Horizontes do Futuro com Eunice Muñoz

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hoje, pelas 21h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, Loulé recebe Eunice Munõz, uma das mais prestigiadas actrizes portuguesas de todos os tempos. Eunice Munõz irá dar uma conferência inserida no ciclo "Horizontes do Futuro" cujo tema será "Uma vida dedicada ao teatro". Nesta apresentação a actriz irá falar sobre a sua vivência em cima do palco, ao longo de mais de sete décadas, partilhando com o público momentos únicos na sua carreira e fazendo também uma reflexão sobre a importância das Artes e o seu futuro no contexto nacional. 

 

"Eunice do Carmo Muñoz nasceu a 30 de Julho de 1928, na Amareleja, freguesia do concelho de Mora. Aos cinco anos, começa a encarar o público na pequena companhia teatral ambulante da sua família. Muda-se para Lisboa com os pais e o irmão, Hernâni, e frequenta o Colégio Peninsular. Descobre, finalmente, a cidade que tanto a fascinava e com que tanto havia sonhado. 

Aos 13 anos consegue o primeiro papel no teatro profissional. Estreia-se a 28 de Novembro em Vendaval, de Virgínia Vitorino, na maior e mais prestigiada companhia daqueles tempos: a Companhia de Teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II. O seu talento é reconhecido por muitos, como Palmira Bastos, Raul de Carvalho, João Villaret e Amélia Rey Colaço, a quem chamaria “a mestra do seu coração”. 

Ingressa no Conservatório Nacional de Teatro, em 1942, onde se cruza com nomes como Maria Matos, Alves da Cunha ou Rui Pacheco. 

Com apenas 15 anos, representa Maria, em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, encenado por Amélia Rey Colaço para a sua companhia, e ao lado de Raul de Carvalho e João Villaret. 

No Verão de 1944, deixa o Teatro Nacional e dedica-se à comédia sentimental, à farsa e à opereta, no Teatro Variedades, no Parque Mayer, onde se popularizou, com Vasco Santana e Mirita Casimiro, na peça Chuva de filhos, de Margaret Mayo. Na manhã do dia de estreia, presta provas no Conservatório, com cenas do 2º acto de Vivette, que termina com 18 valores. 

A sua estreia no cinema acontece em 46, no filme de Leitão de Barros, Camões, onde interpretou Beatriz da Silva, o principal papel feminino. Por esta interpretação ganha o prémio do SNI (Secretariado Nacional de Informação) para a Melhor Actriz Cinematográfica do Ano. A estreia quase simultânea de Um homem do Ribatejo, de Henrique Campos, veio cimentar a aclamação do público e da crítica. 

Regressa ao Teatro Nacional mas, com apenas 23 anos e 10 de carreira, abandona os ensaios de A luz do gás, encenado por Robles Monteiro, e afasta-se voluntariamente do teatro. Chega ainda a trabalhar na loja de cortiças da Rua da Escola Politécnica, fundada pelo conhecido “Mr.” Cork, seguida de uma incursão numa empresa de cabos eléctricos, onde foi secretária de direcção. As muitas solicitações fazem-na regressar aos palcos quatro anos depois. 

O seu regresso ao teatro, em 1955, é triunfal na interpretação que faz de Joana d'Arc, uma adaptação da peça de Jean Anouilh, L’Alouette, no palco do Teatro Avenida. 

Ao longo da sua gloriosa carreira passou por várias companhias teatrais, interpretando obras dos mais importantes autores de todos os tempos como Shakespeare, Tenesse Williams, Bernardo Santareno, José Régio, entre muitos outros. 

Em 1972 volta a deixar os palcos, dedicando-se a pequenos trabalhos na televisão e a gravar discos de poesia de Florbela Espanca e Soror Mariana. E, em 76, após a Revolução de Abril, volta a pisar o palco num espectáculo de Vasco Morgado – Equus, amargura para um cavalo, de Peter Shaffer. A sua ausência havia sido sentida por um público ávido de grandes interpretações. 

Na celebração dos 50 anos de carreira (1991), realiza-se uma exposição no Museu Nacional do Teatro, coordenada por Vítor Pavão dos Santos. 

É condecorada no palco do Teatro Nacional Dona Maria II, pelo Presidente da República, Mário Soares. 

Protagoniza vários filmes e telenovelas, como A banqueira do povo (1993), de Walter Avancini, que deixa marcas indeléveis e é considerada uma das maiores interpretações na televisão em Portugal. 

Em 2003, é homenageada pelo Teatro Municipal São Luiz, no ciclo de Grandes Actores, em Eunice, nome de actriz/ Palco e vida, com guião e encenação de Vítor Pavão dos Santos. 

Em 2006, representa, pela primeira vez, na casa que tem o seu nome, o Auditório Municipal Eunice Muñoz, antigo Cine-Teatro de Oeiras. A peça é Miss Daisy, de Alfred Uhry, encenada por Celso Cleto. A 20 de Julho é homenageada pelo Teatro da Trindade, por ocasião da centésima representação de Miss Daisy. 

Em 2008 é-lhe atribuído o Prémio Voz e, em Maio, é agraciada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência (SIC). 

A 3 de Julho de 2009, é distinguida com o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Évora. 

Recebeu os mais prestigiados prémios, como: Prémio de Popularidade da revista Rádio e Televisão (1960/62); Prémio de Melhor Actriz, pelo SNI (1963); Prémio da Imprensa para a Melhor Actriz de Teatro Declamado (1964); Troféu "Nova Gente" para a Melhor Actriz de Teatro Declamado (1983); prémios Nova Gente e Se7e de Ouro (1984/85); Prémio Garrett para a Melhor Actriz (1986); prémio Se7e de Ouro para a Melhor Interpretação Feminina (1988); entre outros."

 

Nota:

 

1. Não percam!

 

Rabiscado por Lígia Laginha às 06:18 link do post | Comentar | Marafações predilectas