Património Louletano (V) - O edifício dos Paços do Concelho

 

 

Bom dia caros visitantes do "Marafações de uma Louletana".

 

Hove a marafada volta a falar do património louletano e escolheu escrever um bocadinho sobre o edifício dos Paços do Concelho, vulgo Câmara Municipal de Loulé.

 

Assim sendo:

 

Segundo Ataíde Oliveira a Câmara Municipal de Loulé terá estado situada em três lugares diferentes até à sua localização actual: o primeiro, num prédio onde Manuel dos Santos Gallo mandou construir uma cocheira, em frente à cadeia; o segundo, num prédio ao fundo da praça; o terceiro, a sala, junto ao tribunal judicial no Convento Espírito Santo.

O actual edifício da Câmara Municipal de Loulé trata-se de uma construção da primeira metade do século XIX, erguida pelo capitão de Milícias José Rafael Pinto, para aí residir.

A construção deste edifício, que inicialmente confinava pelo sul com um troço da Travessa do Lagar Velho a qual desembocava na Rua do Postigo (actual Rua 9 de Abrli), implicou a destruição de parte do pano da Muralha que corria de nascente para poente.

Em 1842, José Rafael Pinto requereu à Câmara Municipal permissão para englobar no seu prédio aumentando-o o referido troço da Travessa. O requerente comprometeu-se por sua vez a abrir uma passagem, por meio de um túnel, sob o seu prédio em direcção à Praça (actualmente Praça da República) mandando ainda rebocar à sua custa uma Torre da Muralha, sobre a qual se havia erguido uma cúpula para abrigo do relógio público.

A Câmara deferiu o pedido e surgiu a Travessa do Relógio, hoje Rua do Município.

Por falecimento do Capitão José Rafael Pinto herdou este prédio a sua filha, casada com José Cândido de Andrade, residente em Lisboa, que decidiu vender a casa.

A Câmara Municipal e a Vereação da mesma, composta por António Vaz de Mascarenhas, Francisco da Paula Galvão, Joaquim Filipe D´Aragão Valladares, José de Sousa Faísca, Luíz de Albuquerque Rebelo e João Rodrigues Mealha, na Sessão de 2 de Abril de 1884, resolveu adquirir o referido prédio tendo em conta que este estava implantado na então melhor artéria da cidade e a sua dimensão permitia albergar não só a Câmara como outras repartições. A casa foi comprada pela Câmara por 4.800$00 tendo a mesma de contrair um empréstimo para proceder ao pagamento do montante. Nessa altura a Câmara Municipal estava alojada em parte do Convento Espírito Santo, sendo que logo que este convento ficou devoluto o Administrador do Concelho de Loulé tomou conta das chaves e ali se instalou a Câmara e o tribunal Judicial. Esta ocupação foi contestada pelo Estado e só em 7 de Abril de 1861 a Câmara obteve a cedência, a título definitivo, do convento constituída pelos claustros, com exclusão das Celas e mais dependências da ala nascente e sul, tanto do piso superior como inferior.

Na mesma sessão foi decidida a expropriação ou aquisição de um armazém pertencente a José da Costa Mealha, situado no primeiro piso do prédio em questão e do lado poente. No entanto, o armazém não chegou a ser adquirido e José da Costa Mealha aí manteve o seu comércio de palma e esparto, comércio continuado pela sua viúva e por Artur Gomes Pablos. Em data incerta, a Câmara alugou o referido armazém e aí instalou a Tesouraria de Finanças e, depois, o alojamento de praças da G.N.R. Posteriormente, foi então comprado pela Câmara Municipal.

A partir de 1885, no primeiro andar do edifício, funcionaram a Câmara Municipal, a Administração do Concelho e a Repartição de Finanças. Em data muito posterior, nesse andar esteve situado a Repartição do Registo Civil.

O primeiro piso, do lado nascente, foi ocupado por uma esquadra de Polícia Cívica e depois pela G.N.R. No mesmo piso com frente para a Praça, foi alugada uma parte do prédio pela quantia de 4.000 reis mensais, a Manoel Fernandes Guerreiro, para instalação de uma mercearia.

Na outra parte, ou seja, numa divisão com frente para a Praça da República, funcionou durante largos anos, por cedência da Câmara, a Agência da Caixa Geral de Depósitos.

Alguns meses após a Implantação da República, em Fevereiro de 1911, a Comissão Municipal decidiu melhorar as instalações da Câmara e renovar o mobiliário do Salão Nobre, para o qual encomendou mesas e cadeiras idênticas às da Assembleia da República, e um estrado, tendo sido levadas a cabo, no ano seguinte, as obras de restauro dos soalhos, portas, janelas e foi feito um estudo visando a ampliação do edifício. Parte do referido mobiliário pode ser hoje visitado na Alcadaria do Castelo de Loulé.

O edifício conservou durante anos a sua traça primitiva. Em 1942, foi o seu interior remodelado e a fachada alterada, dividindo-se o balcão em diversas janelas, sob projecto do Arquitecto Inácio Peres Fernandes.

Actualmente hospeda a maioria dos serviços municipais, que se estendem pelas diversas zonas do edifício.

 

Nota:

 

1. A informação aqui apresentada foi retirada da obra "Monografia do Concelho de Loulé" de Ataíde Oliveira, de um texto da autoria do Eng.º Luís Guerreiro e ainda da obra "Loulé no século XX" de Isilda Maria Renda Martins.

Rabiscado por Lígia Laginha às 09:17 link do post | Comentar | Marafações predilectas