. 

Enquanto maior Concelho do Algarve, Loulé merece que se divulguem as suas histórias, a sua tradição e a sua identidade.

Este blog não tem qualquer objectivo político e a ele todos podem aceder independentemente da sua aptência partidária, religiosa ou outras.

Sem mais desejo a todos os que por aqui passarem boas marafações.

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:20 link do post | Comentar | Marafações predilectas

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